Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Charge otima e texto idem

"JA PRA DENTRO, CACHORRO!"


Segundo as palavras de Nelsinho Mota:

"Diante da certeza de que eles vencerão, que jamais pagarão por seus crimes, que continuarão ricos e corruptos, e até mesmo respeitáveis, resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus figurinos grotescos, seus cabelos tingidos, suas caras botocadas. Para que suas esposas e amantes leiam, e seus filhos se envergonhem deles no colégio. Como nós nos envergonhamos todo dia."

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Vao vendo, que ainda tou escrevendo - e depois voltem...

Terça-feira, Agosto 25, 2009

OUTRA "JABORDOADA" SEM DÓ OU MEIAS PALAVRAS!

Arnaldão, mais uma vez brilhante, regurgita da maneira mais crua todo o fel que tanto mal nos faz - bastando acordar a cada dia e observar o panorama político deste Brasil tão cheio de potencial que a cada dia a mais se joga fora - por não poder contar com alguns "Pais da Pátria" que nos deem bons exemplos. Ao contrário, só o que temos são "Filhos de Putas" a avacalhar com o futuro das novas gerações.


"Aprendemos de cabeça para baixo

Os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Temos assistido, como nunca antes, a um show de verdades através do chorrilho de negaças, de cínicos sorrisos e lagrimas de crocodilo. O Brasil está evoluindo em marcha-a-ré! Nestas ultimas semanas, só tivemos desacontecimentos. O senador Mercadante ia sair da liderança do PT, irrevogavelmente. Depois, oscilou, seu mestre deu-lhe um esculacho e ele voltou atrás. Marcha a ré. Desaconteceu.

A Dilma também. Ela "não" se encontrou com a Lina Vieira, não. Querem nos convencer que a Lina é maluca e resolveu inventar tudo aquilo para prejudicar a ministra. Ninguém se lembra que essa polemica do "fui não fui" é útil para camuflar o fato de que a expulsão da Lina aconteceu somente por causa do questionamento à Petrobras...

Tudo marcha a ré. Tudo some. As fitas de VT do Planalto se apagaram. Ninguém existe mais nas fitas. Os atos secretos voltam pouco a pouco e deixam de sê-lo. O nosso Sarney foi absolvido de tudo; as 11 acusações foram arquivadas pelo mordomo-suplente - desaconteceram, sumiram na descarga do Conselho de Ética. Sarney, o Comandante do Atraso, disse que não se sente culpado de nada. Está certo seus servos decretaram que nada houve. Nossa frágil republica esta sumindo.

As tramóias e as patranhas de hoje são deslavadas; não há mais respeito nem pela mentira..Está em andamento uma "revolução dentro da corrupção", tudo na cara da população com o fito de nos acostumar ao horror.

Com a dissolução do PT, que hoje é o verdadeira partido da "direita", com o derretimento do PSDB, o destino do país vai ser a maçaroca informe do PMDB (Oba! Vem aí o tesouro da legislação do pré-sal, a ser entregue a seus malandros-chefes, que já devem estar babando).

No entanto, justiça ao narcisismo deslumbrado do Lula, com seu projeto de si mesmo: nunca nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo.

E aí, nossa única esperança: talvez estejamos aprendemos sobre a dura verdade nacional neste rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Por exemplo: uma visão da cabelo do Wellington, a cara dura de seres como o Almeida Lima, o rosto feliz do Renan e Jucá, nos ensinam muito. Que delicia, que doutorado sobre nós mesmos!

Já sabemos que a corrupção no país não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas.

Aprendemos a mecânica da sordidez: a técnica de roubar o Estado para fazer pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, orgasmos entre empreiteiras e políticos. Querem nos acostumar a isso, mas, pode ser, (oh Deus!) que isto seja bom: perdermos o auto-engano, a fé. Estamos descobrindo que temos de partir da insânia e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.

Até que enfim nossa crise endêmica está sujamente clara, em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades imundas, tão fecundas como um adubo sagrado, belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. Como é educativo vermos as falsas ostentações de pureza, candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a bilontragem nas cumbucas, nos esgotos da alma..Que emocionante este sarapatel entre o publico e o privado: os súbitos aumentos de patrimônio, fazendas imaginarias , açougues fantasmas, netinhas e netinhos, filhinhos ladrões, a ditadura dos suplentes, cheques podres, piscinas em forma de vaginas, mandingas, despachos, as galinhas mortas na encruzilhada, o uísque caindo mal no Piantela, as diarréias secretas, as flatulências fétidas no Senado, diante das evidencias de crime, os arrotos nervosos, os vômitos, tudo compondo o grande painel da nacionalidade.

Já se nos entranhou na cabeça, confusamente ainda, que enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, haverá canalhas, enquanto houver Estatais com caixa preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse código penal, nunca haverá progresso. Já sabemos que enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver.

Já sabemos que mais de 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas. A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas, e mais: os que foram desonrados no Congresso voltaram fortes e mandam no legislativo. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.

Só nos resta a praga. Isso. Meu desejo é maldizer, como já fiz aqui varias vezes.

Portanto, malditos sejais, ó mentirosos, negadores, defraudadores, vigaristas, trampistas, intrujões, chupistas, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas pútridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente, que vossas mentiras, marandubas, fraudes, lérias e aldravices se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, que entrem por vossos rabos e fundilhos e lá depositem venenosos ovos que vos depauperem em diarréias torrenciais.

Que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos vingadores vos exterminem para sempre!

No entanto, alem das maldições, sou um otimista inveterado; fico procurando algo de bom nessa bosta toda!

Talvez esta vergonha seja boa para nos despertar da letargia de 400 anos. A esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno. Através deste escracho, pode ser que entendamos a beleza do que poderíamos ser!"

Arnaldo Jabor, O Globo, segundo caderno

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

NELSINHO MOTTA - UM PEQUENO GRANDE JORNALISTA

Ele vem escrevendo cada vez melhor. De modo simples e direto, sem muita prosopopéia, fala reto o que se passa na sua cabeça e na de muitos outros cidadãos. Sua opinião no O GLOBO de hoje é umm primor de objetividade, daquelas colunas para se recortar e guardar.


Adicional de insalubridade

"Como a crônica de uma patifaria anunciada, tudo correu como o previsto. O público assistiu ao vivo a um espetáculo deprimente de cinismo e covardia, protagonizado por um elenco de personagens quase inverossímeis em defesa do indefensável. Não chega a ser um consolo para os 70% de cidadãos que queriam Sarney fora, mas esses senadores não poderão sair na rua nem ir a lugar nenhum, a não ser cercados de seguranças. E vão disputar eleições no ano que vem.

Freudianamente, Sarney disse sobre o "Estadão" o que parecia dizer ao espelho: um velho de fraque e brincos. Que nunca fez nada de errado na vida. Que é vítima inocente de cruel campanha. Arquétipo ou caricatura?

Mas por que o "Estadão" (e a "Veja", a TV Globo, a CBN, a "Folha de S.Paulo", O GLOBO, a "Zero Hora") iria mover tão cruel e injusta perseguição contra ele? Para enfraquecer o presidente Lula, a resposta está na ponta da língua, como um slogan de campanha. É a conspiração da direita, contra os pobres.

Agora perguntem aos eleitores de Lula, principalmente os de esquerda, se eles sentem orgulho ou vergonha do apoio de seu líder a Sarney e Renan?

Alguém duvida que, para a opinião pública, a eventual queda de Sarney beneficiasse Lula? Ou, como perguntei ao Merval e nem ele soube me responder: se Lula e o PT abandonassem Sarney, e o PMDB, magoado, cumprisse a ameaça de abandonar Dilma, para onde iriam Sarney, Renan, Collor, Cabelo, Gim, Almeidinha e o resto da tropa? Para o palanque de Serra, de Marina ou de Ciro? (rs) Para onde iriam esses patriotas? Prefiro não comentar.

Claro, é apenas um sonho republicano, sabemos de todos os cargos e bocas e bocadas que o PMDB tem no governo e não vai largar, nem por Sarney nem por ninguém. É o jogo sujo de sempre, chantagens, alianças de conveniência, tática eleitoral, estratégia política, a luta pelo poder. Os fins justificam os meios, quando a causa é nobre — como a de cada um. Menos da oposição, que é vil, vilã e venal.

Enquanto isto, Sarney vai ficando. E Collor obrando. Os repórteres que cobrem política em Brasília mereciam receber um adicional de insalubridade."

NELSON MOTTA é jornalista.

Domingo, Agosto 16, 2009

BINGO! VEREZA NO O GLOBO ACERTA NO ALVO

Com curiosa e aflitiva sincronicidade de idéias, o ator Carlos Vereza, dono da já memorável entrevista a Jô Soares (e vastíssima audiência no YouTube), teve publicada no O Globo de ontem a sua opinião abaixo, em que desnuda, mais uma vez, a sorrateira caminhada do governo para dominar quaisquer segmentos pensantes no país, onde critica também o silêncio do resto da sociedade "inteligente", cobrando atitude a seus pares.

O GLOBO
Sábado, Agosto 15, 2009

A 'nova' UNE

por Carlos Vereza


"Não há em toda a Dinamarca um só canalha que não seja... um patife consumado". Hamlet

Essa "nova" UNE (União Nacional dos Estudantes), raquítica de ideais, não pode ser descartada de um projeto maior, megalômano, não só de perpetuação no poder do senhor Luiz Inácio, mas de um ultrapassado antiamericanismo, compactuado por países como Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela - com o psicopata Chávez implantando, ante a simpatia de Lula, um regime ditatorial, anulando, inclusive pela violência, a liberdade de órgãos de comunicação que não se submetem a seu despotismo.

Cabe à "nova" UNE minimizar a natural tendência dos jovens estudantes à contestação, própria de sua faixa etária; às centrais sindicais, aparelhar não apenas os sindicatos, como também a máquina governamental.

Os intelectuais e artistas - com as devidas ressalvas - permanecem silenciosos, ávidos por um patrocínio, ou quiçá por uma bolsa de "aperfeiçoamento" no exterior. Como se não bastasse, o Brasil pratica a pior política externa de todos os tempos: uma verdadeira teia de "solidariedade" estende-se ao Irã do lunático Ahmadinejad, à Coreia do Norte do moralmente minúsculo Kim Jong-Il, sem esquecer, é claro, a indisfarçável leniência para com os narcotraficantes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Lula, "orientado" pelos teóricos do PT, segue de ouvido as formulações do defasado pensador italiano Antonio Gramsci (o príncipe moderno...), servindo-se da democracia para posteriormente destruí-la.

A bolsa-anestesia exclui a população mais necessitada de qualquer possibilidade de acesso à cidadania, transformando-a, para utilizar um jargão "esquerdista", em verdadeira massa de manobras.

A desmoralização do Legislativo, do Judiciário, o desmonte das Forças Armadas, os bandoleiros do MST são dados que formatam uma estratégia que poderá nos levar a uma "democracia" plebiscitária, e a uma oposição figurativa.

E a "nova" UNE cumpre, talvez, a mais insidiosa dessas tarefas: a de manter apática e colonizada culturalmente o que poderia ser a parcela da população com potencial para rever uma prática política cruel e apodrecida.

Carlos Vereza é ator.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

CONCLAMAÇÃO

Preocupa-me sobremaneira a apatia das pessoas inteligentes, com princípios e com visibilidade, no Brasil. É fator que muito me inquieta.

Será que toda a inteligência nacional, nossos escritores e escritoras, nossos atores e atrizes, nossos diretores e diretoras de teatro, cinema e televisão, nossos jornalistas e comentaristas, nossos líderes comunitários e religiosos, e etc., desistiram de lutar contra este regime grotesco no trato com a coisa pública? Ou estão com medo de opinar abertamente sobre a falta de caráter dos políticos que regem grande parte da vida nacional? No passado, a classe "artística" nunca hesitou em botar a boca no trombone. O que está rolando agora?

Não quero crer que a sociedade brasileira, no sentido de nação, aquietou-se e acomodou-se com o status-quo apodrecido das aberrações pessoais e institucionais que temos observado em Brasília. Restrinjo aqui os comentários a essa cidade, não apenas porque é a capital da República, mas por abrigar a sede das instituições e autarquias onde a coisa está mesmo horrenda.

As paredes do Senado, da Camara dos Deputados e do Palácio do Planalto, verdadeiros prostíbulos morais, não estão sendo capazes de abafar ou ocultar da sociedade as nojeiras ocorridas lá dentro. Lá estão sendo violentadas as noções mais elementares de honradez, de ética, de moral, de probidade e de honestidade.

Os órgãos de imprensa que ainda teimam em informar à camada da população que se interessa o que acontece lá dentro já esgotaram todos os maus adjetivos, ao tentar explicar o nível das baixarias. "Inqualificável" virou um belo elogio, nas circunstâncias.

A sujeira já é tão grande que minha maior preocupação agora é que as vozes "com Ibope", as dos "campeões televisivos", dos jornais e das rádios, estejam silentes. Pois tirando-se um ou outro que fala do assunto, mas de maneira sempre jocosa, como piada, sem assumir sua própria indignação "para não comprometer" o veículo que lhe paga altos salários, está faltando às pessoas honradas e com visibilidade, uma postura de coragem, de repúdio, de posicionamento contra os péssimos exemplos correntes, onde a traição de um dia é perdoada pelo abraço do dia seguinte, o desaforo de ontem é apagado pelo plano maquiavélico de hoje para o lucrar politico de amanhã, onde cordeiros se unem a lobos, e sapos a cobras, numa bacanal infernal em nada é de ninguém, tal como os rabos dos alcoolizados.

Materializa-se, no Brasil de hoje, a piada de que aqui é o único lugar do mundo onde os traficantes são viciados, as putas gozam, os bicheiros apostam e os policiais roubam desbragadamente. E como coda à tão triste e irônica anedota, os políticos "de oposição" se juntam aos "governistas" para garantir a mais perfeita espoliação pecuniária, e pmuito pior, moral, de seus eleitores.

E poucos estão se indignando contra esse contubérnio generalizado em que se tranformou a vida política no Brasil. Precisamos de mais alguma coisa?

O povo que não lê jornal mas que sempre poderá, se informado, dizer não, só ficaria vacinado contra essa acachapante corrupção de valores se estas pessoas - os "com-jornais, rádios, TVs e internet" para lhes fazer eco - se insurgissem minimamente e abrissem suas bocas para verbalizar seu desagrado com o rumo desse rio tão fétido de dejetos morais, que aumenta de volume a cada semana, extravasando as margens e atingindo as mentes das gerações futuras, adubando negativamente as cabeças desses brasileirinhos impotentes.

Só um conjunto de vozes conhecidas e respeitáveis, atuando em grupo ou em sequência podem demonstrar à população como tudo isso está errado e como o povinho está sendo iludido.

Daí esta conclamação às Coras e Danuzas, às Miriams e Monicas, às Lúcias e Doras, às Anas e Marias, às Fernandas e Lilians, entre muitas outras, reforçadas e secundadas pelos Alis, Diogos e Reinaldos, Borises e Alexandres, Ubaldos e Jarbases, Ricardos, Joelmires e Marcelos, Fernandos, Fábios, Brunos e Walters, Nelsons, Lucases, Caios e Clóvises, Ubiratans, Albertos e Olavos, enfim todos os que tiverem mídia de algum modo, para que
concatenem suas vozes e gritos, pela vergonha na cara dos políticos (e sem clamar por nenhum deles, de qualquer partido, para engrossarem essas fileiras).

Que o seu brado conjunto seja o início do amplo movimento de repúdio ao enorme papel de palhaços que nós, os "com-imposto", estamos fazendo no Brasil de hoje.

Não dá mais para esperar!

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

RETOMANDO, EM VISTA DA SITUAÇÃO

A vergonha é tanta, tanta, tanta que, mesmo dispondo de pouco tempo para dedicar-me ao blog, acho que não conseguiria olhar mais para a minha cara no espelho se não tentasse colaborar de algum jeito.

Esta infecção generalizada que assola Brasília, principalmente, e a outras partes do país, vai levar a nação brasileira a um estado terminal, em breve.

Os péssimos exemplos incutidos, a cada minuto que passa, nas cabeças infanto-juvenis, de modo tão subliminar quanto indelével, pelas bactérias políticas que infestam a capital da república, vão cobrar um pesado preço na formação das futuras gerações de brasileiros.

Se já não bastasse a peculiar formação ancestral dos homini-brasilis, dados a procurar o caminho mais fácil para tudo, fora dos padrões éticos e de honestidade, enfrentamos agora a mais vil demonstração de falta de caráter e de vergonha, deficiências escondidas nas mais variadas fantasias até agora envergadas, mas que neste momento especial foram rasgadas de modo definitivo. E sem volta.

Sou partidário da idéia de que apenas uma grande fogueira liquidará a septicemia que corrói os valores outrora presentes no corpus nacional e que ora dizima quaisquer resquícios de saúde das Instituições nacionais.

Só a grita das pessoas de bem que hoje se amedrontam diantes da enorme quantidade desses vermes, bactérias e vírus espalhados pela política é que permitirá a geração dos anticorpos necessários à cura dessa enorme doença colateral que vem nos acometendo, chamada de medo. Enquanto os hospedeiros foram impregnados por uma epidemia exógena, antiga, letal e totalmente contrária aos costumes dos brasileiros, que transformou seus seguidores em zumbis dedicados a acabar com os restos de uma civilização, as pessoas de bem se calam, temerosas de que sejam olhadas com desprezo.

Até que ponto os vermes nos olharão de cima, se nós é que os alimentamos? Estamos dando do nosso sangue (nossos impostos) na suas boquinhas sedentas..., até quando?

Então, que volto a fazer deste espaço um repositório de idéias que possa, de alguma maneira, juntar-se aos outros espaços que ainda não foram infectados, nessa luta de alguns poucos "cruzados" contra essa enorme e infectada massa de moléculas tangidas pela mentira.

Começo postando a nota do General de Exército Gilberto Barbosa de Figueiredo, presidente do Clube Militar, a propósito do que ocorre no país agora. Leiam:


"EM SE COMPRANDO TUDO DÁ … VOTOS

Os homens são tão simplórios, e se deixam de tal forma dominar pelas necessidades do momento, que aquele que saiba enganar achará sempre quem se deixe enganar.(Maquiavel)

Nunca na história deste país se fez tão pouco caso da honra, de tal maneira se desprezou a ética, tanto se usou de meios escusos para corromper, para enlamear instituições, para comprar consciências. A amarga sensação que fica é a da total perda, por parte de um grande número de homens públicos, de qualquer noção de honestidade, de dignidade, de honradez.

O atual governo, contrariando todos os princípios apregoados enquanto estava na oposição, abandonou completamente o decoro no trato da coisa pública e partiu para o uso de um verdadeiro rolo compressor, comprando tudo e todos a sua volta, desde que possam, de alguma forma, interferir em seus objetivos.

Recordemos o esquema do mensalão, quando um grupo de aliados do Presidente, gente de dentro do governo, usou meios escusos para organizar a maior quadrilha jamais montada em qualquer lugar do mundo, com o objetivo de comprar o apoio de parlamentares e, em última instância, perpetuar no poder seu grupo político.

O então Procurador-geral da República, Dr Antônio Fernando de Souza, apresentou uma denúncia contundente contra os principais envolvidos no escândalo. Ficou de fora o Presidente da República que alegou desconhecer o esquema. Em termos jurídicos, a desculpa valeu. O Procurador-geral retirou-o da denúncia por não ter encontrado evidências firmes de seu envolvimento. Agora, firulas jurídicas à parte, parece pouco provável que alguém, dotado de capacidade de reflexão, tenha acreditado na história. A ser verídico o desconhecimento, cairíamos na dúvida que, à época, circulou na internet: será que temos um Presidente aparvalhado, incapaz de entender fatos que acontecem ao seu redor, protagonizados por seus mais íntimos colaboradores?

Em outra vertente, há o Bolsa Família, sem dúvida o maior programa de compra de votos do mundo. Trata-se de um programa que gera dependência, antes de estimular o desenvolvimento humano. As pessoas atendidas, recebendo o benefício sem nenhuma necessidade de contrapartida, ficam desestimuladas até de buscar emprego. Mesmo a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) chegou a afirmar que o programa “vicia” e que deixa os beneficiários “acomodados”.

Não é que alguém seja contra a minorar a aflição de quem tem fome. O problema é que o programa parte de uma premissa falsa ao confundir pobreza com fome. A esses últimos é mais do que justo assistir com recursos públicos. Aos pobres, a melhor ajuda que o governo poderia dar é investir corretamente em educação. Mas não, confundindo conceitos, prefere manter um Bolsa Família hiperdimensionado, gastando recursos que fazem falta à educação, uma vez que, assim como está, o retorno nas eleições, em termos de votos, tem sido muito compensador.

A comprovação de que não são todos os pobres no Brasil que estão famintos veio de uma pesquisa do IBGE, realizada em 2004 – Pesquisa de Orçamentos Familiares. Em uma parte dessa pesquisa, ficou constatado que o índice de pessoas abaixo do peso estava menor do que aquele considerado normal pela OMS. E, para a perplexidade dos que acenam com a necessidade de combater a fome para manter e ampliar o programa, verificou-se que, entre nós, a obesidade é um problema mais crítico do que a fome.

Não satisfeito em aliciar parlamentares para sua base de sustentação política e populações desassistidas para aumentar suas possibilidades eleitorais, o governo trata, também, de evitar qualquer problema nas ruas, em termos de manifestações públicas de desagrado contra os muitos desvios de ética praticados por seus correligionários e aliados. Nada melhor, então, do que colocar a União Nacional dos Estudantes igualmente em seu balcão de negócios.

É assim que o governo, da mesma forma que faz com sindicatos, resolveu patrocinar a UNE. As verbas federais, dessa forma, passaram a irrigar o movimento estudantil, seja em termos de patrocínio, como aconteceu em seu último congresso nacional, seja com a destinação de alguns milhões para a reconstrução de sua sede, seja, ainda, com o pagamento de generosas “mesadas” a seus dirigentes.

Com isso, foi neutralizado o espírito combativo que era a marca do movimento estudantil e eliminou-se toda possibilidade de agitações de rua indesejáveis. Um exemplo disso ocorreu no referido congresso, quando houve um protesto contra a CPI da Petrobras. Em outros tempos, seria a UNE a primeira a se mobilizar para exigir a completa elucidação dos fatos. Agora, sem sequer conhecer os resultados de uma CPI que nem começou, faz o protesto. Passam por cima da necessidade de se investigar denúncias de irregularidades em uma empresa cujo maior acionista é o governo, em um congresso que era patrocinado por esse mesmo governo. E o presidente da UNE tem a desfaçatez de dizer que não vê nada de errado nisso.

Com a prática da compra indiscriminada de todos que possam atrapalhar os desígnios do governo, este foi perdendo todos os escrúpulos. Conseguindo manter níveis elevados de popularidade, julga-se acima do bem e do mal, capaz de tudo, inclusive de defender crimes praticados por aliados, pouco se importando com a ética e com a moralidade pública. Pouco se importando com a evidência de que está corrompendo os brios de toda uma nação que, em um dia não tão distante, teve orgulho de se proclamar brasileira.

Gen Ex GILBERTO BARBOSA DE FIGUEIREDO

Presidente do Clube Militar"

Segunda-feira, Outubro 08, 2007

C.Q.D

Reproduzo aqui matéria de Folha de SP de hoje, que aponta, após pesquisa (e nem fui eu que encomendei) sobre o que venho dizendo aqui há alguns meses - e posts, o último em 27 de julho passado). É longa a matéria mas importantíssima para que se perceba o TAMANHO DA ARAPUCA que, lenta e insidiosamente, estão nos preparando. E ainda há muitos empresários que, alimentados pela bruxa má, oferecem seus dedinhos para serem examinados entre as barras da gaiola, e nem pressentem o que lhes acontecerá quando estiverem bem gordinhos.


São Paulo, segunda-feira, 08 de outubro de 2007

Diretores de estatais lideram lista doadores do PT em 2006

Indicados políticos repassaram R$ 133 mil ao partido ou à campanha de Lula

Oito entre os dez maiores contribuintes são dirigentes da Petrobras ou de elétricas; maior doador afirma se tratar de "obrigação política"

FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Domínio do PT e motivo da cobiça de partidos aliados, as diretorias da Petrobras e das estatais elétricas são ocupadas por militantes que retribuem a indicação partidária contribuindo com seus cofres.
Cruzamento feito pela Folha na lista de doadores do partido em 2006 com a relação de 20 mil cargos de confiança federais mostra que os diretores de empresas públicas estão no topo do ranking. Juntos, 18 diretores repassaram R$ 133 mil ao caixa do PT ou à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Dos dez maiores contribuintes, oito são de estatais.
O dado mostra como o partido está encastelado nas estatais e como são fiéis ao PT os diretores dessas empresas. Explica também porque é tão difícil para aliados como PMDB, PP, PTB e PR desalojarem esses petistas, em geral ocupantes de cargos com salários de R$ 15 mil a R$ 40 mil, maior que o de ministros. A disputa por cargos de direção na Petrobras abriu uma crise na base de Lula há duas semanas, que chegou a ameaçar a aprovação na Câmara da CPMF.
PMDB e PP reclamaram da indicação da petista Maria das Graças Foster, então presidente da BR Distribuidora, para a diretoria de Gás da Petrobras no lugar do também petista Ildo Sauer, sem que seus pleitos tivessem sido contemplados.
Sauer, que deixou a Petrobras no mês passado, lidera o ranking dos servidores federais que mais contribuíram com o PT e Lula em 2006, com R$ 29.013,13 doados -o "13,13" foi referência intencional ao número do partido. Foster é a sexta colocada, com R$ 11 mil.
"Eu entendo que é nossa obrigação política. Escolhemos apoiar o PT há muitos anos. Não adianta só falar. Campanhas eleitorais infelizmente custam caro", disse Sauer, que se diz um defensor do financiamento público. Segundo ele, "é melhor que o partido receba de seus militantes do que ficar dependente de outros esquemas".

Petrobras
A Petrobras tem mais três servidores no "top 10" dos doadores: o presidente, José Sérgio Gabrielli, foi o segundo mais generoso: deu R$ 21.150. É seguido por Guilherme Estrella, diretor de Exploração (R$ 21 mil), cujo cargo é cobiçado pelo PP. Em nono lugar aparece Armando Ramos Tripodi, chefe-de-gabinete da presidência da estatal, com R$ 5.000.
Gabrielli deu uma explicação via assessoria: "Como cidadão brasileiro, pago meus impostos e não tenho que dar satisfação a ninguém sobre o destino que dou ao meu dinheiro". Segundo a Petrobras, a mesma posição têm Foster, Estrella e Tripodi.
Na batalha pela CPMF, a crise na Petrobras foi contornada com a promessa do governo de reorganizar o loteamento da estatal. Mas deve entrar em cena agora a disputa pelo setor elétrico, que deveria ser da cota do PMDB do Senado, mas está toda nas mãos de petistas.

Elétricas
Eletrobras, Eletrosul e o próprio ministério de Minas e Energia estão sendo tocados por interinos -todos petistas. Valter Luis Cardeal, presidente interino da Eletrobras, repassou R$ 19.500 ao PT e a Lula no ano passado, o que faz dele o quarto mais generoso doador.
Logo atrás vem o petista Ronaldo Santos Custódio, que presidente interinamente a Eletrosul, com R$ 14.100 doados. Mais dois diretores da Eletrobras, dois da Chesf, um da Eletrosul e outro de Furnas fizeram contribuições.
As doações feitas ao partido pelos diretores de estatais são voluntárias. Além delas, há uma contribuição compulsória dos detentores de cargos de confiança petistas, o "dízimo", descontado do salário.
No governo Lula, houve expansão do número de cargos de confiança, muitos dos quais ocupados por petistas. Como conseqüência, a arrecadação do partido disparou.
De acordo com o levantamento da Folha, 274 detentores de cargos de confiança doaram ao PT no ano passado, num total de R$ 265 mil.
Os 18 diretores de estatais, apesar de representarem apenas 6,5% desse universo, responderam por 50,3% do montante de doações de servidores com cargos comissionados.
Ao todo, a campanha de Lula arrecadou mais de R$ 81 milhões -a grande maioria entre pessoas jurídicas.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

UBALDO IRRETOCÁVEL, ESPETACULAR

Caramba, a gente tem de tirar o chapéu para esse sujeito. Há dias estava com uma coisa na cabeça mas não estava encontrando as palavras nem a certeza se o que elas transmitiriam seria algo que faria o sentido que eu pretendia. E hoje, abrindo a caixa postal, lá estava, pronto e acabado, espetacularmente didático e cristalino, o raciocínio que eu "arrodeava mas não 'garrava", ou antes, precisava, mas não fui capaz de deitar. Minha desconfiança foi parida sem fórceps pela pena do cara. Atentem para o quarto parágrafo e me digam: não é um gênio? Enfezado, então, vale por dois. Espetacular!

18/09 - O golpe já começou
Por João Ubaldo Ribeiro
Jornal "O Globo"


"Vocês vejam como, em volteios e ironias, a vida nos dá constantes lições de humildade. Faz poucas semanas, argumentei aqui que não havia golpismo nenhum no Brasil, a não ser numa cabeça desvairada ou outra. Gira o mundo, passam os dias, e agora me encontro na obrigação de engolir minhas palavras. Fosse lá no bom sertão de onde vem o dr. Renan Calheiros, talvez um coronel me obrigasse a literalmente comer o jornal, como é de veneranda tradição regional. Pois não é que, num relampejo deflagrado pela Providência, numa reprodução modestíssima do estalo de Vieira, acaba de me aparecer com grande vividez toda a verdade, em sua nudez tão clara quanto imunda? Mas é obvio que há golpismo, como asseveram os governistas. Mais que isso, o golpe já está se desenrolando, com uma sorte e uma maestria sem rivais.

Só que o pessoal, o que, nas circunstâncias, é perfeitamente desculpável, esqueceu de falar que o golpe não vem do lado de cá, dos descontentes com eu e muitos outros, até mesmo a odiosa Zelite, que, aliás, vai se dar bem, como sempre, golpe ou não golpe. O golpe é do governo mesmo. Sei que com esta afirmação me arriscaria a ser acusado de calúnia. Mas não é calúnia, porque está tudo tão bem feitinho, tão arrumadinho, vai ser tudo tão dentro da lei e do apoio popular, que, ao dizer que o governo está dando um golpe, não o estou - o que caracteriza calúnia - acusando de crime, estou é achando esse pessoal sabido que é danado.

Jornal é lido por gente de todo tipo e me desculpo com aqueles que já sabem o que vou resumir simplificadissimamente. O Brasil tem um sistema bicameral, a Câmara de Deputados e o Senado Federal. A Câmara representa a população e, portanto, os Estados mais populosos tem mais deputados. Para evitar que esses Estados dominem o inteiramente os minoritários, o Senado tem um número igual de membros para cada Estado. E cumpre funções importantíssimas em nosso sistema. Entretanto, o dr. Berzoini, outro dia, praticamente declarou como projeto do PT a extinção do Senado. Sendo a cabeça do PT em São Paulo, a coisa ficaria muito facilitada, se não houvesse o Senado.

Agora, num julgamento que se pode rotular de clandestino, malocados como bandidos numa cafua em que a atmosfera mais se assimilava a uma reunião de Cosa Nostra com direito a porrada na entrada, os senadores, escondidos do povo que desrespeitam, envergonham, enganam, furtam (ponha aí o "raras exceções" de praxe, por favor, pois cá me impede momentaneamente a náusea) e atraiçoam, os senadores decidiram votar contra as convicções de praticamente toda a nação. Ou seja a esmagadora maioria do povo brasileiro, tenho certeza, considera hoje o Senado não mais que uma furna de parasitas, larápios incompetentes, negociantes da honra, hipócritas inexcedíveis, aproveitadores descarados e uma despesa desnecessária para o país. O Senado, finalmente, conseguiu firmar seu processo de putrificação e assim cumpre sua parte no golpe. Tenho certeza de que, se não a maioria, parte muito significativa do povo brasileiro votaria ou sairia à rua pela extinção do Senado. Portanto, ele está cumprindo muito bem o seu papel no golpe, esforçando-se ao máximo para mostrar que só serve para atrapalhar e vai continuar a atrapalhar, envolvido em processos e dissensões, para daqui a pouca o presidente dizer, com geral concordância pública, que o Senado não o deixa governar. Dá-se um jeito, perfeitamente legal e com feroz apoio popular, de acabar com o Senado.

Depois, acabar com a Câmara de Deputados é mole.sabe qualquer um que, se cuspir no chão fosse hábito brasileiro para expressar desprezo e repulsa, nadaríamos num mar de saliva, pois seria o que aconteceria sempre que se falasse em deputado e senador. Na nossa História recente, a Câmara tem empreendido uma campanha sem quartel para tornar " deputado" e " político" xingamentos desses de reagir com um murro na cara e um progresso por difamação e injúria. O povo despreza todos eles com equanimidade (botem as raras exceções outra vez, é só para não me prenderem com muita facilidade - já basta que o responsável por tudo o que estou atacando sou eu mesmo, como integrante da famigerada mídia ) e muita gente tem de tomar um antiemético quando um deles aparece na TV. Transforma-se ( é fácil, é só dar um empreguinho aqui. Uma graninha lá, uma garota de programa acolá) a atual Câmara numa Assembléia Constituinte e aprova-se uma nova Constituição de truz. Nem é preciso trabalhar muito, porque a de 37 está aí mesmo, para ser copiada ou servir de modelo, retiradas as partes mais progressistas. A admiração do presidente Lula por Getúlio Vargas vai ficar bem mais fervorosa.

Renan Calheiros, à custa de enorme desgaste pessoal,desempenhou e certamente desempenhará bravamente sua parte ( não a sua parte em dinheiro, que nada disso está provado e é por fora - tirem esse bicho daí ). Está quase tudo feito para se demonstrar cabalmente que tanto o Senado federal quanto a Câmara de Deputados são desnecessários e mesmo perniciosos, simulacros descartáveis de verdadeiras instituições democráticas. Creio que a maioria dos senadores e deputados continuará colaborando, tendo à proa o brioso senador Aloísio Mercadante ( que falou por si e assim sacrificou a biografia pela causa, pois, como se coment..., quer dizer, como se sabe, o PT liberou os votos de todos os seus membros ) e aquela outra ora me escapa, uma que lembra uma recepcionista de gafieira com problemas sintáticos.

E finalizo com um elogio aos antigos e à sabedoria que atravessa os séculos. Tudo isso me veio à mente quando me fiz a velha pergunta romana, que tantos eventos já esclareceu: Cui prodest ? - a quem aproveita? A mim, no momento, só me ocorre um Grande Aproveitador. A você ocorre quem?"

SINA

Reestreou neste fim de semana no Brasil a trupe internacional de artistas reunidos sob a "lona" do afamado Cirque du Soleil.

Adivinhem só qual é a nacionalidade do palhaço.

Sexta-feira, Setembro 14, 2007

RESPEITO QUE SE CONSTRÓI

Quando o Deputado Fernando Gabeira retornou de seu exílio no exterior, nos início dos anos 80 e apareceu na Praia de Ipanema envergando uma minúscula tanga de crochê, achei que não haveria uma figura mais desprezível no país. Era um terrorista (anistiado), declaradamente homossexual e para culminar, um defensor da liberação das drogas, e nada mais precisava para que eu o relegasse ao limbo da minha desatenção.

Passou portanto ao largo de meu escrutínio sua militância no PT, terminada em outubro de 2003, por discordar da política ambiental do Mulá. Tal evolução pessoal não apenas o levou a integrar as fileiras do Partido Verde como salvou-o de estar no PT, quando da devastação moral ocasionada pelo episódio do mensalão. Da mesma forma, não acompanhei de perto sua trajetória no PV, ainda influenciado pelo seu currículo pretérito.

Qual não foi a minha surpresa quando, em setembro de 2005, admirei-me com sua atitude honrada, destemida e altamente gratificante (para um simples cidadão atormentado com o descalabro reinante da capital do Bananal, como eu), quando, no meio do Plenário da Câmara dos Deputados, postando-se ao microfone, levantou o dedo e apontou para o então presidente daquela casa, o caricato Severino Cavalcante, dizendo-lhe que não era digno de estar no cargo. Gabeira agigantou-se ao expressar ali naquele momento histórico e em alto e bom som, a indignação que perpassava toda a sociedade brasileira - excetuados, logicamente, os pares do Yoda tupiniquim e seus apaniguados.

A coragem de Gabeira, falando a alma do povo honesto e lascado contra as maracutaias perpetradas pelo Presidente da Camara dos Deputados - nada menos do que a terceira maior autoridade do país -, dizendo-lhe que envergonhava a todos com sua presença ali, entre outras verdades, soou-me como meu próprio grito e trouxe-me alguma esperança pelo que imaginava, seria um ato exemplar. Admirei-me, sobretudo, por sua atitude de “macho”. Não foi jamais secundado nessa atitude, por seus pares, infelizmente.

As suas atuações posteriores no Congresso, nadando, junto a uma minoria de gatos pingados – a quem eu chamaria de Os Honrados – contra as avassaladoras vagas das trocas de favores, faltas de decoro, mesadas e mensalidades financeiras ou funcionais, enormes e inúmeras maracutaias e outras putarias diversas, urdidas naquele mar de porcarias que é o Congresso de hoje, fizeram com que eu voltasse a prestar atenção em seu desempenho.

Com simples e intransigentes gestos em direção à seriedade, à honestidade de princípios e ao respeito à res publica, seu passado, se uma vez reprochável para mim, foi sumindo no horizonte das suas atitudes recentes.

Seu destemor em entrar no Senado para assistir à sessão que julgaria a qualidade da ética de Renan Calheiros, com olhos, ouvidos e boca atilados pelo respeito ao mandato que recebeu de seus eleitores, transformaram-no num herói que, ladeando e ladeado por Raul Jungmann, enfrentaram à polícia renanesca postada de modo a impedir-lhes acesso com um destemor de touros indomáveis. Sobrou até, desferido pelo deputado Gabeira, um "acidental" murro no Senador Tião Vianna, vice-presiden´te daquela Casa.

Mais uma vez, a coragem e a retidão de Fernando Gabeira sobrepuseram-se ao seu passado. Suas atitudes na defesa da legalidade, do bom trato à coisa pública e no devido cumprimento da lei fizeram dele, aos meus olhos, um herói.

A quem vou retribuir com meu voto. Ele me representará, acredito, como eu mereço. Sendo respeitado e não feito de palhaço.

Quinta-feira, Setembro 13, 2007

EX-SENADOR FRANCISCO DORNELLES

Foi com enorme pesar que me lembrei de ter votado em você, nesta manhã. Confesso que fiquei entre extremamente avexado comigo mesmo e totalmente decepcionado com você, pela tese engendrada na defesa, corporativa e covarde, dos cargos dos Senadores em futuras apurações de desvios de conduta, consubstanciada nesse grão-episódio do folhetim diário que vivemos nesta terra de ninguém, chamado de "Renan Calheiros e suas vacas", que engloba as de presépio, claro.

Talvez a sua capacidade de mimetismo tenha feito o trabalho. Talvez outros tantos eleitores, que votamos em você como o menos ruim dos candidatos do Rio ao Senado – é comum este tipo de escolha, neste país de tantos vagabundos – tenhamos nos iludido com a sua trajetória, como conhecida de nós (a oculta, só você sabe, quiçá a D. Cecília). Talvez, pela imagem de mínima seriedade que ostentava, até ontem.

O meu estarrecimento com o que você fez com o mandato que lhe dei causou-me profunda náusea. Estou sentindo-me péssimo com a escolha que fiz, haja vista sua atitude pusilânime, contra todos os princípios elementares de retidão e honradez que julguei que você poderia ter.

Fique claro, não foi a negociação da hora, não foi a composição do momento, não foi o acerto político ali proposto, nada disso. Sua traição maior foi moral, por agir como agiu. Apenas pela possibilidade de permitir que o Brasil continue na vergonhosa trajetória descendente, rumo ao abismo da mentira, do desrespeito, da desonra, da safadeza e da esperteza, dentre tantas coisas más ali sancionadas por sua tibieza.

Coisas essas que minam qualquer possibilidade de que nossos descendentes tenham ao que honrar, no futuro.

Você ajudou a devastar qualquer resquício de honorabilidade num cargo da envergadura do seu, ao qual, aliás, deve renunciar já, e em lhe restando alguma hombridade, em lágrimas verdadeiras e rôxo de arrependimento.

Com sua atitude travestido de Senador, no mais alto cargo legislativo do país (e o que deveria transmitir maior respeito à população), você afrontou-me e à minha família, a quem também indiquei o seu nome, compactuando com um dos piores escandalos morais do país, em tantos anos de República.

Assim, aviso-lhe que seu péssimo exemplo, a troco de não-sei-o-quê, o desqualifica em definitivo para continuar vindo ao Rio de Janeiro sem ser punido por sua desídia.

Procure, Dornelles, outras plagas onde possa se sentir normal pois, se encontrá-lo acidentalmente por aqui, terei o grande, o imenso prazer de cuspir em sua traiçoeira face. E fique certo, isso não será mera retórica.

Se eu fosse você, aproveitava e morria para os demais cidadãos, também. Quem sabe suas cinzas poderiam adubar algum pasto em Alagoas?

Terça-feira, Setembro 11, 2007

UMA CARTILHA PARA O PT

Nicolas Sarkozy, ao tomar posse, fez um discurso daqueles de cartilha do ensino elementar, que poucos petistas conseguiram completar, que serve como um guia simplificado de como as coisas ficaram confusas, claro que deliberadamente, depois de 1968 lá (e de 1973, aqui). A troca malévola do trabalho pela enganação, da competência individual pela vagabundagem em grupo, entre outras coisas que experimentamos aqui e agora, são mencionadas pelo dirigente como em vias de acabar, na França.
Em Lulalândia, resta-nos pensar positivamente, para que gente com letras, ligada ao partido do vosso presidente, lhe faça chegar tal mensagem. Vai que dá o azar dele entender?

"Vou reabilitar o trabalho"

Nicolas Sarkozy, presidente da França

Derrotamos a frivolidade e a hipocrisia dos intelectuais progressistas. O pensamento único é daquele que sabe tudo e que condena a política enquanto a mesma é praticada. Não vamos permitir a mercantilização de um mundo onde não há lugar para a cultura: desde 1968 não se podia falar da moral. Haviam-nos imposto o relativismo: a idéia de que tudo é igual, o verdadeiro e o falso, o belo e o feio, que o aluno vale tanto como o mestre, que não se podia dar notas para não traumatizar o mau estudante.

Fizeram-nos crer que a vítima conta menos que o delinqüente. Que a autoridade estava morta, que as boas maneiras haviam terminado. Que não havia nada sagrado, nada admirável. Era o slogan de maio de 68, nas paredes de Sorbonne: 'Viver sem obrigações e gozar sem trabalhar'.

Quiseram terminar com a escola de excelência e do civismo. Assassinaram os escrúpulos e a ética. Uma esquerda hipócrita que permitia indenizações milionárias aos grandes executivos e o triunfo do predador sobre o empreendedor.

Esta esquerda está na política, nos meios de comunicação, na economia. Ela tomou o gosto do poder. A crise da cultura do trabalho é uma crise moral. Vou reabilitar o trabalho.

Deixaram sem poder as forças da ordem e criaram uma frase: 'abriu-se uma fossa entre a polícia e a juventude'. Os vândalos são bons e a polícia é má. Como se a sociedade fosse sempre culpada e o delinqüente, inocente. Defendem os serviços públicos, mas jamais usam o transporte coletivo. Amam tanto a escola pública, mas seus filhos estudam em colégios privados. Dizem adorar a periferia e jamais vivem nela.

Assinam petições quando se expulsa um invasor de moradia, mas não aceitam que o mesmo se instale em sua casa. Essa esquerda que desde maio de 1968 renunciou ao mérito e ao esforço, que atiça o ódio contra a família, contra a sociedade e contra a República.

Isto não pode ser perpetuado num país como a França e por isso estou aqui. Não podemos inventar impostos para estimular aquele que cobra do Estado sem trabalhar.

Quero criar uma cidadania de deveres. Primeiro os deveres, logo após os direitos."

Terça-feira, Agosto 28, 2007

TRABALHO DA BASE PETISTA, EM PROL DA FAMÍLIA

Sabemos há tempos que o PT é uma grande família, que como tal se protege e legisla em causa própria, principalmente na proteção de seus entes mais próximos. Foi, certamente com esse espírito coletivista em mente, que, há algum tempo atrás, o Ministério do Trabalho e Emprego decidiu organizar, e assim agindo, proteger e preservar, através da ampla divulgação e disseminação das suas atividades, os métodos e a cultura específica das progenitoras dos elementos que hoje estão à frente do atual governo brasileiro.

Basta uma detida observada no quadro - clique para abri-lo em toda a sua grandeza oficial - para perceber como tais senhoras dispõem de um farto (e agora, tabulado) arsenal de medidas e métodos para atrair, encantar e depois f**** com a população, ensinamentos valiosos que passaram direitinho aos filhos.

Quem quiser ver os documentos correlatos no site oficial, basta clicar neste link
:

Sexta-feira, Julho 27, 2007

A MAIOR DAS DESGRAÇAS

Companheiros, nunca antes neste país se viu as coisas ficarem tão claras (escuras?) como estão agora.

Estão se arreganhando, finalmente, diante de nossas faces, as conseqüências do povoamento de órgãos do Governo, sejam eles de que natureza forem ou que importância tenham, com "candidatos vencidos", "elementos do Partido", "aliados da base", "cabos eleitorais", "amigos da gente", "captadores de doações" e "parceiros", ou qualquer nome que se queira dar à malta de perdedores, vagabundos e analfabetos em geral, totais ou funcionais, que orbitam ao redor do Partido dos Trabalhadores – ó, irônica denominação para tão grande leva de desocupados – em busca das sinecuras e benesses vitalícias que por tanto tempo lhes foram negadas pelas regras mínimas da necessidade de conhecimento dos Concursos Públicos, mesmo os mais fraudados e "armados" do planeta. Planeta do QI, quem indica.

Portas escancaradas pelas eleições consecutivas da Grã-Toupeira e sua total descapacitação para o que quer que seja, as autarquias existentes (e, bem pior, as criadas do zero para atender aos propósitos empreguistas) viram-se invadidas pelos amigos e conhecidos do poder, a receberem salários nunca antes imaginados sem que para isso tivessem que contraprestar qualquer coisa. Descontados, por óbvio, das contribuições “espontâneas” que mantém a nefasta máquina do PT rodando como um moto-contínuo do mal, as bestas alimentando-se literalmente, de outras.

Posts anteriores, aqui, ocuparam-se de tentar avaliar o grau de emperramento que esta atitude insana e paternalista causaria na história brasileira. Nenhum deles, por mais crítico que fosse, poderia intuir que as tragédias ocorridas e (não me crucifiquem por isso) as que ainda estão por vir, inexoráveis, são e serão todas frutos diretos da incompetência absoluta e das faltas de vontade e capacidade de agir e da e pela substituição de pessoal qualificado tecnicamente por gente do esquema.

Vaiar Lula, além de premonitório, foi sinal claro de que, no fundo, já se esperava por isso. Era uma questão de tempo, ia estourar em algum ponto. Foi na aviação como poderia ter sido uma represa transbordante ou epidemia de tuberculose.

O país vive hoje à véspera de uma série de crises que estourarão simultaneamente, e não existirão CPIs e TCUs e STFs capazes de controlá-las. A gigantesca sorte de iniciante de Lula vai acabar num determinado momento, não pode durar para sempre. E seu descaso, sua eterna ausência, seu autismo deliberado ou não, cobrarão os seus preços. Muito provavel e infelizmente, em vidas humanas.

Vão aparecer todas as fauces negras dos descontroles técnicos, das "depredações" das instituições necessárias, infiltradas pela incompetência e pelo empreguismo descompromissado. A casa vai cair e não serão bolsas-família, bolsas-bandido, bolsas-escola ou bolsas-sem-teto que salvarão a “nomenklatura” da ira do povo. Que pode ser até ingênuo e ceder às esperanças das mordomias acenadas de longe, mas não é, em nenhuma hipótese, burro.

Uma mula também não é um burro e é capaz de perceber onde deve ou não pisar. Só que, à medida em que as coisas pipocarem, não vai dar para ficar se esgueirando pelos cantos, fingindo que não é com ela. O povo detesta os animais covardes. Se tiver de morrer encurralado, que morra dando coices. É nobre, pelo menos. Mas, rabo entre as pernas, isso não se tolera, em nenhum nível.

Este exemplo, infelizmente, não é o caso deste presidente e seus correligionários, que se escondem ao primeiro problema, ao primeiro sinal de barulho, para uma daquelas reuniões urgentes em que se leva uns 2 dois dias para, aí sim, não fazer nada.

O povo brasileiro - e alguns milhares de estrangeiros que vinham para cá - está de saco cheio de tanta desfaçatez, de falsas atitudes, de tanta empulhação e tão grande covardia, além da incompetência que só faz aumentar. A continuar assim, em breve o Brasil poderá sair do mapa, em termos internacionais. Não haverá discurso pedante nem falsas atitudes de independência, vazados em auditórios internacionais que obscureçam a verdade dos fatos ou os minimizem.

As vaias de insatisfação já soam altas, nos ouvidos de quem quiser ouví-las.

Quinta-feira, Julho 26, 2007

DEPOIMENTO DE UM COMANDANTE DE AIRBUS

Mantendo a linha de postar depoimentos de quem entende do assunto, para tirar a paixão - permanecendo apenas o ódio direcionado, claro - da análise do que ocorreu em Congonhas e assim, poder dar as porradas em quem efetivamente merece, publico o post que o Cmte. Paulo Marcelo Soares, da TAM fez circular com seu relato pessoal. Aí a gente tem a total visão sobre "QUEM" é o culpado dessa merda toda. Como também saiu publicado hoje, "tratou-se de uma FALHA HUMANA, de 60 milhões de pessoas, na eleição de 2002". Perfeita, ainda que tardia, constatação. Rezem para que não piore ainda mais, e não esqueçam que a incompetência, a vagabundagem e a desfaçatez estão infiltradas e espalhadas por inúmeros outros órgãos públicos que "zelam" por alguma coisa que lhes afetam a vida.

"Em primeiro lugar gostaria de agradecer a todas As manifestações de preocupação comigo, tanto no momento daquela noite trágica, quanto nos dias seguintes. Agradeço de coração a todos. Informo também que estou bem, porém, bastante abalado, triste, indignado com o sacrifício inútil de 200 vidas.

No momento do acidente eu estava em Buenos Aires. Havia voado o PR-MBK na noite do dia 15 para o Dia 16. Sim, o reversor do motor numero 2 estava inoperante, mas como eu já disse dezenas de vezes aqui na lista, quem pára avião é FREIO, é o atrito do pneu na pista, e não reversor. Falarei mais sobre isso daqui a pouco.

Na noite do dia 16, eu pousei em CGH. Não havia chuva, mas a pista estava bastante molhada. Estava com 90 pax. No meu avião. Toquei na marca de 500, o avião aquaplanou e eu tomei susto. Um dos maiores sustos em meus 17 anos de aviação profissional.

Eu gostaria muito, na verdade eu daria tudo para ter no meu jump seat os (ir)responsáveis por esta crise que se arrasta há meses. Queria que eles vissem o anti-skid trabalhando, a aeronave escorregando para a lateral da pista. Queria que eles vissem as luzes da cabeceira oposta chegando rapidamente, e nós lá, sem poder fazer nada. Queria que eles sentissem a tremedeira que eu e meu co-piloto sentimos quando livramos a pista lá na taxiway "E" (a última).

E, acima de tudo, QUERIA QUE ELES TIVESSEM A CARA DE PAU DE DIZER QUE A PISTA DE CONGONHAS NÃO TEM PROBLEMAS!!!!!!

Não varei a pista naquela noite por sorte. Não foi por habilidade, foi pura e simples SORTE. Sorte que meus colegas no MBK não tiveram.

Eu não sou pai de santo, mas esta tragédia já era esperada há MUITO tempo, e eu escrevi aqui na lista por mais de uma vez. Agora que mais 200 pessoas morreram, será que vai acontecer alguma mudança? Claro que não!

Mas vamos aos fatos e aos comentários sobre a montanha de especulações que naturalmente apareceram nos últimos dias. Agora até arremetida é motivo de 1ª página nos sites. Aliás, belíssima arremetida daquele F-100...

Não vou especular sobre as causas do acidente. Estas especulações todas não levam a nada, só aumentam a desinformação e prejudicam a todos que trabalham na aviação. Tudo o que eu pude saber do acidente foi através da Internet e de noticiários da TV. Ou seja, a credibilidade destas informações é próxima de zero. Só saberemos as prováveis (na verdade o conjunto de) causas após análise do CVR/FDR. O que eu posso dizer aqui é:

1- Distância de parada

Vamos considerar as condições abaixo:
Elevação da Pista = 2600 ft;
Peso de pouso = 66 toneladas (4 toneladas Superior ao do avião acidentado e 1.5 ton acima do Max Landing Weight);
Pista contaminada com 6.3 mm de água (muito mais do que declarado pela twr);
Zero componente de vento de proa (havia uma pequena componente de proa, mas vamos desconsiderar);
Ambos os reversos INOPERANTES;

A distância de pouso de um A-320 nestas condições seria de 1841 metros, sendo que a pista 35L de CGH tem 1940 metros, embora a LDA para a Pista 35 seja de 1880m. Notem que esta distância de pouso assume o cruzamento da cabeceira a 50 Ft, toque na marca de 1000 ft e parada total da aeronave.

Como "bônus" o toque ocorreu um pouco antes da marca de 1000 ft segundo as filmagens e 1 reversor foi utilizado. Além disso a aeronave estava com 62.7 toneladas. Neste peso a aeronave precisaria de 1729 metros até sua parada total, sem usar reversores.

A operação com 1 reversor inoperante em pistas molhadas/contaminadas é normal e prevista, mesmo porque nas análises de pouso o reverso nunca é considerado. Não existe uma grande assimetria direcional, desde é claro, que VC tenha uma boa aderência da aeronave na pista. E de fato, pela filmagem pode-se ver que a aeronave manteve o eixo até o terço final da pista, que é uma área bastante emborrachada e ainda mais escorregadia que a parte central.

A velocidade de aquaplanagem é função da pressão dos pneus, e para o A-320 é considerado que abaixo de 115 Kt não deveria haver aquaplanagem. Mas em uma pista coberta por uma lâmina de água e sem drenagem eficiente, a aquaplanagem pode acontecer a velocidades baixíssimas. Já tivemos casos de aeronaves que não tiveram o que chamamos de "cornering effect" ou seja, a capacidade do trem de nariz de mudar a direção da aeronave, a velocidades tão baixas quanto 20 kt. Tanto que o manual recomenda não tentar qualquer curva abaixo de 10 Kt em pistas escorregadias.

Pelo que vimos aqui, a aeronave tinha performance para parar com segurança na pista naquele dia. Mas todos nós vimos os trágicos resultados. Tá mais do que óbvio que a pista de CGH apresenta problemas. Foram 4 derrapagens e um acidente fatal, sem contar os inúmeros sustos que por sorte não viraram tragédia.

O problema é que a torre não informa nem o tipo de contaminação, nem o braking action, que poderia dar uma informação mais precisa. Pior, a pista apresenta contaminação irregular, ou seja, alguns pontos tem frenagem melhor do que outros.

2- Vídeos do acidente

A comparação que fizeram das velocidades da aeronave que precedeu o pouso do MBK e dele próprio é no mínimo ridícula! Quando pousamos nestas condições, procuramos parar a aeronave o mais rápido possível. Não se sabe o peso que estava o A-320 que o precedeu, e se ele aquaplanou ou não (certamente não). Se vc não aquaplanar, dá para se parar o A-320 em pouco mais da metade da pista, ou seja, vc vai estar em velocidade de táxi um pouco depois da interseção central (onde mostra a outra câmera). E vai taxiar até a interseção "F" a no máaaaximo 20 kt para não correr o risco de derrapar ao tentar livrar a pista. Note que o piloto da aeronave precedente já estava com os reversos fechados, ou seja, já estava em vel de táxi. O MBK passou bem mais rápido? Claro, mas simplesmente porque não tinha frenagem. Pelo que eu vi dos vídeos o reverso do motor 1 estava funcionando sim.

3- Automatismo da aeronave:

Outra afirmação ridícula de gente que nunca nem entrou em um jato comercial, quanto mais em um Airbus! Já disse e repito. A única coisa que não dá para se fazer em um Airbus é estolar a aeronave e/ou coloca-la em atitude anormal. O resto é igual a um avião convencional. No solo então, ele é um avião como qualquer outro... Os entendidos de plantão já se animaram a procurar no sistema de controles FBW a causa para o acidente. Estranho. Todas as outras aeronaves que derraparam em CGH NÃO eram FBW... O 737-300 que varou a pista em POA não era FBW, o MD-11 que varou a pista em NAT NÃO era FBW. O Boeing 737-700 que varou a pista em NVT NÃO era FBW... Estes 3 exemplos só não resultaram em tragédias porque a pista não era CGH... Então este papo de que se fosse outra aeronave não teria acontecido, não cola.

Amigos. Esta tragédia pode vir a ter várias causas e fatores contribuintes, só saberemos a verdade daqui a alguns meses. Eu espero que o (des)governo finalmente acorde e tenha um pingo de seriedade para com o setor aéreo. Espero que estas mortes, bem como as do vôo 1907 não tenham sido em vão. O momento agora é de profundo luto. Queria ter mandado uma msg antes, mas estou no meio de uma programação bem puxada. Devo tentar postar algo mais detalhado nos próximos dias. Um grande abraço a todos!

O piloto Paulo Marcelo Soares, Cmte de A320, postou este depoimento pessoal no Fórum FSIM-BR.

Terça-feira, Julho 24, 2007

REPÚDIO E INDIGNAÇÃO

Depois do último post, com o vídeo que reputo ser a melhor resposta que poderíamos dar aos políticos brasileiros, PRINCIPALMENTE aos do PT e à teia burra que ele teceu para emperrar o movimento do que funcionava - mal, mas funcionava - no Brasil (como reclamado em posts e mais posts abaixo, para quem quiser se dar ao trabalho), uma das conseqüências mais trágicas e visíveis foi a exposição nua e crua da incompetência instalada pelo afluxo incontrolável de energúmenos sem capacitação a cargos de fachada, para atuações de fancaria, de forma povoar os cargos da bur[r]ocracia e garantir assim o dízimo partidário que manterá o partido vivo, exposta de forma crua ao povo pela tragédia ocorrida em Congonhas. Mesmo que o avião não estivesse perfeito, ou que o piloto tenha falhado, isso só ajuda a mascarar o restante dos problemas, que ocorreriam mais cedo ou tarde. Seria bom lembrar que, com medo de avião, mais gente vai procurar as rodovias brasileiras, líderes absolutas nas estatísticas de mortes anuais, NO MUNDO TODO, com 55.000 óbitos (fora as pessoas que morrem nos hospitais, dias depois, vítimas de decorrências dos acidentes, que não são computadas neste total), o que representa 4.583 mortos por mês, ou 23 tragédias como a do avião da TAM, só que com menor exposição na mídia, por ser no pingadinho...
Mas a incompetência do PT e de Lula tem de ter fim, antes que joguemos o Brasil às baratas, em definitivo. Para dar o tom, transcrevo aqui o desabafo do Cmte. Lessman, veterano piloto comercial brasileiro, atualmente em Abu-Dhabi, que expõe os fatos melhor do que ninguém mais. E confesso que adorei e subscrevo INTEGRALMENTE as palavras de seu último parágrafo.

FORA LULA E SUA CORJA ESCROTA!!!


"O desastre maior deste desastre de ontem é que ele é um desastre cuja ocorrência era apenas uma questão de cedo ou tarde. Infelizmente ficou trágicamente evidente que ocorreu ainda mais cedo do que o esperado...

Madruguei hoje assistindo estarrecido pela CNN e Internet aqui em Abu Dhabi, Emirados Árabes onde estou voando agora, as imagens das labaredas pintando de amarelo e ocre a cabeceira 17 de Congonhas (16 na minha época) . Pousei lá inúmeras vezes de Boeing 727, Electra da Ponte Aérea e 737-200/300 quando
eu ainda voava "na Nacional" na minha, na nossa, "velha" Varig. Hoje sou um dos inúmeros pilotos experientes "exilados" pela Babilônica incompetência Brasileira. Embora agora longe do Brasil, passei quase 30 anos voando na Varig no Brasil, 15 dos quais "na Internacional" nos mais de 20 como Comandante, e por isso assisto a estas imagens dominado por uma indigesta mistura de choque, tristeza e revolta como se ainda estivesse voando aí.

O choque é até previsível diante de imagens do inferno de chamas e corpos sendo retirados dos destroços, e a tristeza também é de certa forma natural, pois é consequencia dos dramas que sempre pontuarão as nossas vidas, salientado a falibilidade inerente à nossa condição de humanos. Mas a dor mais incômoda de todas para mim é a da revolta. Uma TREMENDA revolta diante deste absurdo "Apagão" aeronáutico Brasileiro que até recentemente destruía apenas patrimônios como a Varig, mas agora avança célere ceifando vidas e gerando perdas humanas irreparáveis, e ainda pior, na maior parte EVITÁVEIS!!!!!

Poucas outras atividades humanas brincam tanto com as nossas emoções quanto a aviação. Voar, viajar, cruzar o céu entre nuvens rumo a lugares exóticos, uma experiência fascinante possibilitada por tecnologias desenvolvidas e incorporadas a estas nossas máquinas maravilhosas, e normalmente trazendo conforto e segurança na "trip" dos nossos sonhos, ou apenas a uma trivial viagem de negócios.

Mas também poucas outras atividades são tão intensa e simultâneamente dependentes das forças da natureza, infraestrutura física e tecnologia, interesses econômicos, treinamento e fatores humanos, horários, e acima de tudo da capacidade de TODOS os responsáveis por cada setor em administrar tudo ao mesmo tempo, enquanto uma aeronave avança como uma flecha a 900km/hr. rumo ao seu destino. É um desafio contínuo, 24 horas por dia, 365 dias por ano, faça chuva ou sol, para que tudo isso não termine em tragédia...

Só que mais esta tragédia recente prova que este não é o caso no Brasil de hoje. E o cidadão Brasileiro precisa urgentemente realizar que o maestro maior desta "Orquestra" precisaria estar executando a sua "partitura" com muita competência para que não tivessem morrido hoje os nossos colegas, familiares e amigos. E que este "Maestro" é, ou deveria ser, o Governo que elegemos democráticamente. Nós pilotos sabemos que ao nosso colega comandante do vôo de ontem caberá a sua parcela de "culpa". Sempre nos caberá alguma como responsáveis últimos da operação de uma aeronave, jamais negamos este fato e muitas vezes também "pagamos" com as nossas vidas pelos erros eventualmente cometidos! Mas o que os Brasileiros precisam
urgentemente entender é que a segurança e a pontualidade do seu vôo depende de uma complexa e extensa "corrente" de diferentes eventos e responsabilidades que precisam funcionar uníssonos e com alto grau de
profissionalismo. No Brasil quem implementa, administra, regulamenta e fiscaliza a infraestrutura dos aeroportos e das empresas, e controla o nosso espaço aéreo é o Governo; assim como é ele também o poder concedente das linhas para as empresas. E mais: este mesmo Governo ainda cobra UMA FORTUNA
em taxas do já aviltado contribuinte-passageiro e das empresas pelo utilização de seus péssimos serviços. Ou seja, PAGAMOS duas vezes para brincarem com as nossas vidas!!!

Cabe a nós Brasileiros exigir que este pateta megalômano e ignorante travestido de Presidente pare de brincar com as nossas vidas perseguindo, processando e prendendo pilotos e controladores como se responsáveis fossem pelo estrondoso fracasso do Estado Brasileiro entregue ao seu comando. E a indignação de todos os comentários que ouvi ontem na Internet/CBN me reacendeu uma pequena esperança de que a sociedade talvez reagirá desta vez a mais este descalabro governamental. A ÚNICA esperança de futuro para o nosso país é realizarmos que cabe a todos nós Brasileiros reagir à sujeira política que destrói e mata no nosso país!

O Brasil é grande demais, lindo demais para deixarmos que um energúmeno e sua corja PTista e de sua "base de sustentação" entranhada nos diferentes órgãos públicos responsáveis pelo assassinato de ontem continuem matando impunemente. Não podemos admitir que mais esta tragédia e sofrimento causado
às famílias sejam em vão!!!!

Cmte. Peter Lessmann

Votec Linhas Aéreas -Varig S/A - Etihad Airways

Quarta-feira, Julho 11, 2007

TAVA DEMORANDO DEMAIS

Tava demorando para que alguém fizesse este verdadeiro "Hino" ficar adequado ao Brasil de hoje pelo que ficou engasgado desde o ano passado, coisa que muita gente que tem memoria curta deixa esfriar. Chega, agora, recheado das personagens principais, que merecem como poucas essa "homenagem".

Falta, no entanto, na galeria, uma cacetada de gente - entre eles, os Grandes F.D.Ps. Waldir Pires, os caras da ANAC todos, o Constantino da TAM (aquele salafrário que saca 2 bi no caixa pra dividir e depois, flagrado, redeposita 1,9), o Marco Aurélio Garcia, (o pior de todos), e por aí vai, para os quais a gente faria estes mesmos e veementes votos.

Meu mais forte desejo é que Vão Todos Ver e Ouvir ESTE Vídeo em Sua Homenagem!


Quinta-feira, Julho 05, 2007

SE ESTÁ TUDO ERRADO NO RIO, VAMOS TENTAR CONSERTAR?

A gente merece, depois de ter errado tanto e consecutivamente, na escolha de nossos Governadores. Desde a tsunami que resultou da eleição do gaúcho-uruguaio Leonel de M. Brizola (de acordos espúrios com bicheiros para ganhar a primeira e com traficantes para ganhar a segunda eleição) até a devastação empreendida pelos Garotinhos, os fluminenses nunca mais acertaram a mão. Nem no Estado nem no Município, haja vista a administração caótica do “César” do momento. Foi um festival sequencial e fulminante de incompetências, com o mais total desprezo pelo que se convencionou chamar de população. O que se vê agora, para onde quer que se vire a cabeça, nada mais é do que o fruto podre desses desgovernos consecutivos. É o caos absoluto. Ponto.

A percepção geral é a de que, tirando a parte cuja responsabilidade é de Deus, a Natureza (diga-se, arduamente atacada por todos eles, principalmente pela omissão gritante) e as onipresentes bundas, o Estado do Rio consegue ser o pior em tudo.

Nenhuma regra, como que por encanto, é seguida aqui por mais de meia hora, caso gere qualquer chateação ou desconforto, mesmo que ligeiro, aos seus habitantes. Aqui, nada do que se planta, dá.

Posturas federais, estaduais e municipais são descartadas a um golpe de “pô, que coisa chata!”, para nunca mais serem lembradas. Um mínimo de organização no Estado é considerado como algo que tolhe o direito dos cidadãos fluminenses e, portanto, contrário à sua ampla liberdade; é coisa logo posta de lado, muitas das vezes pelas próprias autoridades que não se empenham o mínimo para fazer cumprir as ditas “leis”.

Para não falar da crônica insegurança, embutida mentalmente nos habitantes, tão banalizada essa e tão desesperançados estes, há algo no ar, hoje, cuja gravidade vai mais além: é o nefasto desrespeito às convenções. Que nada mais são do que o resultado de aprendizado histórico, pela mera repetição de situações, que levam uma comunidade a entender que determinados atos ou fatos se resolvem com atitudes ou posturas que já se provaram mais indicadas em cada caso. Nada além de experiência e erro.
Ver convenções sendo desrespeitadas cria nos cidadãos dúvidas momentâneas, que, não sanadas, passam a duradouras. Principalmente na cabeça de crianças e adolescentes, que as presenciam a torto e a direito. Uma convenção desrespeitada não gera punição legal, tem (ou deveria ter) no máximo, o repúdio da comunidade. Tipo jogar lixo no chão, urinar na rua, furar o sinal vermelho. Ao contrário, percebemos que este senso comum vem sendo violentamente atropelado. De maneira prosaica, sem qualquer repressão da comunidade, que só pode estar exaurida, até pela falta da exemplação saneadora dos delitos de muito maior envergadura. Daí à instalação generalizada do “foda-se”, é um passo. Para a barbárie.

É imperativa uma retomada da ordem pelas autoridades constituídas, uma tentativa de botar ordem na casa, para que não percamos definitivamente as esperanças. Há muito trabalho a fazer, o povo está descrente.

Quantos de nós não tem observado:

- entregadores de qualquer coisa, em suas motos, trafegando na contra-mão, impunemente, a qualquer hora do dia ou da noite;

- as Prefeituras fluminenses (tão zelosas na defesa do espaço dos cidadãos, tascando multas pela inobservância de posturas aqui e ali) não dão um pio, não agem e não prestam contas enquanto as florestas da cidade do Rio, ou de Petrópolis ou Teresópolis, etc., entre a quase totalidade dos municípios, são devastadas (e junto às principais rodovias que cortam o Rio – pois aí é quando podemos observar o fato melhor, restando-nos só a imaginação para intuir o que acontece mais afastado) para dar lugar a novas favelas que brotam TODOS os dias?

- que bastaria à Secretaria de Segurança determinar a imediata volta do policiamento à paisana, como em qualquer lugar do mundo civilizado, para que os bandidos que infestam o Estado possam ser surpreendidos antes de atuarem. E não mandar uma patrulhinha sem motor ficar estacionada no local das ocorrências dos crimes hediondos diários, no dia seguinte em que estes já aconteceram;

- o total desprezo da Polícia Militar pelo que ocorre nas vias, sendo comum vermos rodinhas de PMs em animado bate-papo, sempre de costas para os acontecimentos, em absoluta falta de atitude policial?

- que os motociclistas da PM, que atuam em dupla, e em cujo advento foi feita grande onda marqueteira, louvando serem bela solução, já que um zelaria pela integridade moral do outro(!)nunca estão circulando como patrulhas ágeis, aptas a surpreender pela mobilidade, senão para mandar parar alguém que esteja perigosamente “fora da lei” falando ao celular; que, concidentemente, nunca são vistos perseguindo ou interpelando carros ou motos suspeitos ou lotados de bandidos, que circulam faceiros pela cidade à hora que desejam; que jamais tomam qualquer atitude contra qualquer dos milhares de veículos sem condições de trafegar, que para esses policiais são “transparentes”, pois que não representam fonte de complementação de receita?

- que ônibus e vans param afastados dos meios-fios a mais de um metro, obrigando a que as pessoas na calçada desçam primeiro para então, aumentada a altura até o primeiro degrau dos veículos, tenham mais dificuldade de subir a bordo; e com isso, ainda ocupam parte da segunda faixa de rolamento, desorganizando o tráfego;

- que os ônibus também costumam param fora – e pior, bem defronte - dos recuos construídos exatamente para que não obstruam o fluxo, ao recolher/desembarcar passageiros, seja por má-vontade, preguiça ou burrice dos motoristas, ou seja pela perpétua falta de orientação da força policial?

- que inexiste uma divulgação oficial da lista de números de telefones públicos que a população precisaria para requerer atendimento em circunstâncias graves ou de emergência (ou, “alguém aí sabe o telefone da ambulância?”); ou uma forma de que, uma vez acessados, haja alguém do outro lado treinado profissionalmente para atendimento e não uma pessoa que dá a impressão de atendeu porque estava passando por ali e viu o telefone tocar pela enésima vez, e que "reage" guturalmente;

- que, e que, e que, e que... (aqui eu peço que este post seja completado, nos comentários, com as demais aporrinhações e transgressões que tanto afetam a vida de cada um que o leia).

Se juntarmos as nossas reclamações mais prementes, quem sabe pressionamos o novo Governador e o velho Prefeito a adotarem uma volta ao básico, dando atenção aos pontos nevrálgicos do Estado/Município? Se transformarmos este escrito numa corrente legalista, quem sabe chega a um deles?

Quem sabe, berrando, possamos acabar também com essa farsa tão maligna do “respeito aos direitos humanos”, esta noção deletéria impregnada em e por meios tão festivos quanto praianos por “intelectualóides”, tão ou mais perniciosos estes do que os próprios bandidos que nos assolam.

Essa assunção de “respeito” só vem nos matando, por dois motivos:

primeiro: estamos sendo dizimados por animais que a nada temem, sem piedade alguma; e como animais, não podem ter qualquer direito “humano” assegurado;

segundo: ao respeitarmos esses “direitos”, cessam, por assim sentirem-se amparados, as obrigações de parcela da população, que passa a transgredir, dia ou noite, qualquer lei, norma e/ou convenção; e que, ao serem interpelados ou colocados diante da lei - que é para TODOS -, imediatamente se escondem atrás do argumento de que estão sendo perseguidos(a) porque são cidadãos-favelados.

Estou farto desta inação civil, deste nosso silêncio covarde. Chega da gente ficar morrendo. Chega de ficarmos escondidos em casa enquanto a bandidagem de todos os calibres passeia pra lá e pra cá, entre um baile funk, uma cafungada com as cachorras e alguns acertos de contas. Ou coisa mais “estruturada”, no caso dos políticos.

Chega de covardia, pagamos impostos altos tanto para o Estado como ao Município (ao “Governo Federal”, nem é preciso falar) para sermos tratados com desrespeito pelos nossos servidores, de qualquer nível. Enquanto isso, a improvisação, o descaso, o jogo de empurra, a falta de probidade e a mega-incompetência administrativa se perpetuam no Rio de Janeiro.

Fluminenses, os cariocas principalmente, vamos sair do imobilismo e nos prometer que vamos botar a boca no trombone, que vamos espernear e que vamos lutar para ser ouvidos. Afinal, somos nós que financiamos a vida fácil dos Governantes, já que a bandidagem não paga imposto. Oficialmente.

Atitude, ação e prestação de contas. É o mínimo que podemos exigir, esquecendo-nos do resto do país por um tempo e focando só no Rio de Janeiro. Afinal, é aqui onde moramos, sofremos e muitas vezes, vemos pessoas próximas morrerem de maneira bêsta, vítimas da violência criminal ou do trânsito. Sejamos descaradamente bairristas e fixemo-nos no nosso Estado. É chegada a hora de gritar, qualificadamente.

Escrevam seus pontos depois dos meus. Estejam certos de que, cedo ou tarde, isso vai chegar ao computador de alguém que vai se interessar em agir.

Caso não, a gente sempre poderá rezar.

Terça-feira, Junho 26, 2007

TRISTE, MAS VERDADEIRAMENTE TRISTE: LEIAM!!!

A gente vai colhendo uns indícios aqui e ali e acaba escrevendo coisas sob a forma de "artigos indignados" ou "posts irados"(estes, na velha acepção da palavra) berrando contra a situação que a nação enfrenta atualmente, desprezada e explorada ao limite. Aí vem um jogador de futebol e em carta bastante direta, fala com muito mais propriedade e simplicidade sobre o que vai no seu coração. O efeito é muito, mas muito maior. Não deixem de ler até o fim esta carta do jogador Zé Roberto, ex-Santos e ex-futuro integrante da Seleção Brasileira, ao se despedir, de vez, deste Brasil de agora. Apenas em nome de uma mínima coerência.

"Inicialmente gostaria de expressar minha gratidão ao Brasil. Foi com prazer que por muito tempo defendi a camisa canarinho e me orgulhei de ser brasileiro.


Infelizmente este país não faz mais parte de mim. Por muitos anos vivi com minha família na Alemanha e me identifiquei completamente com o país. A despeito de certos intolerantes e racistas, que são minoria, minha família se integrou totalmente ao modo de vida alemão. Minhas filhas mal falam português e são totalmente fluentes em alemão.

Para voltar ao Brasil, isto pesou muito. Queria que elas se sentissem, como me sentia, brasileiro. Queria que conhecessem o meu país, que falassem a minha língua nativa, queria mostrar o lado bom do Brasil, um pouco diferente daquilo que volta e meia aparece nos noticiários de TV alemão.

A tentativa foi em vão. Muito embora tenhamos ficado em uma cidade muito acima da média do padrão de vida brasileiro, os males que a assolam me parecem regra, não exceção na vida brasileira. Não nos era permitido andar sem seguranças; Minhas filhas não podiam em hipótese alguma passear ou brincar na rua; Ir à praia que fica a menos de 100m de nosso apartamente também era contra a recomendação do que nos passavam os seguranças e companheiros de clube.

Todo o tempo que estivemos no Brasil, ainda que livres fisicamente, éramos reféns psicológicos. Mesmo sendo um ídolo local, o risco parecia nos acompanhar a cada esquina virada, a cada momento em que passeávamos. A sombra do sequestro ocorrido dois anos atrás com outro ídolo local, Robinho, nos perseguia por todos os lados.

Assistir o noticiário televisivo alimentava ainda mais nossos medos. Por sorte, minhas filhas não entendem muito bem português. Se entendessem, descobririam um país em que o crime está por todos os lados: está nas escolas, está nas faculdades, está no Judiciário, está no Congresso e está até mesmo na família do presidente. Imagino o choque cultural para elas, criadas em um país com padrões morais tão rígidos. Me ponho no lugar delas e penso como deve ter sido desagradável esta estadia no Brasil. O que pensavam quando dizíamos que elas não podiam andar livremente nas ruas? O que pensavam quando dizia que era melhor não dizer às amigas que eram minhas filhas? Como entendiam que não brincar na rua, que não passear em parques e que sempre andar com aqueles homens que não conheciam era o melhor para elas?

Minhas filhas devem ter detestado o Brasil. Foi com muita alegria que receberam a notícia de que voltaríamos à Alemanha. Além da segurança, há a questão da discriminação. Embora etnicamente muito diferente da população local, minhas filhas sempre foram respeitadas e nunca vistas com menosprezo. Aqui no Brasil, onde todas as raças se misturaram e não dá para saber quem é o que, sofríamos com um tipo de discriminação inimaginável para elas: Éramos vistos como anormais por nossa religiosidade. Por aqui imaginam que negros sofram de racismo na Alemanha, mas praticam uma intolerância inexplicável por sermos evangélicos. Ou, como é dito pejorativamente por aqui, somos "CRENTES", palavra carregada de maus juízos. Dentro do futebol, jogadores como eu que se organizam em grupos chamados de "Atletas de Cristo" são vistos com ressalvas, especialmente pela mídia que acompanha o esporte.

Por todos estes motivos, levo minha família de volta à Europa. Pelo meu sucesso e também pelas nossas escolhas, o Brasil se tornou um suplício para aqueles a quem mais amo. Batalhei a vida inteira para sair da pobreza e ter sucesso profissional. Acima de tudo isto, sempre busquei construir uma família feliz e correta. Hoje, a felicidade de minha família tem como pré-requisito afastá-las do Brasil. Por isto que, ainda que com tristeza, faço o melhor para elas.

Aos meus fãs, muito obrigado. Ao Brasil, boa sorte."

ZÉ ROBERTO

JABORDOADA POÉTICA NOS CÓRNOS DOS CORNOS

Brilhante a coluna de hoje do Jabor no O Globo, Segundo Caderno, para quem não leu. Vai ficar aqui "forevis", como exemplo de verve, inteligência e sobretudo, indignação aliada a "cojones". Pois tem sido um dos poucos a botar a cara na janela, sem medo do governete que nos domina como a ovelhas tosquiadas em estado de catatonia funcional. Viva Jabor!

A teoria do canalha
Estamos sob o ataque de um enxame de malfeitores


"Eu não sou um canalha, eu sou o canalha.

Tenho orgulho de minha caradepau, de minha capacidade de sobrevivência, contra todas as intempéries.

Enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, eu estarei vivo, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eu estarei firme e forte. Não adianta as CPIs querendo me punir. Eu saio sempre bem. Enquanto houver este bendito código de processo penal, eu sempre renascerei como um rabo de lagartixa, como um retrovírus, fugindo dos antibióticos. Eu sei chorar diante de uma investigação, ostentando arrependimento, usando meus filhos, pais, pátria, tudo para me livrar. Eu declaro com voz serena: Tudo isso é uma infâmia de meus inimigos políticos.

Eu não me lembro se esta loura de coxas douradas foi minha secretária ou não. Eu explico o Brasil de hoje. Eu tenho 400 anos: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. Eu tenho raízes, tradição. E eu sou também ‘pósmoderno’, sou arte contemporânea: eu encarno a real-politik do crime, a frieza do Eu, a impávida lógica do egoísmo.

No imaginário brasileiro, eu tenho algo de heróico. São heranças da colônia, quando era belo roubar a Coroa. Só eu sei do delicioso arrepio de me saber olhado nos restaurantes e bordéis. Homens e mulheres vêem-me com gula: ‘Olha, lá vai o canalha....!’ — sussurram fascinados por meu cinismo sorridente, os maîtres se arremessando nas churrascarias de Brasília, e eu flutuando entre picanhas e chuletas, orgulhoso de minha superioridade sobre o ridículo bom-mocismo dos corretos.

Eu defendo a tradição endêmica da escrotidão verde-e-amarela. Sem mim, ninguém governa.

Sem uma ponta de sordidez, não há progresso.

Eu criei o Sistema, que, em troca, recria-me persistentemente: meus meneios, seus ademanes, meus galeios foram construindo um emaranhado de instituições que regem o processo do país. Eu sou necessário para mantêlas funcionando. O Brasil precisa de mim.

Eu tenho um cinismo tão sólido, um rosto tão límpido que me emociono no espelho; chego a convencer a mim mesmo de minha honestidade, ah! ah!... Como é bom negar as obviedades mais sólidas e ver a cara de impotência de inquisidores. E amo a adrenalina que me acende o sangue quando a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares. Eu vibro quando vejo os olhos covardes dos juízes me dando ganho de causa, ostentando honestidade, fingindo não perceber minha piscadela maligna e cúmplice na hora da emissão da liminar... Adoro a sensação de me sentir superior aos otários que me compram, aos empreiteiros que me corrompem, eles humilhados em vez de mim.

Eu sou muito mais complexo que o bom sujeito.

O bom é reto, com princípio e fim; eu sou um caleidoscópio, uma constelação.

Sou mais educativo. O homem de bem é um mistério solene, oculto sob sua gravidade, com cenho franzido, testa pura. O honesto é triste, anda de cabeça baixa, tem úlcera.

Eu sou uma aula pública. Eu faço mais sucesso com as mulheres. Elas se perdem diante de meu mistério, elas não conseguem prenderme em teias de aranha, eu viro um desafio perpétuo, coisa que elas amam em vez do bondoso chato previsível. A mulher só ama o inconquistável.

Eu conheço o deleite de vê-las me olhando como um James Bond do mal, excitadas, pensando nos colares de pérolas ou nos envelopes de euros. Eu desorganizo seu universo mental, muitas vezes elas se vingam de mim depois, me denunciando — claro — mas só eu sei dos gritos de prazer que lhes proporcionei com as delícias do mal que elas adivinhavam.

Eu fascino também os executivos de bem, porque, por mais que eles se esforcem, competentes, dedicados, sempre sentir-seatilde;o injustiçados por algum patrão ingrato ou por salários insuficientes. Eu, não, eu não espero recompensas, eu me premio. Eu tenho o infinito prazer do plano de ataque, o orgasmo na falcatrua, a adrenalina na apropriação indébita.

Eu tenho o orgulho de suportar a culpa, anestesiá-la — suprema inveja dos neuróticos.

Eu sempre arranjo uma razão que me explica para mim mesmo. Eu sempre estou certo ou sou vítima de algum mal antigo: uma vingança pela humilhação infantil, pela mãe lavadeira ou prostituta que trabalhou duro para comprar meu diploma falso de advogado.

Eu posso roubar verbas de cancerosos e chegar feliz em casa e ver meus filhos assistindo a desenho na TV. Eu sou bom pai e penso muito no futuro de minha família, que graças a Deus está bem. Eu sou fiel a uma mulher só, que vai se consumindo em plásticas e murchando sob pilhas de Botox, mas nunca as abandono, apesar das amantes nas lanchas, dos filhos bastardos.

Eu não sou um malandro — não confundir.

O malandro é romântico, boa-praça; eu sou minimalista, seco, mais para poesia concreta do que para o samba-canção. Eu tenho turbocarros, gargalho em Miami e entendo muito de vinho. Sei tudo. Ultimamente, apareceram os canalhas revolucionários, que roubam ‘em nome do povo’. Mas eu, não. Sou sério, não preciso de uma ideologia que me absolva e justifique. Não sou de esquerda nem de direita, nem porra nenhuma. Eu sou a pasta essencial de que tudo é feito, eu tenho a grandeza da vista curta, o encanto dos interesses mesquinhos, eu tenho a sabedoria dos roedores.

Eu confio na Justiça cega do país, no manto negro dos desembargadores que sempre me acolherão. Eu sou mais que a verdade, eu sou a realidade. Eu acho a democracia uma delícia.

Eu fico protegido por um emaranhado de leis malandras forjadas pelos meus avós. E esses babacas desses jornalistas pensam que adianta esta festa de arromba de grampos e escândalos. Esses shows periódicos dão ao povo apenas a impressão de transparência, têm a vantagem de desviar a atenção para longe das reformas essenciais e mantêm as oligarquias intactas. Este país foi criado na vala entre o público e o privado. Florescem ricos cogumelos na lama das maracutaias. A bosta não produz flores magníficas? Pois é. O que vocês chamam de corrupção, eu chamo de progresso. Eu sou antes de tudo um forte!.”

Quinta-feira, Junho 21, 2007

O MIFU E SEU ANTA-MINISTRO

Temo não conseguir comentar um artigo tão ruim com a classe e a lucidez com que o fariam alguns dos Mestres, como Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi, Dora Kramer, Augusto Nunes, Ubiratan Iorio, Alberto Oliva, Reinaldo Azevedo, Miriam Leitão ou Arnaldo Jabor (entre diversos outros), mas tentarei. Algo que não entendo é a Folha de São Paulo, mesmo em suas páginas "ruborizadas", dignar-se a, ainda hoje, permitir tanta empulhação. Ou Harvard, a sequer conceder-lhe endereço de email.

Bom mesmo foi quando, acidentalmente coerente, mandou isto, publicado originalmente na edição de 15/11/2005 do jornal Folha de S. Paulo:

"Pôr fim ao governo Lula
AFIRMO que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.
Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente." (...)


Melhor serviço prestou-nos Ancelmo Góes, que atribuiu-lhe o MiFu – Ministério do Futuro. Arre! O texto em verde é o original, a parte em vermelho são os meus comentários.


FOLHA DE SÃO PAULO de 26/09/06
ROBERTO MANGABEIRA UNGER

Nosso futuro (negro)

DIZEM versos em sânscrito, escritos há mais de dois mil anos: "A esperança é uma corrente que nos amarra uns aos outros. Maravilha de corrente. Os acorrentados correm longe. Os desatados ficam mancos". (Versos que denotam que, mesmo sendo antiguidade, posto, já naquela época havia gente muito imbecil. Acorrentados só correm longe se for competindo com os desatados do PT. Dada a incomPeTência, quero dizer... )

Nada no desalento e nas desilusões do momento nos deve fazer esquecer que o Brasil reúne condições para ser grande país. Vasto território, ainda pouco povoado, com recursos hídricos e biológicos inigualados. Facilidade para semear e para colher o ano todo. (Com esta tese é que deve ter sido ganha a sua entrada em Harvard. É mesmo perfeita.) Distanciamento, inveterado e convicto, de guerras e de hegemonias. (Vou aliviar, apenas em prol da seqüência (i)lógica.) Ausência de ódios arraigados e de divisões insanáveis. Povo mais capaz de assimilar e de misturar etnias e culturas do que o americano, que dessa capacidade sempre se vangloriou. Flexibilidade de espírito e pendor para o improviso. (É mesmo. Ninguém pirateia, rouba, falsifica, copia e dá tanto valor ao analfabetismo triunfal, à malandragem escorregadia e à mania de levar vantagem do que nós.) Fé, combalida, porém ainda viva, na possibilidade de reconciliar a pujança com a ternura. (O que quer que isso seja, talvez se refira ao fruto da mistura de Viagra com palavras gentis na hora do estupro.)

Contra tudo isso de promissor levantam-se três ameaças a nosso futuro. A primeira é ensino público incapaz de equipar a energia frustrada do país. (Sem comentário possível, por ausência de nexo.) A segunda é vida pública - e sobretudo sistema partidário - que desmoralizam ou suprimem as alternativas, de projeto e de poder, de que precisa a nação. (Queiram, por favor, dirigir-se ao imaculado Partido dos Trabalhadores. Peçam para falar com o Sr. José Dirceu.)
A terceira é falta de identificação de nossos quadros dirigentes com o futuro do Brasil. (Aqui está, finalmente, uma verdade absoluta!)

Por conta dessa falta, ainda não se consolidou entre nós o desejo de lutar para afirmar, dentro da humanidade, nossa originalidade coletiva e para transmitir mensagem que seja universal justamente por ser singular. (Claro! Precisamos conscientizar a nação para envidar esforços e demonstrar a excelência do rebolado de nossas cabrochas e dos benefícios da jabuticaba para a saúde dos povos, mundo afora.)

Não começaremos a aproveitar aquele potencial e a superar estas ameaças se continuarmos, depois da eleição, as rivalidades e as confusões de antes da eleição. (E nem se tiverem de perder tanto tempo se defendendo da rica e variada quantidade de crimes que tão injustamente "dizem" que praticaram nesse período. Ou o tempo que perderão na cadeia pagando pelos mesmos. Isso, "com certeza" causará um enorme atraso nos planos.)

Também não o faremos pelo caminho de governo de união nacional que sacrifique a consenso gelatinoso e conservador a dialética de idéias e a inovação de rumo vitais ao país. (Sim. Rumo ao Grande Concílio de Países Contrários aos EUA, dirigido por Ahmadinejad e cujo vice seria, obviamente o Grande Guia ..., o Chávez (peguei vocês, como ele também passaria a perna no Lula, esse permanentemente desinformado coitadinho.)

Todos nós que queremos construir o desenvolvimento com inclusão e tirar a política da sombra corruptora do dinheiro precisamos nos unir. (Unger, se fosse aceito - o que não ocorreria, haja vista sua imbecilidade ímpar - deveria querer unir-se a nós, liberais, pois o PT não fez outra coisa senão usar o - nosso - dinheiro para corromper tudo o que decidiu corromper.) Lutar para que o novo governo, que, por veredicto da maioria pobre, será o do presidente reeleito, atue como agente desse projeto. (Qual? O de corromper? Que tal corromper o povo todo?) E providenciar, junto com a mudança nas regras da política, o instrumento partidário adequado. (Sim, instituindo o paredón, uns poucos gulags e, como instrumento partidário adequado, a guilhotina, não?)
Para que o Brasil mude de rumo, o presidente terá de ousar. Alguns de seus adversários de ontem terão de ser seus aliados de amanhã. (Eu apostaria forte nas maravilhosas contribuições à coisa pública e à riqueza nacional que seriam empreendidas pelos seus inimigos históricos e ilibados tribunos, Sarney, Barbalho, Quércia, Newtão, Aldo, Ronan, Janene, para citar apenas alguns dos mais operosos, além dos próceres inatacáveis do Partido, Dirceu, Genoíno, Delúbio, Cunha, Palocci, Silvinho, Duda, Mercadante, Guadagnin. Temo deixar muita gente de fora e ser chamado de injusto.) O debate nacional terá de contar com mais, não menos, contraste de posições. E a nação toda terá de encontrar dentro de si os recursos, de magnanimidade e de clarividência, necessários a seu engrandecimento. (Quem sabe procurando nas cuecas dos amigos, ou na retórica de Gil, Betti & Tiso ou ainda na capacidade de antevisão e empulhamento popular dos descarados Marcio Thomaz Bastos e Marco Aurélio Garcia. )


www.law.harvard.edu/unger

Segunda-feira, Junho 18, 2007

O QUE SERÁ DE NÓS?

O que será da vida dos brasileiros nesta grande e triste terra, já tão coalhada de hipocrisia, falta de ética, caráter e da mais ampla desonra da família brasileira?

Não se vê nenhum tipo de reação ou de indignação (a anestesia está em pleno curso, gotejando nas veias abertas da Brasilatrina) nem mesmo quando o expoente máximo desta desonra é parido na fuça de todos, uma excrescência tão larga e funda que precisamos admitir imediatamente que SOMOS TODOS MUITO COVARDES MESMO. A começar pelos antigos chefes militares, hoje empijamados e muito provavelmente acometidos de problemas nas próstatas que os emascularam mentalmente em definitivo. Mas será possível que não deixaram ou plantaram, seguidores? Na Escola Superior de Guerra, no Colégio Militar, será que está tudo dominado pela hera vermelha e maldita? Avisem-nos se assim fôr, deixaremos de achar que vocês farão alguma coisa... e vamos pedir para sair enquanto é tempo!

Mas É uma AFRONTA a tudo e a todos, talvez a maior de todas que eu já tenha visto em cinqüenta anos acompanhando a vida nacional, um milhão de vezes muito pior do que a deslavada ROUBALHEIRA federal, alguém achar que o assassino, ladrão, traidor de colegas de farda e da pátria, que nem sua família deve consegue engolir direito sem se envergonhar senão pelo desenlace final - uma baita grana na conta, além dos "reparos" - a equiparação de Carlos Lamarca, pérfido personagem da história recente do país, ao cargo de General.

Nenhum traidor de um status-quo de momento, jamais, com ou sem anistia, em qualquer lugar do mundo, foi considerado um bom-moço e teve direitos reconhecidos. Pois que antes de tudo ele TRAIU seus chefes. Não bastasse isso, a traição de Lamarca foi realçada, para o lado maligno, pelas circunstâncias que a cercaram. Traidor merece morrer!

Os Governos comuno-socialistas encaminharam milhões para os fios das baionetas ou para paredões, sempre sob essa alegação, executando-os por comentários feitos, conversas entreouvidas ou simples delação. Não necessariamente por atos de violência cometidos. Depois de derrotados ou de desistirem de seus projetos inviáveis, nunca não se soube de famílias buscando reparação desses atos, por eles considerados "de guerra" ou "contra os interesses da nação". Quando se davam ao direito de falar alguma coisa.

Olhem a diferença. Lamarca traiu, roubou e matou! Em que cabeças isso pode ser transformado em "anistia"? Isso só acontece aqui mesmo, nesta BOSTA de país. Com esta BOSTA de povo, no qual me incluo... por não ter abandonado minha esperança enquanto é tempo.

E pior, este nosso povo de bosta, esta boa gente brasileira vai ficar mudinha, prostradinha, caladinha, esperando que venham tomar seus bens e pertences, e ainda vão acabar pedindo baixinho, "Moço, me estupra mas não me mata, tá bom?"

Como diz o sábio Bóris Casoy, "ISTO É UMA VERGONHA"! Mesmo.

Nem a existência dessa miríade de lindezas como as Giselle Bündchen, Camila Pitanga, Ellen Jabour, Aline Moraes e Priscila Fantin, para citar só cinco, é capaz de arrefecer minha extrema desilusão com a nossa quietude desalentadora neste caso.

Quinta-feira, Junho 14, 2007

MUITA HIPOCRISIA

Este email eu recebi em inglês e traduzi e adaptei para a realidade brasileira, por considerá-lo bastante ilustrativo do clima de terror surdo em que vivemos, patrulhados dia e noite pelas minorias que se escudam no politicamente correto para fazerem uma porrada de sacanagens inimagináveis e pretenderem que o resto da sociedade ache suas atitudes normais e coisa de gente. Não são, são via de regra aberrações e da pior qualidade, como no caso dos grupos que imaginam que sua sexualidade estranha tem de ser engulida pela sociedade como um todo. No das etnias, acreditem, são muito mais racistas, em essência, do que a mesma sociedade que os abriga como pessoas exatamente iguais. Eles, sim, é que nos consideram diferentes. Leiam.

Eu não acho que ser de uma minoria faça de alguém uma vítima de algo além dos números. As únicas coisas que eu considero verdadeiramente discriminatórias são do tipo: cotas para pessoas não-brancas nas Universidades; a Casa de Cultura da Mulher Negra; o CENEG - Centro Nacional de Valorização da Raça Negra; o CONE, Coordenadoria do Negro (obra da prefeitura petista de SP); a revista on-line Afirma-Revista Negra; e similares, como os sites "Mundo Negro", "NossaNegritude", e para culminar, o lançamento do Concurso Miss Negra.

Agora, pensem - baixinho, se é que é possível - em coisas com nomes do tipo:"Revista das Brancas", ou "Casa de Cultura da Mulher Branca", ou "Concurso de Miss Branca", ou "cotas para não-negros", ou ainda um site chamado de "Mundo Branco", só para sentirem o que aconteceria. E ai de quem os usasse ou mencionasse em algum veículo de comunicação!

Em meia hora a Igreja e o PT iriam bater na sua porta, acompanhados por uns três camburões da Polícia Federal, cercados de jornalistas e locutores de TVs todos loucos por um escândalo, mais uns treze advogados tendo nas mãos a Lei Afonso Arinos, além de grupos de representantes de todas as minorias do mundo, setecentos e dezoito manifestantes portando faixas com escritos sobre qualquer coisa e, de quebra o pessoal do Greenpeace.

Armas não fazem de alguém um assassino. Matar, sim. Você pode matar alguém com um chute, com as mãos ou com seu carro, mas ninguém tenta fazer com que você deixe de dirigir até o Maracanã, o Pacaembu ou fica patrulhando na porta do boteco para saber se você bebeu e vai sair dirigindo por aí.

Eu também entendo que, se você acha o homossexualismo e as demais "formas de amor entre iguais" errados, não é uma fobia, é apenas a sua opinião. Que tem de ser respeitada.

Eu acho que tenho o direito de não ser tolerante com os outros apenas porque são diferentes, amalucados ou porque me dão ganas de alguma natureza.

Se num determinado lugar, 70% das pessoas que vão presas são negras, em cidades em que a 70% da população é negra, uma menção a isto não pode ser considerado como discriminação racial, é apenas a Lei das Probabilidades. Que não consta de nenhuma Constituição, nem foi feita pelo homem.


Eu acho que a competência e a disposição para o trabalho devem ser sempre recompensadas. Assim, caras como o Bill Gates tem todo o direito aos lucros que obtém e até mesmo ganhar ainda mais. Se isso lhe desagrada, saia e invente um sistema operacional que seja melhor e depois escreva seu nome na porta do edifício. Não tenha ódio da Microsoft só porque ele (e ela) foram competentes.

Não se faz necessária toda uma comunidade para criar uma criança bem, mas um pai para fazer-lhe entender as coisas e ter em quem confiar; e ainda, dar-lhe uma sonora palmada quando fôr necessário e saber dizer-lhe: "Não"!

Eu concordo que alguém se tatue ou use piercing, se quiser, mas que não venha me dizer que são formas de expressão. E, por favor, não vá trabalhar até que seu novo brinquinho, no lábio ou no umbigo, cicatrize. Ninguém merece ver sua boca ou barriga infeccionados quando você traz um chope ou prepara um pastel.

Na realidade, eu estou é cheio do que se entende por "politicamente correto". Eu conheço um lote de crioulos, todos chamam-se uns aos outros de "negão" ou de "pretinho", a mim de "branquelo" e nenhum de nós se importa de fato com isso. Afinal nossas principais características pessoais, depois do gênero - cada vez mais difícil de acertar - são nossa cor de pele e nosso tamanho. Como nenhum dos prêtos que eu conheço nasceu na África, como é que eles poderiam querer ser "afro-brasileiros"? A África é um continente! Vejam, eu não saio por aí dizendo que sou "europeu-brasileiro" só porque meu tatatataravô veio de Portugal ou de qualquer outro país da Europa. Sou apenas brasileiro, e com muito orgulho.

Não preciso que nenhum governo venha me ensinar como usar as palavras. Principalmente porque nesse Governo são pouquíssimos os que sabem como usá-las.

Chega de hipocrisia.

Quarta-feira, Abril 04, 2007

DESASTRE À VISTA

O povo brasileiro está assistindo, entre inerte e calado, ao maior loteamento clandestino das instituições nacionais já visto em muitos séculos. O PT, suas aintiidéias e a conseqüente degeneração que vem semeando são os responsáveis por isso. Alguém já disse e eu repito, em maiúsculas: O PT CONSEGUIU ACABAR COM A CAPACIDADE DE INDIGNAÇÃO DE TODA A NAÇÃO BRASILEIRA.

Todos os males, mazelas, desonestidades, mamatas, esquemas e estragos que esse partido (o mais popular e, em teoria, o mais próximo das classes menos favorecidas) jurava serem frutos do capitalismo que reinava no país, numa forma eleitoreira de se posicionar, carreando para si "credibilidade" nascida da indignação, do desejo de mudança e da vontade de ver o outro lado da moeda (e que resultaram nesta terrível era, iniciada pela primeira vitória de Lula e sua reeleição), viraram um novo, piorado e inacreditável desfile de males, mazelas, desonestidades, mamatas, esquemas e estragos muito, mas muito maiores do que o que antes rechaçavam barulhentamente, só que agora protagonizados pelo mesmo grupo de inúteis que então, de fancaria, os “repudiava”. Mas só até serem eleitos e passarem a comandar a roubalheira, tanto física como intelectualmente. Esta, decerto, a pior subtração: por seus efeitos nos jovens, por causa do dano irreparável na cabeça dos coitados desses pobres crédulos, ora perdidos e sem saber mais no que ou em quem acreditar, transformados em presas fáceis dessa fenomenal distorção cognitiva.

Não bastassem as doses cavalares de desonestidade, desfaçatez e da superior presunção de inocência com a qual “justificam” seus atos, as hostes que se instalaram no país, de norte a sul, ainda acresceram ao pesadelo da nação um monstro ainda mais horripilante, tão brutal no curto quanto fatal no longo prazo: a sua pura e simples incompetência.

Esta praga, causada pela inata vagabundagem e pelo descompromisso da falta de estudo, alimentada pela desnecessidade de fazer e embalada pela inexistência de qualquer forma de cobrança por efetividade, destruirá o Brasil empurrando-o em turbinada marcha-a-ré, rumo ao fracasso. A crise na aviação, para mencionar apenas uma, já é uma das filhas incestuosas disso. A incapacidade de gerir os recursos ambientais, outra faceta dessa incompetência.

E assim se repetem e repetirão, às centenas de milhares, problemas graves cuidados por ninguém.

Se a maneira de agir empreendida pelos sectários do PT (escoltados calhordamente pelos votos “amigos” do grande PMDB e de outros, tão nanicos como aproveitadores), representa a fórmula “socialista” de aproximar o povo da “riqueza” que lhe fora negada pelos regimes anteriores, sua aparente “redenção” através dessa remuneração em troca de nada, é disso que este mesmo povo irá muito e amargamente se arrepender, se escolher permanecer calado agora.

Ao receberem salário sem contraprestarem trabalho efetivo (o peixe, ao invés de linha e anzol), sem devolver à sociedade algo em troca, sem a mínima capacidade de ajudar no desenvolvimento da nação por impossibilidade intelectual, esta “conquista social”, esta renda “democratizada” “progressivamente” através da concessão de cargos (e benesses decorrentes), só incutirá nessas pessoas a idéia perversa de que, como seu líder, não se precisa estudar, aprender e dar duro para subir na vida, jogando-se assim no ralo, duas, talvez três, gerações.

Perdoemo-los, coitados, eles não sabem o que fazem. Literalmente. O loteamento destes cargos em pagamento pelos votos que reconduziram o Presidente ao seu próprio, propicia o aparelhamento do Estado pelo material humano mais impróprio e funesto que se poderia imaginar.

Soube-se, como exemplo, que em Agência do Governo que funciona no Rio - reguladora de importante e estratégica vertente da vida nacional - antigos empregados de formação universitária, preparados e capazes, estão sendo detonados sem maiores explicações, apenas para abrir vagas para “colaboradores” indicados pelo Governo, cuja formação técnico-administrativa-universitária simplesmente inexiste. Nas palavras de uma funcionária, gente não-necessariamente humilde – o que, eventualmente, para corações amolecidos, justificaria a troca – mas “do pior nível imaginável” e sem condições de trabalhar num boteco, o que dirá em um órgão tão importante. A se repetir isso em outras repartições públicas Brasil afora, a falta de escolaridade, capacidade ou capacitação mínimas, além de alguma vontade de trabalhar, vão-nos jogar, de fato e de vez, no imenso abismo de que vimos tentando fugir via doses maciças de internacionalização.

No futuro, muitos hão de chorar por estarem calados agora. O Brasil vai se ressentir profundamente dessa política, tão logo cesse a festa de consumo das classes D, E, F e G, que hoje curtem ganhar algum sem devolver alguma coisa.

Infelizmente, seremos o maligno laboratório latino para a nefasta experiência – tão inexequível por natureza que até o mais comunista dos países, a China, já a descartou – de um socialismo tão bem parlante aos ouvidos despreparados quanto burro, e firmemente calcado nesse grande projeto: a democratização da incompetência.

Só nos restará a vergonha de não termos podido mobilizar as massas enquanto era tempo.

Quinta-feira, Março 29, 2007

CUBÃO

Não, não se trata de um erro de imprensa. Não falo de Cubatão não. Falo do projeto de governo que tenta transformar esta terra em uma grande Cuba, ao seguir, na contramão da história, um caminho troncho em direção ao vácuo.

Se ao menos O Lula usasse aqui os exemplos dos países comunistas que tem alguma visão do futuro, como a China, não seriamos empurrados de marcha-a-ré na direção do vórtice vesano (licença, Bilac) com que se nos apresenta o tacanho e macaqueante governo dos Petelulos.

Por um lado, a atrasar muito mais qualquer perspectiva de avanço, está a nossa histórica e propalada riqueza natural, que pessimamente administrada resultará em um grande desastre ecológico, isso é certo. Pois se o vosso presidente decide autorizar um maior avanço do que o já pornográfico uso das queimadas para aumentar as áreas agrícolas – sob argumento torpe de que estaríamos produzindo alimentos para acabar a fome do povo – de culturas incomíveis como a soja e a cana (por conta da vertente “estratégica” do etanol), imaginem só como vai ser o tamanho da fogueira...

O povo brasileiro hoje tem fome é de Educação, que é logo o primeiro corte de fundos lembrado, cada vez que se resolve “contingenciar o orçamento”. Em seguida, Saúde, idem idem, em segundo lugar na hora do corte. O resto da grana, que irriga privilégios inadmissíveis senão por um grupo de ovelhas clonadas e carneiros castrados, permanece firme lá, pronta para ser usada nos furdunços oficiais de toda natureza.

Ruíram, no Brasil, todos os pilares de decência pública que alguma vez possam ter existido. Roídos pela Lei de Gérson que impera, desde que os militares decidiram que era hora de devolver o “poder” aos civis.

Desde então a esquerda - essa coitadinha que nunca roubou nenhum banco nem matou ninguém na busca de seus “ideais revolucionários” (o que, em sua teoria, justifica tudo...) - com sua capacidade de engôdo e seu mimetismo eficiente, tomou conta da máquina da comunicação. E fala, e vende, o que quer. A verba de publicidade do PAC é monstruosa e o programa, ôco como um ovo de páscoa, não existe de verdade, só nos jornais.

Com a morte do Dr. Roberto Marinho e o desinteresse de falar a verdade da maioria dos demais órgãos, agora dirigidos pelas segunda e terceira gerações de jovens que consideram Che e Fidel como injustiçados ídolos e “os americanos” uns verdadeiros “monstros intrometidos”, a comunalha acabou de se infiltar de vez na imprensa, e vem achincalhando (depois e principalmente, da nossa inteligência) com os verdadeiros heróis da nossa pátria, os militares que impediram, lá atrás, que o Brasil tivesse se tornado uma baderna – atrasando os planos “progressistas” de 1964 até agora.

A instalação atual da baderna - termo tomado aqui no sentido mais abrangente possível, que engloba desde a realização de baile funk onde cocaína é consumida de graça (tudo filmado e documentado, sem nenhuma reação da polícia, em qualquer instância) até a recente informação de que o STF cogita não aceitar a denúncia contra o mensalão - no seu segundo maior escândalo de despreparo e desinteresse pela nação que essa côrte já proporcionou, o primeiro sendo a votação do aumento de seus próprios salários - lá atrás, foi apenas postergada pelos militares, que atenderam apenas ao apelo da sociedade de então, que ao menos se mobilizava e gritava contra o que não queria.

A anistia, praxe universal, dada aos guerrilheiros hoje no poder, foi considerada unilateral e agora eles se auto-premiam com fortunas em verbas “indenizatórias” e mensalinhos vitalícios (inclusive para o vosso presidente), sendo o caso mais escabroso e emblemático o de um escritor e jornalista da Folha de São Paulo. Já as viúvas dos militares que defenderam a pátria contra esses vagabundos de camisetas vermelhas, e que tombaram no cumprimento do dever, jamais viram a cor de um centavo. Isso, por si só, dá a temperatura dos planos que esses cidadãos tem em mente para este país.

Essa nossa transformação gerará uma enorme Cuba, onde o poder será exercido por grupo privilegiado de "companheiros" em detrimento do resto da nação. A criatividade dará lugar ao cumpadrismo, a capacidade de assumir riscos trocada pela capacidade de indicar quem será apaniguado e contemplado com verbas federais, arrancadas da competência via a tributação paralisante que garante as verbas para que a “nomenklatura” se delicie no poder. Enquanto incita os "desvalidos" a tomarem as riquezas dos “ricos”, suas terras e propriedades, seus esforços e pesquisas de anos destruídas pela mesma plebe que já invadiu até o Congresso Nacional sob o olhar candido do “governo”.

A implantação de uma regime dito “socialista”, “republicano” ou “bolivariano” é tudo o que os brasileiros de caráter não podem permitir, exceto se pretenderem ir morar longe, em algum lugar em que o esfôrço e a inteligência aplicados sejam recompensados com algum reconhecimento. Alguém tem de gritar contra isso.

O horizonte é sombrio, lembrando-me uma mistura do Velho Oeste norte-americano com os campos de refugiados africanos, a droga comendo solta, fora e dentro de Brasília (ali, sob forma humana), os próceres discursando para o povo entre arrotos de picanha argentina regada a vinho venezuelano.

As turmas de companheiros só fazem crescer e estão invadindo “oficialmente” os órgãos governamentais e as Secretarias, criadas às pressas e em número aviltante para abrigá-los. Até Secretaria dos Portos teremos, em breve. Se ainda fosse para dar emprego para as mães deles, que os povoam à espera dos marinheiros, tudo bem, seria uma atitude “pelo social”.

Mas serão apenas mais cargos a serem ocupados pelos amigos incompetentes e improdutivos como consolação por suas derrotas, e que nada farão pela melhoria de coisa alguma.

Estamos virando, a jato, uma grande Cuba. O Cubão.

Domingo, Março 25, 2007

ULTIMA SOLUÇÃO

Diz-se que o Governo de Lula e o PT acabaram com a capacidade dos brasileiros de se indignarem. É um fato. Isso ficou patente na semana passada, quando vários articulistas e editorialistas foram unânimes, quando, refletindo sobre a visita do ex-presidente Fernando Collor ao atual, L.Inácio, afirmaram quase que em uníssono, que as falcatruas do primeiro pareciam brincadeiras de criança quando comparadas com as de Lula e sua turma.

Independente das comparações, o que mais espanta é o conformismo com que encaram eles (e encaramos nós, também, haja vista o silêncio coletivo do populacho) o fato de que tudo o que se apurou e tentou provar no ano de 2006, ficará por isso mesmo e dane-se. Esta mostra de tolerância extrema, este cansaço da sociedade, pela descrença generalizada, tudo isso compõe o terreno mais fértil para que a nação brasileira se exploda. Rápido.

Nada mais vai importar, se sancionados os crimes cometidos pelos membros do PT. Pior do que saque aos cofres públicos, pagamentos de tarefas nunca executadas, dólares na cueca, a incompetência endêmica no lidar com a coisa pública - através de trocentos ministérios e secretarias inoperantes -, pior do que isso tudo é uma única coisa, que penetra pela consciência da juventude brasileira como uma tatuagem indolor, de cores invisíveis: a desesperança.

Pela garotada poder ver, agora, o que antes apenas pressentia: que tudo está baseado na mentira, no marketing da mentira, na farsa da enganação. Àquele partido auto-proclamado trabalhador, limpo, honesto, sério, austero, ético (cruzes, ético!) bastou chegar ao poder para agir MUITAS VEZES PIOR do que os anteriores todos, que nem faziam propaganda de suas virtudes. Lutavam também para “chegar lá” e roubar na medida do que podiam. Roubavam sem justificar, escondido, e se eram flagrados, pagavam por isso.

A desfaçatez do PT é que é nociva. A cada escândalo surge alguém para dar uma explicação, as quais até o João-Sem-Braço repudiaria, pela cara-de-pau extremada.

Com a juventude se acabrunhando, desesperançada por esse determinismo do “não adianta fazer nada”, nada mesmo restará senão a lei-do-cão, onde, cada um por si defenderá o seu pedaço de chão como puder, enquanto houver chão. Já, cães, há muitos. As situações desnudadas pela PF vem mostrando isso todos os dias. Se passar a carrocinha, não fica um.

Só uma reação extremada, a justiça sendo tomada nas mãos de um grupo de cidadãos cujas úlceras estejam a ponto de estourar, surtirá efeito.

Só uma limpeza ética devolverá ao Brasil o seu lugar junto do resto das nações.

Quarta-feira, Março 14, 2007

ESTÁ FALTANDO É CORAGEM

Anos atrás, o senador Antonio Carlos Magalhães, então presidente da Embratel, estatal monopolista das comunicações no país, serviço essencial, portanto, dissolveu uma greve de funcionários programada para a semana seguinte mandando informar-lhes, numa sexta-feira, que, embora reconhecesse seu direito constitucional à greve, demitiria os que não aparecessem para trabalhar na segunda seguinte. A greve acabou antes mesmo de começar.

O ex-presidente Fernando Collor, antes de se deixar seduzir pelo canto das sereias financeiras comandadas por P.C. Farias, arrumou lindamente a nossa casa, quebrando para isso, no entanto, alguns jarros sagrados. Abriu as janelas do país para a modernidade reduzindo as alíquotas de importação e oxigenando um ambiente saturado, degradado e dominado por uma indústria que repassava toda a sua ineficiência para os consumidores, os preços majorados à brinca camuflados sob a poeira da inflação. Tachou nossos carros de carroças e abriu o olho da nação. Não há como tirar-lhe este mérito, dentre outros de sua corajosa ruptura da inércia enredante.

Governantes com coragem fazem muita falta. Para comparar, vejam como os de hoje agem:

Lula, que se acostumou ideologicamente a passar a mão na cabeça do MST, que invade e depreda desde propriedades rurais até o Congresso Nacional (!), passando por centros de pesquisa de empresas privadas (sem que haja alguém na cadeia por isso) decidiu agora ir contra a punição exemplar dos facínoras “menores de idade”, e joga a culpa da violência, de modo infantil, nos modelos econômicos anteriores, esquecendo-se de que o seu governo e modelo nada fez além de dar continuidade ao anterior, apenas sem ter de enfrentar a oposição tacanha de seus (dele, Lula) próprios correligionários.
Estes “menores” o são apenas para estes fins, já que matam e roubam e traficam como gente grande. Lula agora decidiu que vai implantar o Vale-Bandido, idéia capaz de lhe arrebatar o Nobel (só podia ter sido urdida por alguém como a Benedita) da Imbecilidade, ao proporcionar às famílias de menores-infratores-assassinos-ladrões, que estejam recolhidos a alguma instituição, uma forma de sustento que substitua os trocados que os trombadas deixam de pingar enquanto no ostracismo. Um show!

Não caberia aqui copiar o mentor Fidel e adotar, vindo ao encontro dos anseios de justiça da sociedade, o rito sumário e um paredón idem, para crimes bárbaros comprovados, como o do menino João Hélio, perpetrado com requintes de crueldade e, pior, já confessado pelos autores? Não faria melhor à sociedade toda o exemplamento dos facínoras, em praça pública, como na milenar China comunista? A economia dos recursos da manutenção dessas “coisas-ruins” em jaulas, não poderia ser eficientemente dirigida a projetos educacionais e de integração diversos?

E o "prefeito" César, que ao invés de cobrar com veemência e atitude às suas equipes, a fiscalização sobre marquises (e fachadas e rebocos cadentes) tão decrépitas quanto a sua atual capacidade de raciocínio, pretende simplesmente proibir suas existências, doravante? Deve ser ele daqueles que pensam que, se tirarem o sofá da sala, suas caras-metades deixam de corneá-los em casa mesmo. Depois de certo tempo, afirmou que a medida seria apenas temporária, provavelmente pelo tempo que durarem seus surtos. No entanto, não deveria ser ele, o prefeito da vez - assim como qualquer outro que o suceda no cargo -, o responsabilizado pelas mortes ocorridas em Copacabbana, tanto criminal quanto financeiramente, vez que é para fiscalizar posturas que serve a Prefeitura, além de cobrar dos moradores da cidade taxas duríssimas, exatamente para a sua conservação?

Infelizmente, o que vemos é a covardia imperando, as decisões murchando, as atitudes minguando, as soluções óbvias sendo tragadas pelo medo da repercussão junto a uma "opinião pública" jamais vista (talvez intuída - no mais das vezes meramente inventada e incutida, pelos bons-moços socialistas, às redações, através da repetição exaustiva de preceitos “politicamente corretos”), quiçá inexistente.

Falta-nos uma boa dúzia de homens ou mulheres com sangue nas veias e verdadeiro espírito público. Gente que não tema o que lhes sopram nos ouvidos mas que enfrente os fatos com coragem e determinação. Gente com aquilo rôxo.

Chega de hipocrisia e tolerância.

Terça-feira, Outubro 10, 2006

JABOR PÓS DEBATE: IMPERDÍVEL

Desculpem a aparencia que o blog vai ter com esta publicação. Foi a única forma de postar o excepcional artigo do Arnaldo Jabor, publicado no O Globo desta data. Ao lado dos "guerrilheiros da legalidade" Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes - e desde já me desculpo se esqueci de mais alguém, mesmo que sejam tão poucos - além do Generalíssimo Olavo de Carvalho, o Jabor parece ser dos poucos com acesso à imprensa que não se deixou encantar pelos apelo$$ ou pela ideologia barata da comunalha.

Trata dos assuntos mais vibrantes com o destemor daqueles que já foram simpatizantes e tiveram a capacidade de evoluir simplesmente porque pensam, logo existem. Assim como aconteceu com Paulo Francis, que se redimiu de ter sido comunista em uma coluna no longínqüo 1979, quando disse "que era burro e comunista mas que tinha finalmente evoluído" ou coisa símile. Jabor também já fez sua penitência, que a canalha dirá que foi pela via monetária. Não foi, e mesmo que tivesse sido, se desculparia por ser esta a maneira tremenda com que azeitam comentários favoráveis ao seu regime, por tudo deprimente, de tentar se apoderar do país e aqui instalar um Cubão corrupto. Pois lá, pelo menos, o tirano Fidel mantém a ordem pela ameaça constante do paredón, não apenas para os oposicionistas como para os aliados que pisam na banana.

Jabor mais uma vez se ombreia aos grandes nomes do comentário político. Uma única ressalva se faz, no entanto, às suas observações, de resto acuradíssimas: deixa de dar os nomes aos bois babões que pululam no meio "artístico" que defendem o Molusco e sua trupe, pessoas que infelizmente, pela popularidade gerada nas aparições na TV e nas revistas populares, tem o condão de influenciar - e que péssima influência - a parcela considerável dos miseráveis cuja únicas distrações são a novela e as revistas velhas que o barbeiro joga fora.

Ave, Jabor! Continue nos agraciando com sua sensibilidade, poder de concisão e linguagem acessível a todos.

Sexta-feira, Julho 28, 2006

A LULA É UM MOLUSCO SAFADO


Recebi este email de um cidadão indignado. Como a indignação é o motor deste espaço, vou reproduzí-lo para dar visibilidade a suas considerações.

"Boris Casoy foi demitido da Record a mando da cúpula de Lula (claro que ele não sabia), retirando o patrocínio do Banco do Brasil que era de 1 milhão, passando a 300 mil, mas com a "condição" de que o Jornal da Record (Boris) nada recebesse.

Isto ocorreu porque entenderam os "comandados" por Lula (ficção pura, Lula não comanda nem a Mariva)que, com Boris Casoy falando diariamente da vergonha de se ter aquela quadrilha instalada no Planalto, não seria possível a reeleição. Pasmem, o motivo maior foi o fato de Boris Casoy ter perguntado a Lula durante entrevista no período de campanha qual era o envolvimento ou conhecimento dele com as FARC. Lula não respondeu, deu uma volta no mundo falando das lutas de cada país, falou de Che Guevara, e nasceu naquele momento o ódio mortal que nutre por Boris (é assim que ele faz, tal como todos os ditadores fazem, com aqueles que tentam passar a verdade ao povo).

Até hoje nenhuma revista semanal fez matéria sobre este assunto porque ninguém quer ir contra um ditador, é só relembrar o que aconteceu com o caseiro. Enfim esta matéria que transcrevo abaixo deveria ser lida por 180 milhões de brasileiros.

Está em nossas mãos a continuidade ou não do que estamos assistindo sob o sentimento de espanto para alguns, revolta para outros e desarmados para aqueles que acreditavam numa mudança, e vergonha para aqueles que têm valores morais.

Somos o povo ... que elege... que impede a eleição... que escolhe o que quer para seu futuro...

NÓS É QUEM DEVEREMOS MUDAR ESTE PAÍS!"

Boris Casoy - Folha de S. Paulo - 28/03/06

Jamais o Brasil assistiu a tamanho descalabro de um governo. Quem se der ao trabalho de esmiuçar a história do país certamente constatará que nada semelhante havia ocorrido até a gestão do atual ocupante do Palácio do Planalto. Há, desde o tempo do Brasil colônia, um sem número de episódios graves de corrupção e de incompetência. Mas o nível alcançado pelo governo Lula é insuperável.
Não se trata de um ou de alguns focos de corrupção. Vai muito além. Exibe notável desprezo pelas liberdades e pela democracia. Manipula a máquina administrativa a seu bel-prazer, de modo a colocar o Estado a favor de sua inesgotável sanha de poder. Um exemplo mais recente é a ação grotesca contra um simples caseiro, transformado em investigado por dizer a verdade depois de ser submetido a uma ação de provocar náuseas em qualquer stalinista.
Não se investiga o ministro Palocci, acusado de freqüentar um bunker destinado a operar negócios escusos em Brasília e de ter mentido a respeito ao Congresso. Tenta-se, a qualquer preço, desqualificar a testemunha para encobrir o óbvio. E o desespero da empreitada conduziu a uma canhestra operação que agora o governo pretende encobrir, inclusive intimidando o caseiro.
Do presidente da República, sob a escusa pueril de dever muito a Palocci (talvez pela conquista do troféu dos juros mais altos do mundo e pelo crescimento ridículo do PIB), só se ouve a defesa pífia dos que não conseguem dissimular a culpa. A única providência das autoridades federais foi um simulacro de investigação, com a cumplicidade da Caixa Econômica Federal. Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de impeachment contra Lula. Ou melhor, a favor do Brasil.
O argumento para não afastar Lula, de que sua estão vive os últimos meses, é um auto-engano! A proximidade das eleições faz com que o governo use e abuse ainda mais do poder. Desde o início, este governo é envolvido na compra de consciências, na lubrificação da alma de órgãos de comunicação por meio de gigantescas verbas publicitárias e de perseguir os que lhe negam aplauso.
Outro argumento usado para não afastar Luiz Inácio Lula da Silva é a sua biografia, a saga do trabalhador, do sindicalista que chegou a presidente. Ora, aquele metalúrgico já não existe há muito tempo. Sua legenda enferrujou. Foi tragado por sua verdadeira figura, submetido a uma metamorfose às avessas.
As razões legais para o processo de impeachment gritam no artigo 85 da Constituição, que versa sobre os crimes de responsabilidade do presidente.Basta ler os seguintes motivos constantes da Carta Magna para que o Congresso promova o processo de impeachment de Lula: atentar contra o livre exercício do Poder Legislativo, contra o livre exercício dos direitos individuais ou contra a probidade da administração. Seguem alguns exemplos ilustrativos.
No "mensalão", fato que Lula tentou transformar em um pecadilho cultural da política brasileira, reside um grave atentado contra o livre funcionamento do Congresso Nacional. A compra de consciências não só interferiu na vida do Poder Legislativo como também demonstrou a disposição petista de romper a barreira entre a democracia e o autoritarismo, utilizando a máxima de que os fins justificam os meios.
Jamais as instituições bancárias estatais foram tão agredidas. O Banco do Brasil teve seu dinheiro colocado a serviço de interesse escusos; a Caixa Econômica Federal também, demonstrando que o sigilo bancário de seus depositantes foi posto à mercê da pilantragem política.
No escândalo dos Correios, mais que corrupção, foi posto a nu, além do assalto aos cofres públicos, um cuidadosamente urdido esquema de satrapias destinado a alimentar as necessidades pecuniárias de participantes da mesma viagem. Como costuma acontecer nesses casos, o escândalo veio à tona na divisão do botim.
Causa perplexidade, também, a maneira cínica com que o governo tenta se defender, usando todos os truques jurídicos para criar uma carapaça que evite investigações de suspeitas gravíssimas em torno do presidente do Sebrae, o generoso Paulo Okamotto, pródigo em cobrir gastos do amigo Lula - sem que ele saiba. Aliás, ele nunca sabe de nada...
Lula passará à história, além de tudo, como alguém que procurou amordaçar a imprensa com a tentativa da criação de um orwelliano "conselho" nacional de jornalismo e com uma legislação para o audiovisual, que tentou calar o Ministério Público pela Lei da Mordaça e que protagonizou uma pueril tentativa de expulsar do país um correspondente estrangeiro que lhe havia agredido a honra.
Neste momento grave, o Congresso Nacional não pode abdicar de suas responsabilidades, sob o perigo de passar à história como cúmplice do comprometimento irreversível do futuro do país. As determinantes legais invocadas para o processo de impeachment encontram, todas elas, respaldo nos fatos.
Mas, infelizmente, na Constituição brasileira falta uma razão que bem melhor poderia resumir o que estamos assistindo: Lula seria o primeiro presidente a sofrer impeachment não apenas pela prática de crimes de responsabilidade mas também pelo ímpar conjunto de sua obra.

Boris Casoy, 65, é jornalista. Foi editor-responsável da Folha de 1974 a 76 e de 1977 a 84. Na televisão, foi âncora do TJ Brasil (SBT) e do Jornal da Record (Rede Record).

Quinta-feira, Julho 20, 2006

HERAS MALDITAS E BENDITAS

O Professor Olavo manda muito bem, talvez um de seus melhores artigos em termos de facilidade de entendimento, para um público médio, logo acima do ENEM. "Cheio de ódio no coração", como escreveu leitora do mesmo JB de hoje, dizendo que não entendia como uma "pessoa assim" ainda tinha espaço no jornal. Verdade que ela também achava que ZéDirceu (cuja coluna fica abaixo - geograficamente, pois em qualquer outro parametro nem precisava situá-la -, na mesma página) não devia ser publicado ali, haja vista sua condição de gran-féladaputa articulador de safadezas.
Mas o que ela lê - e não entende - é que se não fosse por gente que fala a verdade como Olavo, e essa verdade dói, e isso se parece mesmo com ódio, a gente tava ainda mais ferrado. Na verdade, é apenas a verdade. Ainda bem que a gente lê e entende. E neste artigo ele fala da forma com que o regime esquerdista que nos aflige, toma conta, lenta e insidiosamente, da vida nacional. Esta é a hera maldita.

Já o cartunista Ique, em sua charge do mesmo JB de hoje, expressa o crescimento da candidatura de Geraldo Alckmin e a preocupação do Cmte. em Mula com isso. A trepadeira de chuchu galga, inexorável, a representação de poder e posição detida por esse "vosso líder" (já disse que não votei no malandro). Brilhante!

É a hera bendita.







E por fim, para culminar um dia rico em demonstração de inteligência e perspicácia na avalição do estado atual das coisas no Bananão, o genial advogado tributarista e catedrático em separar o joio do trigo, professor Ives Gandra Martins produziu uma peça de exemplar indignação com o rumo torto que empaca a vida inteligente neste país, pela geração das maiores dúvidas possíveis.

Sábado, Julho 15, 2006

DIAMANTES SÃO PARA SEMPRE - MAIS UMA BELA PEÇA DO OLAVO DE CARVALHO

Nosso grande filósofo, tradutor emérito do "petês" (como deve ter estudado e estudar ainda hoje para conseguir isso) para a língua comum dos homens de boa vontade, nesta sua coluna do JB da quinta feira, 13/7/06 - e o jornal vale seu preço só por ela - põe a nu toda a "estratégia" maliciosa a que o populacho do Bananão vem sendo submetido há tempo. Com a clareza de um diamante fino, entrega mastigado aos leitores as décadas de manobras matreiras que a camarilha vem tentando impor aos cidadãos.
Se depender dos que o lêem, no entanto, não passarão.

Segunda-feira, Julho 03, 2006

O DIABO EM PESSOA

Depois da tragédia ocorrida com a seleção nacional, curiosamente composta por "estrangeiros", que nem se lembram mais como é esse negócio de "vestir a camisa" sem que isso lhes adicione alguns milhões ao bolso - tanto que a grande maioria nem voltará ao país para sofrer com a zanga popular, indo direto para suas mansões européias e deixando a banana com o asinino técnico - nada como uma piada de texto brilhante para sepultar de vez a vergonha. Versa a dita sobre o Vosso Guia, o pé-frio molusco que, talvez antevendo a trolha com faro de sabujo, de modo pusilanime escapuliu de juntar sua imagem à da delegação de Gagalo & Barreira.

LULA MORREU

Lula morreu e Deus e o Diabo brigam porque nenhum dos dois quer ficar com ele. Sem acordo, pedem uma solução a mediadores, que decidem por uma proposta obrigatória: que ele alterne sua estada a um mês no céu e outro no inferno.
No 1° mês, Lula vai para o céu. Deus não sabe o que fazer: o metalúrgico bagunça tudo. Atrapalha todos os elementos de oração e da liturgia.
Dissolve o sistema de assessoria pessoal dos anjos, tenta formar uma coligação de maioria absoluta na base da compra de votos.
Suborna as nuvens.
Transfere um quilometro quadrado do céu ao inferno.
Nomeia arcanjos provisórios aos milhares.
Intervém nas comunicações aos Santos.
Troca as placas das portas de São Pedro.
Envia um projeto de lei aos apóstolos para reformar os Dez Mandamentos e dar anistia a Lúcifer, prevista uma gorda indenização pelos danos morais dos milênios de perseguição.
O céu vira um caos. As pessoas não o suportam mais e promovem piquetes e invasões. Deus não vê a hora de chegar o fim do mês para mandá-lo para o inferno. Quando Lula finalmente se vai, Deus respira aliviado. Mas lá pelo dia 20, começa a sofrer novamente pensando que em 10 dias tem que voltar a vê-lo. No primeiro dia do mês seguinte, nada acontece. No 5° dia, ainda sem notícias, Deus estava feliz, mas logo começou a pensar que, tendo passado mais tempo no inferno, Lula poderia querer passar dois meses seguidos no Paraíso.
Desesperado com essa mera possibilidade, Deus decide chamar o inferno por telefone para perguntar ao diabo o que estava acontecendo.
Triiim..., triim, triiiim!!! Demora mas ttende uma alma penada. Deus pede: "Por favor, posso falar com o Demônio?"
"Qual dos dois?" - pergunta o sofredor, "o vermelho com chifres ou o filho da puta sem um dedo?"

Terça-feira, Junho 20, 2006

SERÁ QUE SÓ ACM É CORAJOSO? CADÊ O RESTO?



Onde está a mídia brasileira, tão "zelosa" das "instituições democráticas", que não deu uma palavra sequer sobre este pronunciamento - para não chamar atenção para a sua existência, claro - onde ACM chama de LADRÃO, com todas as seis devidas letras em maiúsculas, ao vosso presidente (porque meu não é nem nunca será, pois votei no FHC) Lula?

Esse molusco invertebrado e "aquático" (quem vai discordar?) que acha que nos governa, enquanto delega a formulação da política que rege o futuro dos brasilinos a seres sinistros como Marco Aurélio Garcia, Márcio Thomaz Bastos e ZéDirceu (este meio escondido atrás dos arbustos que margeiam os negócios obscuros, viajando de jatinho por conta de uma vasta gama de ninguéns, que racham suas passagens).

Peitudo e corajoso, sem papas na língua, o velho caudilho ACM conclama os militares a escovarem suas fardas, lustrarem as condecorações e as botas e apresentarem-se para a batalha, que começou faz tempo mas cujos clarins ainda soam abafados para o pessoal da caserna, ensimesmado pela larga e delatéria campanha que os transformou de heróis em vilões, pecha que não devem jamais temer pois que redentores foram, ao rechaçar o movimento que nos teria jogado no caos há 40 e tantos anos atrás.

Louve-se, portanto ACM e os outros que ousarem sair de seu mutismo acovardado e denunciarem essa corja infame que, mais uma vez, e com aprovação do vosso governante, tentam jogar-nos em direção ao atraso e à divisão igualitária da incompetência, da preguiça e da incapacidade.

Prosperando o plano, nossos filhos serão funcionários públicos de mierda, enquanto os "chefes" viajarão para suas dachas no fim de semana, em suas limusines, enquanto que o povo f*@&$! vai ficar na fila do entreposto do "Governo" tentando trocar cupons por meio litro da mesma cachaça barata que embala o Grão-líder (que pelo menos nisso se mantém "popular").

Atenção, Generais e Coronéis!!! Chega de braços cruzados!

Como dizia aquele vermelhinho de boteco, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer"!

Tá na hora de fazer a hora!

Sábado, Maio 27, 2006

O POVO NÃO PODE ERRAR DE NOVO

Os brasileiros não podem se dar ao luxo de errar novamente e conceder à camarilha que governa o país a possibilidade de implantar aqui, se não o maior, um baita inferno, através de um plano que elaborado pela cabeça cheia de bosta de terroristas, ladrões e assassinos anistiados - e agora forrados com a grana do povinho - ser-nos-á fatal, em termos mundiais, a médio prazo.

A pressuposição de que agora "manda" na nação brasileira, por estar dando-lhe algumas migalhas assistenciais e que por isso pode sancionar qualquer coisa por absurda que seja, aliada à inacreditável avaliação expressa no relatório desta data do até agora arqui-inimigo, o FMI (que acha brilhante o crescimento projetado do PIB brasileiro para o ano de 2006, de avantajados 3,4% - enquanto a população cresce descontroladamente, para o lado do mal, ou seja nas comunidades mais carentes, a uma taxa quase que o dobro disso) faz com que fique embaçada a hecatombe que se aproxima, em meio às comemorações pífias das magras conquistas do futebol nacional.

Pois a soma da falta de educação do brasileiro (assinada em baixo pelo Grão Profeta e Provedor Máximo, Lula Primeiro) com sua mais arraigada característica, a de procurar tirar vantagem de tudo, para não dizer claramente ROUBAR, (aqui ressalvados alguns brasileiros puros do interior e poucos menos nas cidades), vai nos levar, sob o manto dessa mentiralhada torpe vendida como solução para esse mesmo povinho, ao caos mais sórdido, com a dizimação de todo o esforço dos governos anteriores que, durante quase 40 anos tentaram conduzir o país a algum lugar.

Afinal, para que aprender a ler, estudar, para que ter-se uma educação e preparar-se para o futuro se tudo pode ser dado pelo Governo do Messias dos Nove Dedos, sem esforço adicional?

A velha história de "ensinar a pescar" está prestes a ser apagada para a adoção da cartilha mais "justa", da fábula comunista moderna do "invade que eu garanto", que vem corroendo a propriedade privada em nome de uma fictícia "justiça social".

Os invasores de terras agrícolas - porção mais visível desse movimento de expropriação paulatina, orquestrado cinicamente pelo grupo de "pensadores progressistas" (que se instalou como consciência pensante do bufão, já que esse é reconhecido incapaz) - são meros especuladores rurais, que hoje invadem, amanhã vendem a terra ocupada e, já na segunda-feira, partem para uma nova invasão, como gafanhotos oficializados que só pensam em destruir o que já existe e funciona bem, como numa espécie de redentora "vingança" dos pobres contra os ricos. No discurso, pois em país sério, estariam mofando na prisão, se não mortos.

Avalizados por este sistema de governo tão burro quanto debochado, a massa esquece-se de que está destruindo suas mínimas possiblidades de evoluir, verbo que no Brasil só ocorre por força do empenho de gerações de empresários e investidores que arriscaram-se e se arriscam (claro que há pilantras, sim, mas os há, como bem temos visto recentemente, em TODOS os setores, principalmente no político) a enfrentar uma burocracia achacadora e quase intransponível, só pelo prazer de contar aos amigos: mesmo contra tudo isso, eu venci! O que de fato é, para qualquer pessoa minimamente versada na natureza das coisas daqui do Bananão, uma vitória incontestável, daí a "teimosia". Vencer e ter um bom resultado no Brasil vale muito mais do que em qualquer outro canto da Terra, tirando fora a África e o Polo Norte.

Tudo irá para o ralo em duas gerações, via destruição de coisas e de pessoas. Sem incentivo ao estudo, prevalecerá a lei do mais forte. Ou o mais armado, ou os mais numerosos. Como é muito fácil incitar massas na direção da tomada de coisas que almejam mas que não se dedicam a conquistar, tudo isso me vem cheirando a uma radicalização orquestrada, a uma cubanização tão burra quanto total, deste país.

E sob a égide do Vosso Comandante-em-Mula, que vai fazer a maior estátua de bronze do mundo representando a si mesmo, para fincar nos jardins do Planalto e poder observar-se como o maior salvador-da-pátria Universal, perto de quem Bolívar será apenas o nome de uma rua no Rio. O absurdo feito será (para ele mesmo) e de modo exponencial, engrandecido pelo fato de que, para alcançar isso, não ter precisado estudar nada.

Do lado de fora, a fome rugirá. Do lado de dentro, muitos charutos (agora nacionais), ron e cachaça em abundância, e todos elegantérrimos em suas fardas de "griffe", compradas no entreposto oficial exclusivo da nomenclatura, o Daslubrovnik Cubanmerkat.

Ainda há tempo, se os homens e as mulheres de bem alçarem suas vozes com indignação.

Enqunto isso não acontece, durmam com pelo menos um olho aberto.

Quarta-feira, Maio 24, 2006

FINALMENTE ALGUÉM COM "COJONES" NESTA TERRA!!!!
ELLEN GRACE PARA PRESIDENTE DESTA BOSTA!

A melhor notícia surgida nos últimos 3 anos aqui no Bananão, como copiei da FSP de hoje, como segue:

"24/05/2006 - 15h04
STF revoga decisão do TRF e mantém prisão de sanguessugas
da Folha Online

A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Ellen Grace, revogou a decisão de ontem do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, que havia determinado a soltura de todas as pessoas presas durante a Operação Sanguessuga da Polícia Federal. A operação investiga a compra superfaturada de ambulâncias com dinheiro do Orçamento da União.

Na decisão, Grace informa que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, reclamou que o TRF da 1ª Região "anulou as prisões decretadas em decisão alheia à sua jurisdição".

"Salienta que a documentação relativa ao possível envolvimento dos parlamentares citados nas escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal já foi encaminhada para instauração de inquérito neste Supremo Tribunal, estando sob cuidadosa análise da própria Procuradoria-Geral da República", diz despacho do STF.

O habeas corpus do TRF, concedido em favor do ex-deputado Carlos Rodrigues (ex-PL-RJ), se estendeu aos demais 43 suspeitos presos pela PF.

O TRF havia alegado que como as investigações alcançavam parlamentares, era preciso declinar da competência em favor do STF para processar e julgar todos os inquéritos que envolvem a operação. Com isso, todos os procedimentos investigatórios em curso na 2ª Vara de Mato Grosso seriam remetidos ao Supremo.

Hoje, representantes do Congresso se reuniram com o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. No encontro foi definido que as investigações sobre os parlamentares envolvidos no esquema seriam repassadas para a Procuradoria."

Até que enfim alguém está mostrando que sim, existe um resquício de dignidade no país e que nem toda a esperança deve se esvair, que há alguma chance de se colocar o Brasil fora da pole-position do deboche mundial.

Parabéns, Presidenta!!!

Quinta-feira, Maio 11, 2006

PÉROLA DOURADA DE OLAVO DE CARVALHO NO JB

O Grande-Guru da Lógica Nacional, bastião da inteligência em sua forma límpida e cristalina, OLAVO DE CARVALHO, brinda a manada petista com uma verdadeira aula de concisão e raciocínio.
Seminal.

Segunda-feira, Abril 24, 2006

PRECIOSIDADE

Não é sensacional apenas poder olhar para esta foto? Não há nenhuma necessidade de se falar nada, apenas buscar a lata de lixo mais próxima para poder vomitar sem maiores constrangimentos.

Bons tempos aqueles, de recursos fartos e ninguém desconfiando de nada.

Até que a PF resolveu enquadrar os tais 52 doleiros e a fonte secou...

O resto da novela todos conhecemos.

Domingo, Março 19, 2006

QUEM VAI BATER COM O PAU NA MESA?

Não sei se vocês tem acompanhado as notícias que nos chegam da pátria do aparvalhado gigante adormecido, a Escrotolandinávia...

Desculpem os termos, mas PÔRRA, CARALHO, PUTA QUE OS PARIU, quem é que vai tomar alguma providência naquele distante país, agora que o Residente Oficial e a camarilha que o cerca estão fazendo TODA a população - excetuados os zumbis do seu próprio Partido, deploráveis figuras - de BABACAS?

Desde que o presidente do SUPREMO TRIBUNAL de lá, autoridade máxima para quem pensa em JUSTIÇA, se bandeou (sic) clara e indiscutivelmente para o lado da turma funesta, não restou a eles a quem recorrer...

Uma segunda esperança técnica, o Ministro da Justiça de lá, pelo que se soube pelas agencias internacionais, é um títere balbuciante que, ao invés de justificar seu cargo, só articula desculpas e planos de ação esfarrapados, incapazes de convencer sequer a infantes. Ninguém, em sã consciência, o considera senão como o ganhador de tempo oficial, a serviço do Residente Oficial e seu bando de salafrários.

E é esse mesmo Ministro o que, quando lhe perguntam se a afirmação do Governo a que defende de que "2+2 são 5" é justa e verdadeira, baba e gagueja diante dos microfones da imprensa, olhos esbugalhados e saliva abundante, como se não acreditasse que jamais fosse precisar responder a pergunta tão insidiosa.

Pelo que ouvi, entretanto, tem treinamento de auto-ajuda poderoso e parece que basta um aperto adicional no nó de sua gravata, que se inflige a cada vez que vai sair do trilho da repetição encravada no seu cerebelo, recupera-se em tempo de corroborar qualquer versão oficial, afrontando não apenas a inteligência como a paciência de seus conterrâneos. Dizem que um caribu vesgo daria respostas mais diretas.

Lá na Escrotolandinávia, soube-se, há ainda no ataque contra os desmandos cometidos pelo governo, ralas fileiras de dignos representantes da imprensa, vários em processo de esbagaçamento intelectual definitivo (pois que nenhuma resposta direta obtém a qualquer pergunta direta que façam), verdadeiros heróis da resistência. Que ainda tentam, depois de muito esgrimarem com a folgada maioria de "colegas" formados pelas cartilhas da escola do Cubundistão, seus inimigos terríveis, chegar à verdade, se e quando finalmente admitida. São poucos e acompanham-nos, parece, roucas fileiras de economistas, filósofos e escritores de renome que parecem também irem perdendo as vozes diante da montanha alta da imbecilidade estabelecida. Se contra isso não sabem lutar, continuam não obstante ecoando nos penhascos escarpados.

Jornalistas que lêem e entendem já estiveram operativos no constranger das "autoridades" do Govêrno, com a apresentação minuciosa de fatos detrimentais à ordem, aos costumes, à democracia e ao bolso dos cidadãos, gerados pela administração e acólitos em regime de engorda - só o que, em qualquer outra nação decente já teria suscitado uma revolução, houvesse a quem recorrer - mostram-se céticos, no entanto, em chegar à verdade, combatida pelos canalhas envolvidos nas falcatruas à custa de mudez eloquente alternada à argumentação pestalózica.

São estes companheiros do Residente Oficial que agora, no ápice de seu descaramento, tentam vender para a parcela ingênua da população - calculada em mais ou menos 84% do total dos nacionais daquele país - a argumentação de que a corja é o grupo "pobre" dos envolvidos nas falcatruas de lá enquanto o grupo "rico" permanece trafegando impune pelas avenidas nacionais.

Coitados dos escrotolandinavos. Sem ter a quem recorrer, não podem fazer mais nada, senão chorar.

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

UMA IDÉIA, ALÉM DE BARATA, GENIAL

Um leitor do O Globo, a título de fazer graça, teve uma idéia super-híper-ultra genial. Transcrevo aqui em suas próprias palavras, que foram publicadas na seção de Cartas dos Leitores no último domingo, 5 de fevereiro:

BBB político

A Rede Globo poderia acertar com os candidatos à Presidência, para fazer o Big Brother Político. Eles ficariam confinados durante toda a campanha, falando dos seus programas de governo, e iriam sendo eliminados pelo povo. O ganhador seria presidente da República. Dessa maneira seria evitado o tal caixa dois, que continuará existindo, enquanto não houver punição. E o povo continua de bracos cruzados.

IONIO GAMBOA FREIRE

(via Globo Online, 3/2), Rio


É ou não é sensacional? A corja toda trancada lá dentro, mentindo pra cacête, fazendo articulações e alianças, altas intrigas, os sujeitinhos puxando o tapete, dando puxão de cabelo e dedo no olho, e nós aqui fora só manjando os caras.
Custo: zero pro nosso bolso. E ainda se arruma patrocinador pois meleca na TV sempre dá ibope.

Sr. Ionio, parabéns, o senhor matou a pau!!!

Terça-feira, Outubro 25, 2005

CONTINUA A SAGA DE CELSO DANIEL: MESMO MORTO, VAI SE VINGAR DO ZÉ DIRCEU

Replico aqui a matéria da Folha [de São Paulo] online de hoje, na íntegra:

25/10/2005 - 13h36
Rocha Mattos acusa PF de montar farsa para investigar caso Celso Daniel
ROSE ANE SILVEIRA
da Folha Online, em Brasília

O juiz afastado João Carlos da Rocha Mattos acusou nesta terça-feira, durante depoimento à CPI dos Bingos, a Polícia Federal e a Justiça de São Paulo de terem montado uma farsa sobre uma suposta investigação em relação ao tráfico de drogas em Santo André (SP) para investigar, na verdade, o assassinato do prefeito da cidade, Celso Daniel.

"O objetivo era investigar a prefeitura de Santo André e o PT", afirmou. Segundo ele, as 42 fitas gravadas na investigação estão hoje em poder da 4ª Vara da Justiça Federal e a CPI pode requisitar as fitas e comprovar a autenticidade de seu depoimento.

Mattos, que está preso desde novembro de 2003, afirmou ainda que nas gravações feitas pela PF fica demonstrado um esquema montado pelo PT para encobrir os crimes cometidos na Prefeitura de Santo André. Ele disse que o chefe-de-gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e o ex-secretário da prefeitura de Santo André Klinger Luiz de Oliveira eram os articuladores do esquema.

"O Gilberto Carvalho era o contato do José Dirceu. Era o Gilberto quem coordenava a parte jurídica do esquema. Nas fitas, não havia qualquer gravação direta com os irmãos de Celso Daniel, mas havia várias citações, eles estavam preocupados com as declarações dos irmãos do ex-prefeito."

A preocupação dos petistas ia além dos irmãos de Celso Daniel. Segundo Rocha Mattos, Klinger ou Gilberto Carvalho instruíam a namorada do ex-prefeito, Ivone Santana, a se "comportar como uma viuvinha sofrida".

Terça-feira, Outubro 04, 2005

JOELMIR BETING, PROFÉTICO E DELICIOSO

"O PT começou como um partido formado por presos políticos e pode acabar como um partido formado por políticos presos."

CADÊ OS MILITARES QUE QUEREMOS VER NAS RUAS?

De tudo o que está acontecendo, o que mais vem me preocupando hoje é o estado "descansado" dos militares brasileiros, sem declarações públicas, sem nenhuma manifestação acerca de que Instituições como o Senado e a Câmara dos Deputados tenham de ter mantidas suas dignidades, ou mesmo de que "as cadeias de comando tem de ser preservadas".

Acho que de tanto serem apedrejados pela propaganda sistemática contra eles, levada a cabo implacavelmente na e pela imprensa ao longo destes 41 anos, nossos verdadeiros nacionalistas podem estar demorando mais do que o desejado pela população para acabar com a criminosa farra dessa lamentável corja de comunistas que, além de transformar mentiras deslavadas em manchetes dos jornais, vem solapando e destroçando sem piedade o que resta da cidadania com sua desfaçatez.

Agora, e ironicamente, sob o manto protetor (sabe-se lá como foi tecido) dos filhos de um homem de bem, de fibra e combativo, sempre do lado da inteligência, Roberto Marinho. No mínimo, como fruto da desídia destes, ao deixarem de cuidar do grande patrimônio idealístico paterno, entregando o outrora lúcido dom de sua palavra, de bandeja nas mãos sedutoras e lábias convincentes dos mesmos militantes esquerdistas que tanto o combateram no passado por fazer-lhes barreira por sua própria convicção, hoje desonrada pela prole mais preocupada com o conforto pecuniário e alguns luxos momentâneos, que lhes serão em breve usurpados, a continuar o ritmo de agora.

Haveria pudor de se colocar algumas mortes, se necessárias, na contabilidade das forças da razão? Se, em termos históricos, não há reação contra uma tomada de poder sem escaramuças mínimas, sem eventuais radicalizações, porque o receio?

Afinal, para implantar as revoluções comunistas na Rússia e na China, MILHÕES de pessoas que não concordavam em se submeter morreram pelas mãos desses porcos em sua luta cega, surda e muda. Porcos comunistas que ainda têm o desplante de achar que o General Pinochet e seus companheiros, que transformaram o Chile no único país civilizado da América do Sul, tendo tido a necessidade de eliminar cerca de 2000 inimigos de suas competentes convicções, sejam ditadores sanguinários. Os militares chilenos não jogariam nem num campeonato de dentes-de-leite nessa categoria!

São esses mesmos comunistas que querem, a partir dos planos de José Dirceu e seu risível - sob qualquer aspecto analisado - fantoche Lula, subjugar o Brasil, sob o pretexto populista e muito popular de "redistribuir renda" e de "acabar com a miséria e com a fome". Um tão belo quanto vazio discurso, sem nenhuma executabilidade por parte desse time de incompetentes, bem mais interessados em sangrar empresas públicas em transações tenebrosas* e enriquecer seus cofres para uma perpetuação no domínio dos brasileiros de pobre inserção cultural (a grande maioria da população), que adoram reconhecer as próprias limitações nos seus líderes de momento.

Péssimos são os exemplos dados ao povo pelos membros da cúpula do governo e pelo seu dito "núcleo-duro", seus amigos, parentes e acobertados, dentre eles uma quantidade vasta de Deputados e outros escolhidos para esse orgiástico festim (já digno de ser expurgado dos livros de história, financiado com a grana do mesmo povo que, a despeito da esperança depositada nas palavras de seus colegas operários e humildes, continua tão miserável como sempre, iludido com a propaganda de sempre e fadado a assistir, junto às latas de lixo, às traquinagens dessa turma de espertalhões da palavra que, ao invés de trabalhar para minorar-lhes a desgraça, se lambuza como nunca.

Para acabar com tamanha dilapidação da honra nacional clama-se, mais uma vez, pelos guardiães da moral e detentores da força. Só a estes o povo pode recorrrer, antes que a situação fique mais negra do que já está.

Pelos antigos ideais, pela devolução ao povo de seu orgulho de ser brasileiro, pela recuperação das Instituições Nacionais e acima de tudo, pela Ordem,
que nossos militares enverguem já suas melhores fardas e, com suas condecorações por bravura fulgindo pela reconvocação a tão nobre missão, acabem mais uma vez com essa insidiosa tentativa de entregar o país a essa criminosa incompetência comunista e tupiniquim. Pois que até a China, tendo cumprido tal etapa - tão macabra quanto ineficiente - já se deu conta de que esse caminho é cego e voltou-se para a verdade da concorrência como verdadeiro fiel da competência.


(*):
aquelas que o eterno tolinho Chico Buarque caracterizou em verso e que hoje devem deixá-lo roxo de vergonha ao constatar quem as vem praticando, só faltando exilar-se em retiro auto-imposto para a felicidade geral d'ambas nações, em Cuba, essa pátria perfeita à qual deveria adotar de pronto, lá morando para sempre.

Quarta-feira, Julho 13, 2005

O QUE INTERESSA MESMO

Agora que cairam as máscaras dos dirigentes "históricos" do Partido dos Trabalhadores - essas figuras vendidas aos incautos, há anos, como impolutas e éticas, hoje enredadas nas malhas deste inexplicável "imbroglio" financeiro montado para sangrar empresas estatais e irrigar o apoio de algumas dezenas ou uma centena de picaretas do Congresso (o próprio presidente Lula, no passado, contabilizava-os em trezentos), que estiveram ou ainda estão à frente de importantes postos da administração pública federal no atual governo - nota-se que eles estão muito próximos de ver suas carreiras até agora declaradamente "limpas", esvaírem-se pelo ralo da vergonha final na direção da fossa comum das "falcatruas" e dos "escândalos", que tanto e tão diligentemente denunciaram enquanto foram oposição a outros governos, ao menor sinal de irregularidades.

Talvez apenas por "bravata", como declarou há algum tempo um destacado líder do partido, para justificar a oposição a tudo e a todas as idéias que não se originassem do PT. Ou seja, a projetos que tivessem alguma relevância efetiva para a vida nacional.

Diante dessa proximidade com crimes financeiros diversos, com tráfico de influências, com nomeações espúrias e com subornos (palavra que vem sendo de todo evitada pela imprensa em geral, sabe-se lá o porquê) na compra de votos no Congresso, além de outros etceteras, todos ainda em fase de apuração oficial a despeito das certezas que a população já acumulou, por que motivo não se cobra com veemência, das autoridades constituídas para isso - principalmente do Sr. Ministro da Justiça, o chefe de todas as polícias -, uma explicação imediata, pontual e definitiva para o caso do tão noticiado quanto mal elucidado assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, notório (ex-)amigo do Presidente da República? Sua execução não foi esclarecida até agora, principalmente, acho, por ter como agentes suspeitos de seu mando a mesma banda de dirigentes do PT hoje envolvidos com os correntes (porém menos graves) problemas, já que o que estamos tratando aqui é de um assassinato, e com indícios fortes de ter sido premeditado.

Segundo a parte da imprensa que não se interessa em ocultar a verdade para agradar ao governo, tratou-se, tudo indica, da eliminação sumária de uma testemunha indesejável - que fazia parte, historicamente, do próprio PT - que se afigurava então "nefasta" aos interesses monetários imediatos do partido (ou de parte deste, concedo, pela argumentação apenas). Tratou-se de uma "queima de arquivo" (à feição de crimes semelhantes praticados por bandidos de grande periculosidade), só que, segundo os jornalistas que investigaram o caso, antecedida de uma infrutífera tentativa de se conseguir, via tortura - a mesma tortura tão detratada historicamente pelos petistas quanto considerada "... força galvanizadora dos espíritos revolucionários dos companheiros que lutaram contra a ditadura ..." - que Celso Daniel entregasse, aos seus assassinos, suposto dossiê no qual juntara provas irrefutáveis contra ex-companheiros de partido, agora algozes, envolvidos então com todo um cardápio de maracutaias locais.

Ao Presidente da República cabe extirpar definitivamente o cancer dessa dúvida. Se pretende cortar na própria carne, como declarou que faria, e com isso demonstrar que não teme a verdade, chegou a hora do Senhor Luis Inácio Lula da Silva honrar a réstia de credibilidade ainda associada à sua trajetória, seu nome e seu cargo. E, bisturi na mão, lancetar este tumor que, deixado como está, permitirá que o corpo petista e sua manifestação máxima, a própria presidência da nação brasileira - o mais alto cargo da República, que hoje ocupa - venha a falecer por via de uma inexorável septicemia.

A apuração rigorosa desse episódio, e agora, é tudo o que nos interessa.

Domingo, Junho 12, 2005

O SEVERINO QUE VAI MUDAR A CARA DO BRASIL

Tenho deixado algumas pessoas de cabelos em pé quando digo que uma das melhores coisas que aconteceram no país ultimamente foi a vitória e a ascensão de Severino Cavalcanti à presidência da Câmara dos Deputados (ou seria aquela uma "Câmara de Putaços", já com a devida vênia dos honestos de carteirinha que lá militam, certamente uma mui pequena minoria). Antes que me joguem no Hospital Pinel, explico o porque dessa minha teoria. Senão vejamos:

1. Respondam rápido: a situação política geral estaria melhor ou pior (pré-crise jeffersoniana) se o presidente da camara tivesse sido Luiz Eduardo Greenhalg, que certamente obraria para que o partido governista e sua coligação de forças passassem naquela casa TODAS as votações de interesse do grupo governista? Resposta mais rápida ainda: muito pior, pois não haveria muita chance da oposição impedir tais votações ou votar contra, pela quantidade de acordos de lideranças, votos em comissões, e outras dezenas de manobras regulamentais que Greenhalg poderia conceder. A vitória de Severino serviu para mostrar a todos a incompetência mal disfarçada do PT, em qualquer frente que não seja a da bravata política, do emperramento de votações de medidas que jamais conceberia propor, do atraso e do aparelhamento do estado. Depois de Severino, essa incapacidade ficou bem exposta, num exemplo claro que persiste até o dia de hoje, martelando as cabeças dos petistas com aquela pergunta: "puxa, como fomos deixar isso acontecer, *#%$#@!* ?"

2. A ascensão dessa figura única e caricata de Severino ao cargo máximo congressional - sendo nada menos o terceiro homem mais importante na hierarquia do país, logo após o Presidente e seu Vice (fator esse aterrorizador, em caso de uma eventual ou acidental vacância dos cargos imediatamente superiores)- permitiu a TODOS os brasileiros que tomassem contato DIRETO, de maneira CRUA e SEM SUBTERFÚGIOS, com a realidade de que é feita a política nas casas do Congresso: TUDO ali é pago, tudo é negociado, tudo é sujo, tudo é pérfido, tudo é objeto de conchavos.
As moedas vão da nomeação de aliados para cargos de Ministros, Secretários, Diretores de Estatais, e daí baixando consecutivamente até o terceiro e quarto escalões da administração pública, num emaranhado de influências nocivas e que emperram barbaramente a eficiência do que deveriam ser entidades que melhorariam a vida do cidadão normal, até o vil metal (grana, bufunfa, capim, dóla, moni, jabaculê, etc etc), passando, ia eu esquecendo, pelas nomeações cruzadas das amantes de uns nos gabinetes de outros, em cargos de boa remuneração e prestígio, de forma a que as ditas cujas concubinas não pesem sobre as verbas que cada um recebe, ficando a conta de toda essa festa para o bobalhão do cidadão comum, você, eu, por aí.

Junto com a rudeza de Severino, que logo na primeira semana no posto deu um trompaço no Presidente Lula com relação a uma votação de interesse do Governo, desvendou-se sua forma característica de demonstrar o que seria necessário para que se aprovasse alguma coisa ali no seu novo e produtivo feudo: pediu a Lula um ministério para seu partido, em frente a todos os órgâos de imprensa, falada escrita e televisada, como se estivesse num banco de praça, aos nove anos de idade, trocando figurinhas em duplicata com seus amiguinhos para completar seu album. Diante da negativa apropriada do Presidente, passou a exigir, como moeda de barganhas políticas, uma diretoria da Petrobrás. Em frase antológica, denotativa da sua total aversão às coisas feitas por baixo do pano, teria exigido da Ministra das Minas e Energia, segundo essa mesma imprensa noticiou, "a Diretoria que fura poço e acha petróleo", sua melhor verbalização para falar que estava atrás de algo que rendesse DINHEIRO, direta ou indiretamente, como sempre ocorreram as coisas nesse templo máximo da corrupção dos valores morais que esse Severino preside.

Esse mesmo Severino, por não querer ou não saber disfarçar sua forma de negociar, é que expõe, de forma inequívoca e traumatológica, o que há de fato por trás dos cargos congressionais, essa fabulosa rede de interesses pessoais e setoriais, disfarçada de uma bela e casta assembléia na qual os "defensores do povo" propugnam por seus eleitores e representados, mas que, na realidade só se interessa em defender, e, para lá de melancolicamente, às custas de seus "defendidos", seu pirão primeiro.

Chico Anísio, grande comediante brasileiro, com seu personagem máximo, o corrompido e veraz político Justo Veríssimo, há anos atrás já prenunciava o que Severino hoje nos transmite abertamente com suas ações esclarecedoras: que ali não é lugar senão para falcatruas das mais cabeludas, a beneficiar essa classe superior de seres inferiores, e como nas palavras diretas do político televisivo, quando perguntado o que seria do povo, respondia: "O POVO QUE SE EXPLODA!", em alusão rimada a frase semelhante e impronunciável em programa de TV.

Com o "belo" e educativo - para as massas - exemplo proporcionado por Severino, acho que poderemos, em futuro próximo, aspirar que esse nosso povo, tão sacrificado pelos impostos que é obrigado a pagar para financiar essa festa da qual nunca participou, vote em criaturas menos nefastas para a vida nacional.

Isso não é tão garantido quanto as convocações extraordinárias para se votar durante o recesso (férias), com salários dobrados, o que não se votou durante o ano regulamentar, mas, nunca se sabe, pode ser o começo.

Talvez agora, diante de minha longa explanação, impossível numa roda de conversa, meus detratores me permitam ficar um pouco na janela sem a camisa-de-força.

Quinta-feira, Junho 09, 2005

ARTIGO PARA REFERENCIA E CONSULTA - A POLÍCIA BANDIDA

Posto aqui texto de Rodrigo Constantino, de 9 de maio passado, no impecável site "Mídia Sem Máscara", para depois voltar para comentar a transformação da polícia ordinária, em oposição à particular, em "ordinária".


"Justamente onde deveria estar concentrada a função básica do Estado, estamos vendo uma gradual privatização pelas forças naturais do mercado. Claro que trata-se da segurança, função precípua da formação do Estado, que deveria proteger as propriedades individuais. Mas as leis de oferta e demanda não são alteradas pelo desejo do governo, e quando este é completamente incompetente em suas funções básicas, parece evidente que o mercado, ou seja, os indivíduos livres, arrumem um jeito de suprir essa necessidade. É o que vem ocorrendo no Brasil nos últimos anos.

A indústria de segurança privada vem lucrando cada vez mais, pois o cidadão e as empresas sabem que a montanha de impostos pagos à força para o Estado, objetivando principalmente a segurança do povo, somem no mar de corrupção e gastos explosivos do governo. Segundo o IBGE, as empresas de segurança empregavam, em 2002, mais de 46 mil pessoas somente no Rio de Janeiro. Estimativas apontam, entretanto, para a existência de um "exército" irregular de cerca de 60 mil homens, atuando ilegalmente no estado. Em alguns casos, o policiamento privado é realizado por um efetivo quatro vezes superior ao oficial da Polícia Militar. A despeito dos escorchantes impostos pagos, houve uma privatização do setor de segurança, fruto da necessidade crescente de proteção dos indivíduos, enquanto o governo é totalmente inoperante em sua função básica.

Segundo algumas fontes, algo como 80% dos policiais cariocas fazem "bico" durante as folgas, trabalhando clandestinamente como seguranças privados. Qual a causa disso? Parece óbvio que ela está, principalmente, no nosso modelo de Estado, que é inchado, centralizador, paternalista, clientelista, assistencialista e corporativista. Com os gastos públicos estratosféricos, um discurso sempre em prol da "justiça social", um Estado que absorve a maior parte do crédito disponível no mercado, que paga salários mais elevados que os do setor privado, emprega gente demais e mantém uma previdência falida, claro que não sobra muito para se investir onde deveria ser justamente o foco do Estado, na segurança. Temos um governo no pior quadrante possível entre tamanho e força, sendo grande demais o seu escopo, e fraco demais na função de protetor do império impessoal da lei. Brasília confisca a maior parte dos impostos nacionais, em um modelo anti-federalista onde a concentração é total, criando uma enorme dependência dos estados ao poder central, e afastando o controle do povo local. O governo é dono de inúmeras estatais, tem ministérios demais, mantém uma burocracia gigantesca, gasta bilhões com juros, causados exatamente por esse modelo estatal, e ainda cria infinitos programas assistencialistas que apenas aumentam a já escandalosa carga tributária. Não sobra muito para cumprir bem sua tarefa principal, a segurança.

Assim, o policial fica com salários irrisórios, já que o montante enorme arrecadado pelas diferentes esferas do governo vai para outros lugares, como os altos salários dos burocratas de Brasília, o custo estupendo da máquina inchada estatal e programas assistencialistas ineficientes que visam à propaganda política. Isso sem falar dos paraísos fiscais, destino comum para os impostos, já que o modelo de Estado inchado estimula a corrupção. É natural que o policial vá buscar ganhos extras no mercado, carente de segurança por conta da ineficiência estatal. Há demanda, e há oferta. Impossível não sair negócio, queiram ou não os burocratas do governo. Essa privatização forçada da segurança é uma resposta natural à inoperância do Estado. O fato da maior parte das contratações ser informal também é culpa exclusiva do Estado, pois os encargos sociais monstruosos, impostos abusivos e burocracia asfixiante levam naturalmente patrões e empregados a fugirem da legalidade proibitiva.

Se o governo realmente pretende atacar o problema da segurança, deve reduzir seu tamanho drasticamente, diminuindo gastos sociais, demitindo funcionários públicos, privatizando estatais e a previdência, acabando com vários ministérios inúteis e declarando guerra à burocracia. Precisamos de um choque liberal. Mas o brasileiro acaba pedindo mais Estado para cuidar de um problema causado justamente pelo avantajado tamanho do Estado. Este precisa ser substancialmente reduzido, para assim investir no que lhe cabe, tendo a força necessária para impor o império da lei, mantendo a ordem e protegendo as propriedades privadas. Caso contrário, vamos continuar em uma tendência nefasta, de aumento da já absurda carga fiscal, concomitantemente ao aumento do contingente ilegal de seguranças privados. Enquanto impostos aumentam, o governo desarma a população civil inocente e a informalidade explode, a violência reina nesse país, que vive uma verdadeira guerra civil, fruto de um modelo falido de Estado grande e inoperante. Resta ao povo juntar o pouco que sobra depois dos absurdos impostos e pagar por fora por sua segurança. Tanto foi estatizado, que a principal tarefa do Estado acabou sendo privatizada!"

Quinta-feira, Abril 21, 2005

IMPOSTOS: INÍCIO DA REAÇÃO?

De que adiantam os avanços obtidos nas diversas frentes pelos setores privados brasileiros, com recordes sobre recordes em exportações, em produção, em aperfeiçoamento técnico e desenvolvimento de novas tecnologias, modernização de modo geral, se tudo isso é barrado por uma carga de impostos que chega às raias do inacreditável?

Desnecessário dizer o que ocorreria com o Brasil em termos globais, se essa aleijante carga de impostos, taxas, tributos, contribuições e outros palavrões que detestamos ouvir, fosse rebaixada e ao invés de financiar a máquina governamental (e os seus tentáculos "necessários", os Poderes Constitucionais, todos tão em baixa com a população) que nada devolve aos cidadãos exceto vergonha e desesperança, permitisse que aflorassem de pleno o reconhecido e corajoso empreendedorismo dos brasileiros, a sua competência, a sua criatividade.

O que se vê, no entanto, é uma monstruosa sanguessuga que acoplada à jugular da iniciativa privada, mina-lhe a capacidade de respirar, competir, florescer, crescer e consolidar sua participação no PIB nacional, melhorando a vida do povo por óbvia decorrência. A arrecadação crescente só serve para alimentar a mais completa desordem e incompetência administrativa do governo, e os déficits intermináveis da Previdência, as folhas de pagamento das autarquias infladas por parentes e beneficiários de toda a espécie, e mais, às mamatas, desvios e inoperâncias de máquina propositalmente enferrujada por seus próprios operadores para que ninguém possa conduzi-la, em monumental desperdício do tempo, do dinheiro, dos materiais e principalmente, da paciência e da tolerância do brasileiro, o sempre iludido financiador, compulsório e acovardado, da conta dessa bacanal.

Uma iniciativa como a de agora, da Associação Comercial de São Paulo, ao lançar o Impostômetro, artefato público que vai colocar a nu o quanto a máquina governamental - a sanguessuga - leva dos brasileiros, deve ser respeitada e vista como o início de tímida reação da sociedade, exaurida de ver parcelas relevantes de seu sucesso e sua assunção de riscos pessoais - ao criarem e manterem negócios nesse ambiente tão hostil - serem dragadas para financiar a incompetência e a falta de honradez deste Governo Lula/PT.

Quem sabe não se poderia adicionar ali uma aba lateral que medisse também o grau de impostura dos membros da nossa dedicada Corte? Afinal, não é um Impostômetro? Não dava pra botar também um Imposturômetro?

Mas, delicioso mesmo seria poder ler em grandes letras na parte de baixo do painel:

"O MINISTÉRIO DA FAZENDA E A RECEITA FEDERAL ADVERTEM: O Governo faz mal aos brasileiros."

Quarta-feira, Abril 06, 2005

PRIMEIROS CONTRATADOS


Aqui estão os primeiros contratados, que se apresentaram ontem, muito preocupados com a chacina de Nova Iguaçu da semana passada. Podem ser vistos na foto (clique para ampliar) recebendo seu material, antes de ser feita a redução no cano e na culatra que lhes permitirá portar o canhão de forma menos indiscreta.
Ranulpho Catranco, à direita, mostra exemplar do cartucho a ser usado, enquanto Sizínio DeBlast segura a "vingadora", como ele a chamou.
Segundo nossa proposta, Ranulpho é portador de severa pancreatite e Sizínio atualmente passa por agressiva radioterapia. Suas primeiras palavras, muito parecidas na forma, foram algo como "preferimos morrer atirando"!

Um belíssimo exemplo de desprendimento e cidadania.

Quarta-feira, Março 09, 2005

ATENÇÃO, CANCEROSOS E OUTROS DOENTES TERMINAIS! ESTAMOS CONTRATANDO

Procura-se pessoas em fase terminal de doenças incuráveis, que possam locomover-se sem a ajuda de terceiros. Paga-se muito bem para o desempenho de tarefas simples mas que poderão resultar eventualmente na morte do contratado.

Não é necessário treinamento, apenas determinação e desapego. As tarefas levadas a cabo com êxito levarão os Contratados a fazer jus a prêmios pecuniários especiais, tornando-as uma excelente maneira de deixar dois tipos de legado:

a. o de valor finito: representado pelo montante que cada Contratado puder amealhar entre o salário e os prêmios citados. E que, em caso de fatalidade, pertencerá aos seus herdeiros legais ou a quem determinar, na forma da lei.

b. o de valor inapreciável: na medida em que devolverá ao povo carioca dois bens que lhes foram tirados há duas décadas. As suas tranqüilidade e orgulho.

O trabalho é muito simples e perfeitamente legal: trata-se de matar bandidos em legítima defesa.

Como não é exercido pelo Estado por falta de capacidade operacional, de iniciativa e de inteligência, cabe à iniciativa privada, ora denominada Contratante, implementar as medidas para que haja a recuperação das mínimas condições de habitabilidade do Estado do Rio de Janeiro.

A Contratante encarregar-se-á de munir os Contratados com armas de grosso calibre, devidamente municiadas, legalmente registradas no Ministério do Exército, armas estas pertencentes a colecionadores que as emprestarão sem ônus de qualquer espécie, para o desempenho das tarefas determinadas pela Contratante, sem nenhuma obrigação por parte desta de indenizar àqueles em caso de sua inutilização, roubo ou extravio.

Aos Contratados caberá, isoladamente ou em grupos, ficar de bobeira qualquer lugar do Estado (desde que ao ar-livre), seja este uma rua, praça, veículo, etc., com as armas engatilhadas e prontas para seu uso imediato e de surprêsa em caso de tentativa de assalto ou ataque por parte de malfeitores de qualquer tipo. A sua ação esperada é a de, após ter sido ameaçado por algum atacante portando arma de qualquer natureza, disparar a arma de fogo à menor distância cabível, preferencialmente na cara do indigitado, de forma a causar o maior dano possível.

A Contratante não participará da montagem de nenhuma estratégia prévia no sentido de estudar, localizar, orientar, determinar, coordenar ou concatenar qualquer espécie de ação, cabendo exclusivamente aos Contratados escolherem a forma pela qual lograrão atingir seus objetivos. Será responsabilidade da Contratante, no entanto, a filmagem profissional completa da atuação de cada Contratado, de maneira a garantir-lhes, caso necessário seja, prova indubitável de que agiram estritamente em legítima defesa.

O objetivo final dessa empreitada é fazer com que os meliantes armados que hoje abordam pessoas em qualquer parte do Rio de Janeiro, a qualquer hora do dia ou da noite, passem a sentir-se desestimulados a fazê-lo tão impunemente. E que percebam que poderão estar correndo o risco de ter sua cabeça explodida por uma de suas aparentemente inofensivas vítimas.

Como a simples existência da dúvida leva as pessoas a pensarem duas vezes, deixando de agir por impulso maléfico, acredita a Contratante que, após a ocorrência e a divulgação pela grande imprensa dos primeiros dez casos de reação com morte ou inutilização grave, a taxa de incidência de crimes desta natureza deverá baixar consideravelmente, devolvendo à população grande parte da sua tranqüilidade, que hoje não existe.

Lembramos que em caso de falecimento por qualquer motivo durante as ações objetivas, os Contratados receberão uma Homenagem Póstuma Solene, composta de uma missa seguida de uma passeata pela principal via da cidade onde vierem a sucumbir. Em seguida e ainda como parte das homenagens haverá a fixação de uma placa de bronze com seu nome, no Panteão dos Heróis Civis do Rio de Janeiro, que ficará em local público e aberto à visitação gratuita na capital do Estado.

Cartas para o email ao final deste anúncio.

Sexta-feira, Março 04, 2005

DA SÉRIE "EU NUM DISSE?"

[esta transcrição é só para demonstrar como, desde o início do caso - MEU PRIMEIRO POST SOBRE ISSO FOI EM 31 DE JANEIRO DE 2002 e está lá nos arquivos, minha sensação quanto à figura do assessor Sombra era a pior possível. Aqui está a seqüência dos fatos...]

Caso Celso Daniel

Denúncia contra Sombra, vereador e empresários é aceita

por Claudio Julio Tognolli

O Ministério Público de São Paulo já comemora uma decisão que será anunciada no fim da tarde desta sexta-feira (4/3): o juiz Iasin Issa Ahmed, titular da 1ª Vara Criminal de Santo André, acatou denúncia contra o vereador Klinger Luiz de Oliveira Sousa (PT), os empresários Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, Ronan Maria Pinto e Humberto Tarcísio de Castro, no caso da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Eles são acusados de concussão (extorsão praticada por funcionário público) e formação de quadrilha.
Será a primeira vez que a Justiça acata integralmente tese sustentada pelos promotores, como por exemplo Roberto Wider Filho, de que o caso Celso Daniel está conectado a uma suposta caixinha de campanha política. Na denúncia, os promotores empregam fartamente os vocábulos “propina e caixinha” a partir de empresas de ônibus de Santo André.
O MP paulista está em clima de festa porque, nos últimos passos dados, a Justiça não havia acatado integralmente o que os promotores postulavam. Por exemplo: o Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu, em 29 de junho de 2002, por maioria de votos (2 a 1), o pedido de prisão preventiva de seis acusados de comandar um suposto esquema de corrupção na prefeitura de Santo André. Mas deixou de expedir mandados de prisão contra o vereador e cinco empresários: Ronan Maria Pinto, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, Irineu Nicolino Martin Bianco, Humberto Tarcísio de Castro e Luiz Marcondes de Freitas Júnior. A defesa do vereador e dos empresários comemorou a decisão, na ocasião.
Em nota enviada à revista Consultor Jurídico, o empresário Ronan Maria Pinto disse que está confiante na Justiça e que provará sua inocência. “Vou enfrentar mais esse desenrolar processual com a mesma serenidade de sempre, pronto a comparecer e a fornecer todas as informações solicitadas, como venho fazendo habitualmente”, afirma o empresário.
“Não tenho o que temer, quero apenas ver esses assuntos resolvidos de uma vez por todas. São de tal despropósito e descabidas essas acusações que buscam me envolver que, quanto mais profundas forem as análises judiciais, melhor. Será demonstrada minha inocência e comprovado o erro e a motivação real das denúncias que foram feitas inicialmente”, diz.
Argumentos
De acordo com denúncia do Ministério Público, todos os acusados teriam envolvimento com a contabilidade paralela instalada em setores da administração municipal, entre 1997 e 2002.
A tese do MP é a de que o prefeito foi morto porque tentou desmantelar a quadrilha que agia na sua administração. Segundo os promotores, Gomes da Silva seria o elo entre os membros da quadrilha e a Prefeitura. A decisão foi concluída por maioria de votos.
Em julho de 2002, promotores de Justiça requereram a prisão preventiva dos acusados. Eles foram denunciados por formação de quadrilha e concussão. Mas o juiz Iasin Issa Ahmed, titular da 1ª Vara Criminal de Santo André, decidiu que naquele momento do processo era "desnecessária a prisão dos denunciados".
O ex-prefeito de Santo André foi seqüestrado no dia 18 de janeiro de 2002, em São Paulo, depois de sair de um restaurante. O corpo de Celso Daniel foi encontrado dois dias depois em uma estrada de Juquitiba, na região metropolitana.
Revista Consultor Jurídico, 04 de março de 2005

Quarta-feira, Agosto 18, 2004

PARA AQUELAS PESSOAS QUE JÁ TEM TUDO, MENOS SEGURANÇA

Finalmente no Brasil, o objeto do desejo de todas as pessoas bem sucedidas!
Falamos de um item único, exclusivo enquanto seu, de funcionamento muito simples.
Podem até tentar imitar, mas o seu será sempre, e exclusivamente,
O SEU !
Também para presentear com originalidade àquelas pessoas de bom gosto, para quem, a cada ano, fica mais difícil arrumar um presente original e você está sempre quebrando a cabeça para lhes dar algo criativo e diferente, que ainda não tenham comprado numa viagem ao exterior.

Estamos lançando uma novidade que vai deixar a todos surpresos e satisfeitos, pela genialidade e simplicidade, total eficácia e custo atraente, que vai transformar sua vida de imediato!
De fácil utilização, tão cedo você não vai precisar de outros dispositivos semelhantes para a sua paz e tranqüilidade: sem mais delongas, apresentamos a todos o mais revolucionário conceito de proteção para sua integridade pessoal, contra qualquer tipo de ataque que você poderia vir a sofrer contra sua pessoa, seus familiares ou o seu patrimônio.

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Obs: Estes últimos itens e acessórios não estão incluídos no preço básico.

Deixamos aos clientes, no entanto, total liberdade na escolha das indumentárias de seu(s) Robbies, de modo a adequá-lo(s) devidamente ao seu estilo de vida pessoal
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Segunda-feira, Agosto 16, 2004

QUANTO (OU O QUÊ) FALTA?

Essa é a pergunta que não sai da minha cabeça. Quanto (ou o quê) falta para que o Governo Federal pare de se fingir de morto e decida por uma Intervenção Federal no Estado (absolutamente lastimável) do Rio de Janeiro?

Algum medidor deve haver, tenho a esperança. Algum termômetro, algum contador, algum parâmetro deve existir, mencionado em algum manual de governo ou jurisprudência esquecida ou algum sistema de metas. Pois o puro bom senso, esse já foi atropelado faz tempo.

Seres humanos estão morrendo no Rio de Janeiro como se fossem bactérias, vírus, microcriaturas com as quais, na maioria dos casos, ninguém se importa e até se deseja que sejam aniquiladas. Nem mesmo os animais - que hoje, dado o paroxismo reinante, são protegidos por lei e em alguns casos sua morte é punida por sentenças inafiançáveis - estão morrendo tanto e de maneira tão desprezível.

Então, com o que devemos comparar as milhares de vítimas anuais da violência que come solta no Rio? A fungos? Ao bolor? Ou a microorganismos semelhantes, já que para o Governo Estadual elas tem tanto valor quanto um pouco de môfo numa roupa que não se usa senão nos dias próximos às eleições?

Então, que me respondam: quantos milhares mais de cariocas e fluminenses precisarão continuar morrendo vítimas da violência desenfreada que grassa no Estado do Rio seja nos bairros mais nobres, seja nos grotões de miséria dos mais distantes, para que se tome uma atitude de verdade? Quantas crianças ou velhos mais, mortos por balas perdidas, quantas mais professoras ou alunas assassinadas, quantos mais militares ou policiais, quantos pais e filhos mais, quantos mais "o que" precisamos, para que isso seja definitivamente cuidado? O que determinará o ponto de ruptura?

Será necessário que morra algum membro da casta dominante neste país, um político, talvez? Do partido do Governo Federal, o PT, talvez? De expressão nacional, talvez? Ou teria de ser a mãe de algum um desses? Ou um filho? Alguém arrisca a resposta?

O ministro José Dirceu, em visita ao Rio no dia 10 de agosto, teve seus trajetos terrestres traçados cuidadosamente pela Polícia Federal, de modo a não passar por trechos considerados de risco para sua integridade física.

E nós que aqui moramos e trabalhamos e produzimos e pagamos impostos e que para isso trafegamos, circulamos, nos expomos todos os dias do ano por toda esta cidade, este Estado?

Quem vai nos cuidar, proteger, garantir nossas vidas, nosso mínimo direito de sair de casa e ir trabalhar? De viver?

Se já está mais do que claro que o Governo do Estado do Rio de Janeiro está absolutamente descartado como competente para tratar disso, como as estatísticas nefastas dos jornais mostram diariamente - essas terríveis notícias que mais e mais embotam nossa capacidade de reclamar, haja vista seu peso avassalador, e que acabam levando-nos tão-somente a agradecer aos céus que alguma das tragédias ali retratadas não tenha acontecido com alguém que amamos - quanto falta (ou o quê, repito) para que o Governo Federal, sem mais delongas, frescuras legislativóides e tentativas ilógicas e incongruentes de respeitar "direitos humanos" de uma bandidagem formada por animais, passe imediatamente da contemplação distante à ação afirmativa, mandando a atual "Governadora" e seu arremedo de Secretário e marido para bem longe das providências que nunca tomaram nem irão tomar, e assuma o controle da situação emergencialíssima da preservação da vida humana neste Estado da Federação.

É um direito constitucional. E eu só quero saber o quanto (ou o quê) falta.

Domingo, Dezembro 28, 2003

A INCRÍVEL JUSTIÇA PARA OS RICOS (MAS CONTRA)

Leio na imprensa que nossa adorável Prefeitura mandou de-mo-lir, como demolidas estão (vi o entulho amontoado, hoje, ao passar pelo viaduto do Joá no sentido de São Conrado) duas ou três casas que, segundo aquela estariam edificadas irregularmente, em local impróprio E que comprometeria a ecologia, posto que próximas demais do fétido canal que liga a Lagoa da Tijuca ao mar. A famosa "barra" da Tijuca.

A despeito das pendências judiciais, foram as residências abaixo, com espetacular cobertura da imprensa, atropeladas pelos tratores do alcaide.

Alguns quilometros adiante, ao me aproximar da favela da Rocinha, pensei cá comigo: diacho (não foi bem este o termo), e essa imensa favela, construída numa encosta outrora coberta pela Mata Atlântica, local mais irregular e com prejuízo maior à ecologia talvez somente outras favelas, em outras encostas de maior porte, isso não é pra lá de irregular?

E ainda perguntei a mim mesmo se a lei anda sendo aplicada sobre alguns mas não todos. Daí à expressão: "lei que dá voto", é um pulo.

Bem, sei lá, talvez alguém me explique um dia.

Sábado, Dezembro 06, 2003

SOMBRA

Retomando, depois de muito muito tempo. Para dizer que a minha suspeita, levantada aqui desde o início, de que o "Sombra" era o mandante do assassinato de Celso Daniel, agora se confirma com o Ministério Público denunciando a peça "apenas" por homicídio triplamente qualificado.

Esse cara nunca me cheirou bem.

Até!

Quinta-feira, Agosto 01, 2002

TOLERÂNCIA ABAIXO DE ZERO, A SAÍDA

Transcrevo abaixo, por ter tudo a ver com o espírito do Daily Speaker, mais uma opinião cujo cunho tem como fundo a praticidade nas ações, publicada no Jornal do Commercio de hoje.

Devaneios filosóficos
por Fernando Orotavo Junior - Advogado

Foi com enorme satisfação que nós, os cariocas, lemos nos jornais que o nosso alcaide pretende propor que a segurança da Cidade seja deslocada da esfera estadual para a esfera municipal. O motivo da euforia coletiva se prende naturalmente ao fato de que, enquanto os cofres estaduais estão vazios, segundo a governadora, os da Prefeitura estão abarrotados com mais de R$ 2 bilhões, no dizer do nosso secretário de Fazenda. Afinal, é cediço que a gravidade da situação de insegurança coletiva no Rio só será resolvida com muito dinheiro, eis que veículos, aparelhagens e armas, pelo menos de potência semelhante às possuídas pelo chamado poder paralelo, custam caro e são absolutamente necessárias.

É verdade que a aquisição desses equipamentos, somada a um também necessário incremento de pessoal, por si só não resolverá o problema, quando muito o amenizará. Porém é certo que outras medidas, se tomadas com coragem, e que também custam uma fortuna, podem ser adotadas. Já que é quase impossível atender ao desejo majoritário, indicado em recentíssima pesquisa publicada nos jornais, de implementar a pena de morte, que tal começar por listar todos os criminosos soltos - assassinos, assaltantes a mão armada, estupradores, aqueles que perpetram hodiernamente crimes hediondos contra a vida - e colocar cartazes com seus nomes e fotos oferecendo régia recompensa pelos mesmos, do tipo "procura-se vivo ou morto"? Isto deu certo em muitos lugares - especialmente em sociedades do dito primeiro mundo.

Auto-eliminação. Seria bom também que os recebidos vivos pudessem ser presos em presídios em companhia de bandidos de facções rivais, para que eles próprios tratassem de se auto-eliminar por critérios que livremente pudessem adotar. Façam as contas senhores: a R$ 20 mil por cabeça poderíamos excluir de nosso convívio cerca de 10 mil meliantes de alta periculosidade, gastando apenas 8% do caixa da Prefeitura. Isso sem falarmos na melhoria de vida de todos nós e das pessoas de bem hoje desempregadas que poderão se engajar no programa "ganhe dinheiro prendendo bandidos".

Inúmeras outras providências podem ser tomadas para viabilizar os cariocas o direito de ir e vir, de transitar em segurança pelas ruas, de sair de trás das grades em que estamos confinados em nossas próprias residências, de ir à praia ou ao cinema, de viver enfim com normalidade. Basta criatividade e verbas. O problema da nossa segurança deve sim ser assumido por quem se diz disposto a agir, tem recursos para tal e tem certeza de que não precisa de "milagres" para obter êxito.

O primeiro mandatário que reduzir drasticamente os índices de criminalidade em qualquer rincão do País, por certo, terá o reconhecimento perene dos cidadãos. Primeiro, porque não agüentaremos mais por muito tempo este estado de coisas. Segundo, porque já vimos este filme antes, muito recentemente, quando o prefeito Giuliani instituiu a "tolerância zero" na cidade de Nova York, tornando-a, em pouco tempo e pelos anos que a administrou, a megametrópole mais segura do mundo.

Vamos deixar de hipocrisia, de berrar por direitos humanos, de rotular medidas que podem resolver de "politicamente incorretas". Vamos deixar de ser ingênuos e fazer força para entender que nós, os cariocas, como um todo, estamos vivendo em estado de calamidade. E, guerra é guerra, e só a venceremos com ações efetivas, não com devaneios filosóficos. Queremos menos falatório e mais ação. Vamos exigir que as autoridades se empenhem verdadeiramente para nos devolver a paz, a tranqüilidade e a alegria, nossa forma tradicional de viver. Vamos parar de caminhar pela paz e passar a fazê-lo pela guerra. Afinal, ela já começou e parece que poucos perceberam.

Quarta-feira, Julho 10, 2002

KRAMER, DORA KRAMER

Quando eu crescer quero poder escrever como Dora Kramer. Que precisão, que escolha de palavras, como seus argumentos fluem precisos, diretos, concisos, sem nunca escaparem para o acostamento, mãos firmes no volante e com faróis altos na cara do(s) oponente(s), aqueles a quem ela dirige suas palavras cortantes. Especiarias em forma de crônica política. Vejam esta, publicada no JB de hoje, que primor.

Estado entrega ouro ao bandido

Interessa, mas não é primordial saber quem está com a razão nessa história da intervenção no Espírito Santo. Se Miguel Reale ao deixar o cargo, se Fernando Henrique por recuar do apoio à posição do ministro ou se o procurador-geral da República ao aprovar a intervenção, depois reprovar e anunciar que a eleição pautou-lhe a decisão.
Antes de esmiuçar este ponto, porém, convém registrar a evidência que se sobrepõe a tudo isso: objetivamente, o crime organizado, o poder paralelo ou seja lá que nome se dê ao monstro, pelo visto imbatível, ganhou mais uma frente ao Estado completamente desorganizado, desarticulado e atarantado.
Pode-se até discutir a escalação do Espírito Santo para ser o primeiro de uma lista de locais onde urge a interferência do poder público em sua representação federal, dado que a estadual contamina-se às escâncaras pela força e pelo dinheiro do crime. Mas é indiscutível a necessidade de o combate propriamente dito começar.
E, por algum lugar, deve se dar esse início. Diante da dúvida a respeito da prioridade conferida ao Espírito Santo no pedido do Ministério da Justiça, gente do primeiro escalão da Polícia Federal explica que lá, ao contrário do Rio, por exemplo, há indícios claros do envolvimento direto de autoridades com o sistema da bandidagem.
Indícios esses colhidos durante uma CPI e que originaram um pedido formal da Ordem dos Advogados local. Até aí, poderíamos estar diante de rusgas regionais. Por isso mesmo os documentos foram enviados a Brasília para exame do Conselho dos Direitos da Pessoa Humana. Com base nessa análise, foi aprovado o pedido de intervenção.
Por unanimidade. O que significa dizer que os votantes, entre eles o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, concordaram todos que havia sustentação legal para tal solicitação. Muito bem, encaminhados os trâmites ao Ministério Público, seu representante, Brindeiro, reafirmou a posição que havia tido ao votar no Conselho.
É de se supor que o procurador não tenha dado seu voto movido pela leviandade, nem seria lícito imaginar que o ministro da Justiça não tenha obtido do presidente incentivo para ir em frente. Se Fernando Henrique não soubesse do que se tratava ou houvesse se manifestado contra, Reale estaria demitido desde a semana passada.
Portanto, algo de muito sério aconteceu nos quatro dias que separaram a mudança radical de posições. Algum argumento pesou e nada haveria a reparar, caso Fernando Henrique e Brindeiro, tivessem tido a fidalguia de fornecer ao respeitável público explicações claras e lógicas a respeito.
Afinal, dias antes já corria no Supremo Tribunal Federal a notícia de que a aprovação da intervenção seria muito difícil.
E, decidindo a Justiça que não haveria razão para tal ato de força, o caso estaria encerrado mediante a apresentação dos motivos.
Acontece que no momento preciso do anúncio do arquivamento, o procurador-geral não apenas eximiu-se de explicitar as razões objetivas como afirmou que não seria ''adequado'' nem conveniente intervir num Estado em ''ano eleitoral''.
Note-se que Geraldo Brindeiro não se referiu a impedimentos legais em períodos de eleição, mas a inadequações e inconveniências. Conceitos, cuja margem para as mais variadas interpretações, são de dimensões amazônicas.
Viesse do adversário a acusação de que o governo estaria buscando a preservação do Estado de origem de sua candidata a vice, a fim de evitar constrangimentos a aliados no processo que, como as CPIs, tem dinâmica própria, ainda se poderia duvidar da procedência da suspeita.
Mas, quando é o próprio interlocutor do presidente que assume a sobreposição de nebulosas motivações políticas às razões da Segurança Pública, aí as coisas ficam mais sérias. Mostram, por exemplo, que tibieza e dubiedade de conduta contribuem à grande para o enfraquecimento e a contaminação do aparelho de Estado.
E o crime, resoluto que é, continua firme e forte sua trajetória em direção à irreversibilidade.

Quarta-feira, Junho 26, 2002

ATÉ A BENÉ

Estou adorando. Agora foi a Bené quem reivindicou a presença das Forças Armadas na guerra contra o crime. No JB de hoje, a Governadora já exige que o Exército, Marinha e Aeronáutica ajudem, junto com agentes da Polícia Federal e Receita, no combate à criminalidade desenfreada. Lutador histórico por isso, fico feliz que as coisas se encaminhem dessa maneira. Se não burocratizarem, coisa que já está sendo cogitada por alguns, querendo um CONVÊNIO para que essa participação militar se concretize!
NÃO PRECISA, NÃO, POIS COMO EU DISSE AQUI, É UM DEVER CONSTITUCIONAL DAS FORÇAS ARMADAS IMPEDIR A DETENÇÃO DE ARMAS POR CIDADÃOS ORGANIZADOS EM GRUPOS DE QUALQUER NATUREZA QUE AMEACEM A SEGURANÇA PÚBLICA. Então é só arregaçar as mangas, preparar as brigadas e dar um pau seguro nesses traficantes filhos-da-puta que, repito, fazem chacota de todas as instituições nacionais todos os dias. Ou reconquistamos o terreno perdido e depois os esmagamos com medidas de fundo ou preparemos nossas malas.
Só uma bela e decisiva atuação militar no combate à criminalidade devolverá a essa Fôrça, tão desgastada pela mídia (infiltrada no limite da capacidade quantitativa de empregos, em jornais, revistas e tvs) e por seu desabastecimento de recursos pelo Governo, a representatividade histórica na luta contra o que há de pior no cenário nacional: a insegurança pública e a sorrateira ocupação socialista dos meios culturais, o que certamente virá desembocar, com a anestesia geral, num regime indesejado.

Segunda-feira, Junho 24, 2002

ABERTURA DE CAPITAL

Procuro sócios para montar uma empresa para fornecimento de "quentinhas" para Bangu 1. Expectativa de lucro: nenhuma. Duração da empresa: umas duas entregas. Tipo de refeição proposto: altíssimo padrão, difícil digestão. Dissolução da sociedade assim que atingir seu objetivo social. Cartas para a redação. URGENTE...

Domingo, Junho 23, 2002

LEI DE TALIÃO

E aproveito, também do Globo de sábado, 22/6, os singelos, no sentido de diretos ao ponto, sem floreios, argumentos do ex-delegado SIVUCA, quanto ao status-quo da violencia no Rio, fruto da inação no passado, exceto quando a coisa extrapolou. Que é o que está ocorrendo HOJE!!!. E o homem entende...

Sem contemplação
por José Guilherme Sivuca, O GLOBO, 22/06/02

No auge dos anos dourados, quando os moradores das favelas e do asfalto ainda se olhavam sem medo e sem ódio, traficantes de tóxico tentaram uma nova estratégia para subjugar a sociedade. Instalaram o primeiro poder paralelo no Morro do Juramento, na Zona Norte do Rio.
A reação foi rápida. Em 1973, o Exército fechou os principais acessos enquanto policiais civis, a bordo de helicópteros, empurravam os criminosos para baixo: 64 traficantes foram presos e cinco morreram. Investimentos sociais substituíram a ação policial-militar, porque pequena parcela da sociedade reagiu à presença do Exército. Em conseqüência, novas quadrilhas invadiram o Juramento e, de lá para cá, já assassinaram mais de 500 pessoas.
Vinte anos depois, quando a polícia apreendeu o primeiro fuzil em poder de marginais no Rio, um novo crime abalou a opinião pública. O bando de Ada, que dominava o Morro da Providência, julgou, estuprou e esquartejou o corpo da detive Regina Coeli. O “julgamento” e a “sentença” tiveram como palco o Cruzeiro, onde as famílias faziam suas orações. Estava instalado o primeiro tribunal do poder paralelo condenando à morte a ré. Não faltaram, mais uma vez, os que indicaram as ações sociais como forma de resolver o problema da violência. Os índices de criminalidade continuaram crescendo no bairro da Saúde — berço do primeiro morro do Rio, o da Favela.
A memória curta da sociedade e a visão amadorística da autoridade com relação à violência impedem uma simples conclusão: os fatos de 1973 e 1992 já sinalizavam que os criminosos e traficantes ficariam mais ousados. Ao descobrirem sua força, passariam a enfrentar a polícia, a sociedade e outras instituições.
O brutal assassinato do jornalista Tim Lopes, com os mesmos requintes de crueldade da morte de Regina Coeli, mostra agora que esses monstros não se intimidam diante de uma forte instituição como a TV Globo.
Não se pode insistir na tese de que a solução para acabar com traficantes, seqüestradores e estupradores está na defesa dos seus direitos humanos.
Que diferença moral existe entre atirar contra um exército de inimigos que invade nosso país e atirar contra exército de bandidos que brutalizam trabalhadores? É por isso que eu afirmo: bandido bom é bandido morto.

SÓ PANCADARIA PESADA RESOLVE

Tenho para mim que mais e mais gente está se conscientizando do óbvio. Agora é o Jabor, que, em sua coluna semanal, considera a atuação dos militares a única forma de retomar algum contrôle ou dignidade. Como sempre briguei por isso, republico aqui em baixo sua ótima visão do mesmo problema.

A violência virou um problema de Estado-Maior - Arnaldo Jabor, O GLOBO, 17/6/02

Sempre que escrevo sobre a violência me dá uma sensação de inutilidade. Quando vejo os movimentos de solidariedade, bandeiras brancas, pombas da paz, atores nas ruas, burgueses falando em cidadania, me dá uma sensação de perda de tempo.

Nós tratamos os criminosos como se fossem “desviantes” de nossa moral, como gente que se “perdeu” da virtude e caiu no “pecado”, no “mundo do crime”. Não é nada disso. Eles são os novos empregados de uma multinacional. O único emprego que lhes foi oferecido no último século: a megaempresa da cocaína. Ela trouxe o poder sobre as comunidades que, somado à ignorância e à miséria, criou a crueldade sem limites, a bruta guerra animalesca. Os bandidos violentos são quase uma mutação da “espécie social”, fungos de um grande erro sujo do qual nós somos cúmplices.

Hoje, nós é que ficamos caretas diante deste mundo periférico que não se explica, gerando outra ética, funérea, sangrenta. A miséria armada é uma outra nação, no centro do Insolúvel.

Essa gente era anônima; estão ganhando notoriedade na mídia. São vazios objetos de uma corrente de pó; nós, pequeno-burgueses, é que víamos neles até uma vaga consciência “política” de marginais. Achamos até que eles querem calar a imprensa. Nada. Mataram por matar, chamaram o Tim de X-9 e “já era” — disseram eles. Nós é que estamos lhes fornecendo uma “ideologia”.

Mas não quero ficar deitando sociologia barata sobre a violência. Quem sou eu? Mas vejo com um mínimo de bom senso que os vilões também somos nós. Eles são a prova de nosso despreparo. Os incapazes somos nós, ainda crentes de leis inúteis, de coerções superadas, de polícias falidas.

Nós não fizemos nada quando as favelas eram pequenas. A miséria era dócil, podia ser ignorada. Agora, se não agirmos, isso vai virar uma endemia eterna. A lei não consegue nem instalar anticelulares nas cadeias e fica encenando comboios para a mídia, com cem policiais pra levar o Beira-Mar para outra cadeia.

Ninguém consegue resolver nada porque os instrumentos de defesa publica estão engarrafados numa rede de burocracias, fisiologismos, leis antigas, velhos conceitos que são facilmente superados pela eficiência “pós-moderna” dos bandidos, diretamente ligados ao ato, ao fato, à instantaneidade do mal, e sem freios éticos. Eles têm a mesma vantagem dos terroristas. Muito lero-lero racionalista ocidental, ciência, democracia e, aí, chega um arabezinho maluco com uma bomba e arrasa o shopping center.

Eles são uma empresa moderna. Nós somos o Estado ineficiente.
Eles agilizam métodos de gestão. Eles são rápidos e criativos. Nós somos lentos e burocráticos.
Eles lutam em terreno próprio. Nós, em terra estranha.
Eles não temem a morte. Nós morremos de medo.
Eles são bem armados. Nós, de “três-oitão”.
Eles ganham muita grana (Um “aviãozinho” de 15 anos ganha mais por semana que um PM por mês).
Eles estão no ataque. Nós, na defesa...
Nós nos horrorizamos com eles. Eles riem de nós.
Nós os transformamos em superstars do crime. Eles nos transformam em palhaços.
Eles são protegidos pela população dos morros, por medo ou vizinhança.
Nossas polícias são humilhadas e ofendidas por nós.
Ninguém suborna bandido. Eles compram policiais mal pagos. Um cara que ganha 700 paus por mês não tem ânimo para combater ninguém.
Eles não esquecem da gente nunca, pois somos seus fregueses. Nós esquecemos deles logo que passa uma crise de violência.
A droga e as armas vêm de fora. Eles são globais. Nós somos regionais.

Alguma vitória só poderá vir se desistirmos de defender a “normalidade” de nosso sistema, pois não há mais normalidade alguma; precisamos de uma urgente autocrítica de nossa ineficiência. O combate ao crime passa pelo combate ao nosso descaso e à nossa incompetência.

A luta contra o trafico, é obvio, começa lá longe, nas fronteiras. Por lá entram as armas e o pó. Não adianta subir e descer de morros. Temos de fechar fronteiras.

A luta contra o crime não é mais uma luta policial; não é mais a Lei contra o Pecado. Não. O crime cresceu tanto que se tornou um problema de Estado-Maior. Sim. Trata-se de uma luta política e, mais que isso, uma luta policial-militar. Acho que tem de haver, sim, uma séria articulação das Forças Armadas com as polícias. Tem de haver generais estudando estratégias e logísticas de cercos e ataques. Meses de estudo, planos secretos, dinheiro, muito dinheiro e milhares de homens com armas modernas. E tudo isso coordenado com campanhas de esclarecimento e de proteção às comunidades que eles “protegem”. “Ahh... — alguns vão gritar — o Exército não foi treinado para isso!” Pois que seja treinado. Trata-se de uma guerra. Ou não? Não combateram a guerrilha urbana, com implacável ferocidade e competência? Aposto que outros dirão: “O Exército não é para crimes comuns; é para guerras maiores...” Para quê? A invasão da Argentina? A guerra que se anuncia é subversiva no pior sentido. Não aspira a uma ordem nova. Só quer uma vingança obtusa e a manutenção da miséria como refúgio. No fundo, muitos não admitem a ação das Forcas Armadas porque desejam ocultar a derrota de um sistema legal e policial. A guerra é reconhecimento do fracasso da política. Pois que seja. Nosso fracasso tem de ser assumido. Do contrário, continuaremos atrás das grades de nossos condomínios, dizendo “Que horror!” para sempre.

Crime hediondo é que isso não seja uma prioridade nacional. A tragédia das periferias brasileiras me lembra um terremoto ignorado, para o qual ninguém enviou patrulhas de salvamento. Já houve a catástrofe e todos nós tentamos esquecê-la, trêmulos de medo, blindados, com os socialites cheirando o pó malhado de otários, perpetuando esse poder paralelo, que tende a crescer.

Quinta-feira, Junho 20, 2002

LINK

O Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Desembargador Marcus Faver, concorda com a proposta de acionar-se imediatamente Exército, Marinha e Aeronáutica na luta contra o trafico e seus czares. Isso pode ser lido através do link abaixo, em matéria desta data publicada no
JB.

Sábado, Junho 08, 2002

REAGINDO ENQUANTO HÁ TEMPO


Pouco antes de morrer há 5 anos, meu pai transferiu-me sua coleção de armas. Coleção essa composta de 3 carabinas enferrujadas, uma delas do tempo da guerra da secessão americana, mais duas garruchas imprestáveis e um rifle calibre 22, a única arma ainda em condições de tiro. Por conta desse "arsenal", para cumprir a lei em vigor e não ser preso de forma inafiançável, preciso pagar anualmente uma taxa de valor considerável e renovar minha "licença de colecionador", via um custoso despachante especializado, sem o qual não a conseguiria senão à custa de dias em filas e muita, muita paciência.
Como parte do processo o Ministério do Exército ainda envia à minha casa, o "local de guarda" da coleção, em dia e hora marcados, um sargento que procede à vistoria das armas. Uma vez satisfeitas todas as exigências, que ainda incluem todas as certidões negativas disponíveis nos cartórios e dezenas de cópias carimbadas, autenticadas e assinadas pelo bispo, fico quite com meu dever cívico. E nossa maior Arma passa então a deter, atualizado, todo esse precioso conhecimento sobre meu potencial bélico. Um primor de cuidados.

Enquanto isso, em qualquer morro ou favela das grandes cidades brasileiras há, em poder de bandidos, armas modernas de todo e qualquer tipo, modelo, alcance, origem, calibre e poder de destruição, adquiridas por contrabando, nas barbas das polícias locais, da Polícia Federal, da Receita Federal -nossa autoridade aduaneira- e muito mais grave e principalmente, nas de nossas Forças Armadas. Armamento que gera um lucro extraordinário aos peixes graúdos que controlam seu fornecimento. E que a um pedido dos compradores, em sua maioria traficantes detentores de recursos abundantes, entregam, em casa, as mais modernas armas disponíveis pelo mundo afora, o que transforma esses ratos numa força com capacitação bélica extraordinária, com o que há de melhor em armamento leve, semi-pesado e mesmo pesado. Recentemente, noticiaram os jornais cariocas que numa incursão tática para a conquista de um morro dos inimigos, a qual não sei porque me lembrou Monte Castelo, havia, montada num tripé na caçamba de uma camionete, uma metralhadora de grossíssimo calibre. Uma arma de guerra.

Cada vez que se propugna pela atuação das Forças Armadas contra o tráfico, expressão mais visível, temida e violenta da criminalidade, a resposta vem no diapasão de que não faz parte das suas atribuições constitucionais atuar contra o crime comum -como se alguém pudesse achar comuns os bárbaros crimes que assolam as vidas dos brasileiros. Então, se o motivo "crime comum" não é suficiente, está na hora de nosso Exército cumprir a mesma lei que serve para os demais cidadãos. E mandar todos os seus sargentos e tenentes e capitães e majores nas casas dessa gente, de preferência sem hora marcada, para verificar se as coleções de armas deles estão "regularizadas". E "confiscar" imediatamente as irregulares, tudo dentro do melhor espírito dessa lei. Afinal, não compete essa tarefa ao Exército?

Faz-se necessário, imperativamente, deixar de agir como se não houvesse esse enorme problema se agravando a cada instante. Exército, Marinha e Aeronáutica, com ou sem o apoio de polícias de qualquer nome, têm de recuperar o quanto antes o terreno perdido. Se o atual sistema de defesa não consegue impedir a entrada de armas, tem a obrigação de "controlá-las" no destino.

O que não se pode mais é tolerar a existência de um moderno exército (treinado inclusive através da proficiência de ex-paraquedistas, contratados pelo tráfico logo após dispensados de suas corporações), munido com a última palavra em armamentos e ainda de vasto poder aquisitivo, dentro de nossas fronteiras, das nossas cidades, de nossas vidas enfim, de braços cruzados.

Em recente entrevista na TV, o Ministro da Justiça defendeu em seu discurso a proibição da venda de armas, como uma das formas de se diminuir a criminalidade e a violência endêmicas no país.

Ouso discordar veementemente. Pois se um cidadão hoje procura comprar uma arma num estabelecimento regularizado, estará em busca de uma solução, não de criar novos problemas. Talvez ele pretenda se matar, seja por causa de dívidas que não consegue pagar -há uma parcela cada vez menor de pessoas de caráter que fariam isso, mas há- seja por ter descoberto que era traído(a) pela(o) amada(o). Mas, mais do que provavelmente, estará procurando essa arma PARA DEFENDER-SE E À SUA FAMÍLIA contra ladrões, seqüestradores, assassinos, traficantes e estupradores, entre outras categorias de malfeitores que infernizam o nosso cotidiano, coisa que as forças legalmente constituídas não conseguem fazer. Não me permito, senhor Ministro, por um único segundo sequer, admitir que bandidos comprem armas em lojas.

Está na hora de agir com vigor. Os melhores estrategistas das três forças militares, em conjunto ou não com as demais forças legais, devem iniciar incontinenti o plano de suas vidas (e das de nossos filhos e netos). Usando toda a sua inteligência e preparo de suas formações em nossas excelentes Escolas Militares, orgulho de todos.

E então, trabalhar duro nessa missão que permitirá honrar seus pais, seus mestres, seus superiores, seus filhos, seus comandados e toda a nação brasileira, através de uma reação enérgica aos ferimentos promovidos diuturnamente pela bandidagem, principalmente em nosso orgulho próprio.

E sem dar ouvidos, por um só instante, aos discursos basbaques que falam em respeitar direitos humanos de bandidos que, de maneira animal, ceifam, sem dó nem piedade, cada vez mais vidas de brasileiros inocentes.

É agir agora ou nunca mais.

Quarta-feira, Maio 15, 2002

MENTIRAS INFANTIS

Todos sabemos que políticos usualmente não falam a verdade. Mas há limites. A verdade facilmente constatável é o principal deles. E deveria agir como um freio de emergência.

Abrir a boca de maneira descarada para falar as mentiras mais escabrosas de que se tem notícia nos últimos tempos, a ponto de ser implacavelmente desmascarado no dia seguinte em todos os jornais, como vem fazendo o "garoto da cara gorda", como diz o Brizola sobre Garotinho, é inadmissível, senão infantil.

Ontem cheguei num restaurante e pedi um chope. O garçom perguntou: "Tulipa ou garotinho?" Eu respondi: "traz um Pinóquio". Ele entendeu.

Pois é, achando que o povo é babaca, o pastor está mentindo até as horas. Deixa ele...

Quinta-feira, Abril 25, 2002

TRAULITADA

Publico aqui, muito dentro do espírito do blog, a carta enviada por um afiado analista dos modos correntes à jornalista Miriam Leitão, com uma crítica coerente sobre as palavras lançadas em tom de certeza pelos mais diversos chutadores profissionais do país. Que são considerados no primeiro momento, como "oráculos" mas que quando erram fragorosamente, deixam tudo cair no esquecimento, sem cobrança de nenhuma espécie.
Aqui, no entanto, a gente mete o pau. E cobra, mesmo.


"Cara Sra. Miriam Leitão:
Economistas, jornalistas econômicos, palpiteiros, desocupados e outros, passaram meses me dizendo todo dia que o risco Brasil estava abalado pelo risco de colapso financeiro na Argentina, que nosso juros não poderiam ser baixados por este mesmo motivo, dentre outros. Fui obrigado a escutar todo este tipo de baboseira por meses a fio enquanto tais entendidos tentavam justificar o salário que ganham, desfilando todo um rol de razões para pessimismo com o futuro do Brasil em função da vizinha Argentina.

Bem, agora que a situação de caos financeiro e convulsão social chegou a um nível que nem mesmo o mais pessimista analista poderia imaginar, os efeitos do vírus de contágio platino não equivaleram nem mesmo a um simples "espirro" cá do nosso lado.

Em respeito a minha inteligência e a dos demais espectadores do panorama financeiro brasileiro, será que seria possível me explicar, afinal, qual era o motivo do pânico???

Por que os economistas não tem que ser cobrados, até mesmo judicialmente, por fazer afirmações levianas que só servem mesmo para manipulação do mercado financeiro? Pois afinal os mesmos economistas entrevistados na Globonews, Bandnews, etc, entregam de antemão os seus cenários catastróficos para os bancos, que já podem fazer posições ganhadoras nos mercados antes que as suas opiniões sejam divulgadas ao grande público, que, por sua vez quando se movimenta com 1 ou 2 dias de atraso não faz mais que dar liquidez à saída dessas mesmas posições, agora já devidamente lucrativas, que os bancos contratantes desses economistas fizeram na véspera?

Os economistas brasileiros têm que aprender noções de "accountability", ou seja, têm que prestar contas de suas declarações. Nos EUA e em países desenvolvidos existem ações na justiça contra análises temerárias que são tão pesadas que levam os bancos a fazerem acordos prévios com clientes antes de serem derrotados na justiça (caso por exemplo das indenizações que estão recebendo os clientes induzidos a aplicar dinheiro nas pontocom americanas sob influência dos histéricos analistas americanos na época áurea dos investimentos em internet). É lógico que aqui no Brasil, terra de palavras vazias, como as dos nossos políticos, a noção de "accountability" é tão tênue que parece até que eu estou sendo um chato de ficar lembrando desses detalhes. Porém acho que quem deveria estar mais preocupado com isso deveriam ser os próprios jornalistas, analistas financeiros e economistas pois são eles que estão perdendo a matéria-prima de seu ganha pão: sua credibilidade.

Outro exemplo, quando nada mais há para justificar comentários negativos visando a manutenção dos juros em patamares tão elevados, sou obrigado a assistir no Bom Dia Brasil, nesta mesma semana em que lhe escrevo, comentários sombrios sobre a "perigosíssima", "assustadora" e "preocupante" subida da expectativa de inflação em SP de 4,37% no ano para 4,42% no ano, ou qualquer coisa que o valha. Pasmem! Isso num país onde estávamos na casa de 80% ao mês apenas há alguns anos atrás, no governo dos monarcas maranhenses sarnentos. Caramba, devemos estar na Suíça para que tal desajuste da inflação cause tanta apreensão! Meu Deus, quanta baboseira, quanta gente que não tem o que fazer! Esses economistas deveriam ganhar enxadas e serem obrigados a prestar serviços forçados na agricultura para aprender o que é trabalhar a favor de um país!

Neste ponto, ganha estatura olímpica a figura do Sr. Joelmir Beting, único jornalista brasileiro a pautar seus comentários em seu bom-senso, despontando incólume em meio a todas as imbecilidades desfiadas pela mídia econômica e posteriormente desmentidas como de hábito.

Fazendo votos para que este assunto possa ser comentado em sua coluna, refletindo não mais que sua habitual corajosa postura em defender a clareza de idéias na discussão econômica do dia-a-dia deste nosso país, e torcendo para que V. Sa. possa voltar a ocupar sua coluna com assuntos mais importantes do que a Argentina; eu a saúdo, sinceramente, "